Você está em um Gabinete de Curiosidades. Aqui nos apropriamos do antigo modo de expor em palácios e em ambientes de trabalho dos intelectuais de outrora. O objetivo é a convergência e a profusão. Nada é gratuito: nas correlações e nas fricções, estimula-se o debate. É, sobretudo, um exercício de aproximação de artistas e designers brasileiros que possuem certos trabalhos cuja matriz de raciocínio reside no paradigma da forma.
Constatam-se aqui virtuosas reverberações das bases intelectuais lançadas pelo Concretismo e o Neoconcretismo nas artes visuais e na literatura no Brasil. Estamos lidando com uma tradição da modernidade. Trata-se do que Vilém Flusser definiu como “considerar as formas não mais como descobertas (aletheiai), nem como ficções, mas como modelos.” Em meio à diversidade proporcionada pelos diferentes autores, encontra-se uma coerência coletiva de questões geométricas, matemáticas e estruturais.
Francesco Perrotta-Bosch