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FERNANDO RIBEIRO
4 DE SETE – O LIVRO VALISE, ENTRE OUTRAS OBRAS PARALELAS
Segundo os físicos, pelo menos alguns deles, há um universo de antimatéria que espelha o nosso. A hipótese, ainda que exceda por completo a capacidade de compreensão da maioria daqueles que não são físicos, como é o meu caso, parece-me extraordinária, afigura-se como uma conjectura de grande beleza. Pois a exposição que Fernando Ribeiro traz para a AM Galeria, uma série recente de pinturas/objetos, alimenta-se da possiblidade de um universo paralelo. Fernando refez com o apuro de mestre artesão que lhe é característico, um conjunto das mais conhecidas pinturas da história da arte moderna e contemporânea. Há uma bandeira de Jaspers Johns, um febril exemplar produzido por Jean-Michel Basquiat, uma tela de Mondrian -na verdade duas-, o mais festejado nú de Tom Wesselman, os pássaros impossíveis e ambivalentes de Escher, a onda de Kanagawa, clássico de Hokusai, e a indefectível Guernica, é claro, pois pensar na arte do século XX sempre levará a Picasso. Há outras obras mais na exposição, embora o elenco total só seja encontrado no livro, a bem dizer um livro valise, exposto sobre uma mesa na sala da galeria. Entre todos os artistas cujas obras foram -copiadas? transpostas?-, o destaque corre por conta de Marcel Duchamp, alvo de duas menções: o urinol, que originalmente levava o nome Fonte, transposto numa pintura objeto, e uma segunda obra, a rigor a responsável pelo desencadeamento do projeto, a Boîte–en-valise.
Entre 1935 e 1940 Duchamp produziu 20 caixas de luxo, 20 exemplares do que ficaria conhecido como Boîte-em-valise (caixa-maleta – museu-mala, como se queira), uma solução engenhosa de armazenamento, transporte e exposição de uma antologia de suas principais obras, entre elas o controverso urinol, apenas que miniaturizados. Uma galeria portátil, um museu liliputiano, e com isso a alusão a Jonathan Swift vem de permeio, como também seu parentesco com o bolo que ao comê-lo fez Alice, em Alice no país das maravilhas (clássico de Lewis Carrol, escritor, matemático, fotógrafo…, um polímata, enfim) diminuir de tamanho e com o líquido que a fez crescer.
Físicos, matemáticos, escritores, artistas e toda classe de gente imaginativa são interessados em grandezas, no caráter relativo das dimensões. Com suas caixas, Duchamp, de quebra, reforçou o fato de que museus são, a um só tempo, adensamentos espaciais e temporais. No caso das suas valises, podiam ser abertos em qualquer lugar a preceito, por exemplo uma mesa, e os objetos se desdobrariam, desencolheriam, floresceriam como um jardim de ideias imprevistas.
Fernando trabalhou nesse caminho. Produziu uma caixa e inventou uma história sobre um viajante espacial especialmente interessado em obras cujas particularidades assemelham-se ao que conhecemos como obras de arte. Vindo de um outro universo, enveredou pelo nosso planeta, ou melhor, num planeta que não o nosso, embora próximo. Nosso planeta espelhado? A prova é que todas as obras encontradas por ele, como parcialmente se pode constatar nas paredes da galeria e nas reproduções minúsculas embutidas na sua caixa-maleta, embora pareçam-se terrivelmente com obras nossas velhas conhecidas, são diferentes. Acometidas de alguns defeitos. Defeitos? Bem, talvez não se trate disso, talvez isso se deva as previsíveis deformações que o trânsito por universos paralelos deve provocar.
Por isso a mesma pintura de Mondrian gera duas pinturas: uma maior outra menor, sendo que a maior é de fórmica; a primeira estrela da direita, situada na extremidade superior da bandeira americana realizada por Jasper Johns, é um objeto -estrelado, sem dúvida-, feito de porcelana; a parte do osso frontal da Caveira – Cabeça, de Basquiat, pode ser deslocada como esses livros infantis interativos, repletos de surpresas súbitas; o branco e preto que notabilizou a Guernica, resvala parcialmente na cor. Há outras intercorrências, mas convém não avançar por esse território misterioso composto pela fusão da arte, com a ciência e a imaginação, melhor deixar o leitor a sós.
Agnaldo Farias
FERNANDO RIBEIRO
(1956 – São Paulo, SP)
Sua identidade com o desenho vem desde os anos iniciais de sua adolescência. Por influencia da obra de Robert Crumb, o artista iniciou sua carreira aos 16 anos, na Lynx Film, como arte finalista, participando do longa metragem de animação “Simplex” e recebendo o Leão de Ouro em Cannes. Transferiu-se então para o Rio de Janeiro e começou a trabalhar nos Estúdios Hanna Barbera. Nesta época estudou com o cartunista Molica na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro. Ao retornar a São Paulo, Fernando Ribeiro foi convidado a assumir a criação do tablóide infantil dominical do Diário do Povo. Aluno do atelier Nelson Leirner, no Rio de Janeiro, tornou-se então seu produtor e assistente em exposições nacionais e internacionais.
A partir de 1990, dedicou-se exclusivamente às Artes Plásticas. Juntou-se à Cooperativa dos Artistas nos anos 90, chegando a exercer o cargo de diretor. Permaneceu no grupo por mais de uma década. No ano de 2001, realizou em São Paulo sua primeira exposição – coletiva – de objetos e esculturas. Seu espírito inquieto o faz decidir-se então por uma trajetória individual, a qual já tem demonstrado resultados, por haver ultrapassado fronteiras locais e internacionais com suas obras criações.
CV
EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS
2017- Exposição – “Louça Fina” Tramas Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, RJ.
2016- Exposição” Louça Fina”- AM Galeria de Arte- Belo Horizonte, MG.
2016- Exposição “Louça Fina”- Museu Afro Brasil, São Paulo, SP.
2012- Exposição “ Falso ou Verdadeiro” – Galeria Monica Filgueiras – São Paulo, SP
2010- Déjà Vu parte II- “ Eu Vejo, Tu Olhas, Ele Déjà Vu”- CCBNB, Fortaleza – CE
2009- Exposição “Álbum de Gravuras – Galeria Monica Filgueiras, São Paulo, SP
2009 – “Eu vejo,tu olhas…ele Déjà Vu” – Monica Filgueiras Galeria de Arte, São Paulo, SP
2009 – “De Pollockcow a Déjà Vu” – Galeria Bolsa de Arte – Porto Alegre, RS
2007 – Déjà Vu – Mônica Filgueiras Galeria de Arte – São Paulo, SP
2007- Amigo Urso e seus Amigos – AM Galeria de Arte – Belo Horizonte, MG.
2006 – Limite – Mônica Filgueiras Galeria de Arte – São Paulo, SP
2006- Um Prato é um Prato ou Tanto do Mesmo – Galeria Coluna Vermelha – Rio de Janeiro, RJ
EXPOSIÇÕES COLETIVAS
2018- Exposição “ Dá Licença” Tramas Arte Contemporânea – Rio de Janeiro, RJ.
2015- Exposição “Aparecida-A Virgem Mãe do Brasil” Museu Afro Brasil, São Paulo
2012- Exposição “A Sedução de Marilyn” – Museu Afro Brasil, São Paulo, SP.
2014-Exposição “O Negro no Futebol” – Museu Afro Brasil- São Paulo, SP
2011- Exposição “30+1 – Galeria Bolsa de Arte- Porto Alegre, RS
2011- Exposição “Perfil”- AM Galeria de arte, São Paulo, SP
2009 – 40a. Chapel Art Show – São Paulo
2008 – Ponto de Vista – Galeria Daslu – curadoria Mônica Filgueiras – São Paulo, SP
2008 -Diversão e Arte – Galeria do Porto – Angra dos Reis, RJ
2007 – Coluna Infinita – Memorial da América Latina – São Paulo, SP
2007- Tupyexxx Mulder – Monica Filgueiras Galeria de Arte – São Paulo, SP
2006 – 1ª Transversal de São Paulo – São Paulo, SP . AM Galeria de Arte
2006- Chappel Art Show – São Paulo, SP
2006- Salve a diferença – São Paulo, SP
EXPOSIÇÕES COLETIVAS
2006- Salve a diferença – São Paulo, SP
2005 – Nem Magritte, nem Mary Poppins – São Paulo, SP
2005- ArtBresil – Deauville, França
2004 – Sala especial Nelson Leirner – Professor Curador – Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, SP
2004-Verdadeiro ou falso? – Galeria Anna Maria Niemeyer – Rio de Janeiro, RJ
2003 – Pocket Ópera Portinari (figurino) – Sesc Ipiranga – São Paulo, SP
2001 – Objetos e esculturas –Mônica Filgueiras Galeria de Arte – São Paulo, SP
ACERVO INSTITUCIONAL
2011- Coleção Banco Itaú- “As Meninas”
2009 – Museu Salvador Allende, Chile – “Tora ou Iemanjá”
Centro Cultural Banco do Nordeste do Brasil (CCBNB) — Gravuras da série Déjà Vu (11 serigrafias)
2008- Museu Afro Brasileiro, São Paulo – “Nossa Senhora de Cocacabana
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