Cristina Canale

A pintura de Cristina Canale revela traços bastante singulares, notadamente a maneira como os elementos figurativos da composição estão sempre na iminência de se diluírem em pura abstração. Suas paisagens parecem retratar um mundo fluido, em que uns poucos elementos reconhecíveis surgem por entre campos de cor que se justapõem – e de maneira harmônica, não obstante a ampla variedade de cores que emprega.

Com sua massas cromáticas e densa materialidade, a obra de Cristina Canale responde, a sua maneira, aos intensos debates que embasam a pintura alemã do final do século XX, e, de maneira mais geral, está sintonizada com as problemáticas da produção contemporânea para além da pintura. Para o curador Tiago Mesquita, a produção de Canale contrapõe-se à busca pelas estruturas de constituição da imagem por parte de artistas como Gerhardt Richter e Robert Ryman, porque aborda “a imagem e os gêneros consagrados da pintura de forma subjetiva, acreditando em uma experiência singular”.

Canale é carioca nascida em 1961. Reside e produz em Berlim. Integrou mostras coletivas como a 21ª Bienal de São Paulo (1991); a 6ª Bienal de Curitiba (2011); além de: Dentro do traço, mesmo (Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, Brasil, 2009); e Da visualidade ao conceito (Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil, 2007). Exposições individuais incluem: Protagonista e domingo (Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brasil, 2013); Sem palavras (Galeria Nara Roesler, São Paulo, Brasil, 2011); e Arredores e rastros (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil, 2010). Instituições brasileiras como a Pinacoteca do Estado de São Paulo; o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, entre outras, possuem obras suas.

 

Veja mais no site do artista:
www.cristinacanale.com

cristina canale

n./b. 1961, rio de janeiro/rj, brazil

vive e trabalha em / lives and works in berlin/be, germany

 

exposições (seleção) / exhibitions (selection)

individuais em negrito / solo exhibitions in bold

 

2019

Ateliê de Gravura: da tradição à experimentação, Fundação Iberê Camargo (FIC), Porto Alegre/RS, Brazil

 

2018

Cabeças/Falantes, Galeria Nara Roesler | São Paulo, São Paulo/SP, Brazil

Mulheres na Coleção MAR, Museu de Arte do Rio (MAR), Rio de Janeiro/RJ, Brazil MACS Fora de Casa – Poéticas do feminino, Sesc Sorocaba, Sorocaba/SP, Brazil

 

2017

Things and Beings, Galeria Nara Roesler | New York, New York/NY, USA

Still Alive 2.0 – Stilllebenmalerei, Michael W. Schmalfuss Gallery, Marburg/HE, Germany

Die Anwesenheit der Welt – The presence of the world. Malerei und Skulptur, Michael W. Schmalfuss Gallery, Berlin/BE, Germany

Alucinações à beira mar, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro/RJ, Brazil

Modos de ver o Brasil: Itaú Cultural 30 anos, Oca – Pav. Gov. Lucas Nogueira Garcez, Parque do Ibirapuera, São Paulo/SP, Brazil

 

2016

A cor do Brasil, Museu de Arte do Rio (MAR), Rio de Janeiro/RJ, Brazil

Em polvorosa – Um panorama das coleções do MAM Rio, Museu de Arte de Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro/RJ, Brazil

 

2015

Cristina Canale: Zwischen den Welten, Kunstforum Markert Gruppe, Hamburg, Germany

O espírito de cada época, Instituto Figueiredo Ferraz (IFF), São Paulo/SP, Brazil

 

2014

Entremundos, Paço Imperial, Rio de Janeiro/RJ, Brazil

Entre o ser e as coisas, Galeria Nara Roesler, São Paulo, Brazil

Espelho e Memória – Spiegel und Erinnerung, Galerie Atelier III, Barmstedt, Germany

Adensamento e expansão: arte contemporânea – acervo CCUFG, Centro Cultural UFG (CCUFG), Universidade Federal de Goiás (UFG), Goiânia/GO, Brazil

Figura humana, CAIXA Cultural Rio de Janeiro, Rio de Janeiro/RJ, Brazil

Prática portátil, Galeria Nara Roesler, São Paulo/SP, Brazil

 

2013

Protagonisten, Galerie p13, Heidelberg, Germany

Protagonista e Domingo, Instituto Figueiredo Ferraz (IFF), Ribeirão Preto/SP, Brazil

Land der Zukunft, Lichthof - Auswärtiges Amt, Berlin, Berlin/BE, Germany

Espelho d’água, Galeria Coleção Particular, São Paulo/SP, Brazil

 

2012

Galeria Michael Schmalfuß, Marburg/HE, Germany

Cabeça-tronco-membros, Bolsa de Arte, Porto Alegre/RS, Brazil

Pars Pro Toto, Silvia Cintra Galeria de Arte+Box4, Rio de Janeiro/RJ, Brazil

Além da forma, Instituto Figueiredo Ferraz (IFF), Ribeirão Preto/SP, Brazil

 

2011

Sem palavras, Galeria Nara Roesler, São Paulo/SP, Brazil

O colecionador de sonhos, Instituto Figueiredo Ferraz (IFF), Ribeirão Preto/SP, Brazil

VI VentoSul – Bienal de Curitiba, Curitiba/PR, Brazil

 

2010

Arredores e rastros, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro/RJ, Brazil

I Mostra do Programa de Exposições de 2010, Centro Cultural São Paulo (CCSP), São Paulo/SP, Brazil

 

2009

Contos, Silvia Cintra Galeria de Arte+Box4, Rio de Janeiro/RJ, Brazil

Dentro do traço, mesmo, Fundação Iberê Camargo (FIC), Porto Alegre/RS, Brazil

 

2008

Mondo Cane, Galeria Nara Roesler, São Paulo/SP, Brazil

Positionen 2008, Galerie Noah, Augsburg/BY, Germany

Um século de arte brasileira – Coleção Gilberto Chateaubriand, Museu de Arte de Santa Catarina (MASC), Florianópolis/SC, Brazil

 

2007

Galerie van der Mieden, Antwerp, Belgium

Caiçaras, Bolsa de Arte, Porto Alegre/RS, Brazil

Cenas, Galeria Baginski, Lisboa, Portugal

Pintura face a face, Instituto Tomie Ohtake (ITO), São Paulo/SP, Brazil

Poder e afetividade, Silvia Cintra Galeria de Arte+Box4, Rio de Janeiro/RJ, Brazil

Um século de arte brasileira – Coleção Gilberto Chateaubriand. Itinerante exhibition: Museu Oscar Niemeyer (MON), Curitiba/PR, Brazil; Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-Bahia), Salvador/BA, Brazil;

80/90: modernos, pós-modernos etc., Instituto Tomie Ohtake (ITO), São Paulo/SP, Brazil

 

2006

Banhistas, Silvia Cintra Galeria de Arte+Box4, Rio de Janeiro/RJ, Brazil

Copa da Cultura – Cristina Canale, Embaixada do Brasil na Alemanha, Berlin/BE, Germany

//PARALELA 2006, Pavilhão Armando de Arruda Pereira, Parque do Ibirapuera, São Paulo/SP, Brazil

É hoje na arte brasileira contemporânea – Coleção Gilberto Chateaubriand. Itinerant exhibition: Museu Oscar Niemeyer (MON), Curitiba/PR, Brazil; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo/SP, Brazil; Centro Cultural Santander, Porto Alegre/RS, Brazil

The Image of the Sound: Football, Haus der Kulturen der Welt – St. Elisabeth Kirch, Berlin/BE, Germany

 

2005

Arredores, Galeria Nara Roesler, São Paulo/SP, Brazil

Transeuntes – América Latina, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), São Paulo/SP, Brazil

Discover Brazil – Aktuelle Malerei, Skulptur, Installation, Ludwig Museum im Deutschherrenhaus, Koblenz/RP, Germany

Piscinas, Silvia Cintra Galeria de Arte+Box4, Rio de Janeiro/RJ, Brazil

Arte em Metrópolis, Instituto Tomie Ohtake (ITO), São Paulo/SP, Brazil

 

2004

Museum Theo Kerg, Schriesheim/BW, Germany

Galerie Schmalfuß, Marburg/HE, Germany

Onde está você, Geração 80?, Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), Rio de Janeiro/RJ, Brazil

 

2003

Rastros, Paço das Artes, São Paulo/SP, Brazil

Paraíso, Galeria AM, Belo Horizonte/MG, Brazil

Marcantonio Vilaça – Passaporte contemporâneo, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), São Paulo/SP, Brazil

Arte em diálogo – Artistas do Brasil e da Noruega, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro/RJ, Brazil

Arte contemporânea brasileira na Alemanha: 10 artistas em 2 países / Zeitgenössische Brazilianische Kunst in Deustchland, Embaixada do Brasil na Alemanha, Berlin/BE, Germany

Grenzsignale, ARCIS-DAAD, Santiago de Chile, Chile

 

2002

Áreas de lazer, Galeria Anna Maria Niemeyer, Rio de Janeiro/RJ, Brazil

28 (+) pintura, Espaço Virgílio, São Paulo/SP, Brazil

Caminhos do Contempôraneo – 1952/2002, Paço Imperial, Rio de Janeiro/RJ, Brazil

Em matéria de natureza. Itinerant exhibition: Solar Grandjean de Montgny, Rio de Janeiro/RJ, Brazil; Instituto Cultural Brasileiro (ICBRA), Berlin/BE, Germany; Maison de l’Amérique latine, Paris, France

Colecão Metrópolis de Arte Contemporânea, Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo/SP, Brazil

 

2001

Wohnzimmer und andere Gemütlichkeiten, Kunstverein Genthiner Elf, Berlin/BE, Brazil

Galeria Marina Potrich, Goiânia, Brazil

Espelho cego: seleções de uma coleção contemporânea. Itinerant exhibition: Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (MAMAM), Recife/PE, Brazil; Espaço Cultural Contemporâneo Venâncio, Brasília/DF, Brazil; Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo/SP, Brazil; Paço Imperial, Rio de Janeiro, Brazil

Bilderwetter, Kulturring, Berlin/BE, Germany

Dozenten der Sommerakademie 2001, Künstlerhaus Schloss Nackel, Nackel/BB, Germany

Cristina Canale, Osmar Pinheiro, Sérgio Sister, Galeria A Hebraica, São Paulo/SP, Brazil

 

2000

Grenzenlos, Städtisches Museum Eisenhüttenstadt, Eisenhüttenstadt/BB, Germany

Amor proibido, Paço Imperial, Rio de Janeiro/RJ, Brazil

 

1999

Interiores, Galeria de Arte São Paulo, São Paulo/SP, Brazil

Sem fronteiras, Palácio das Artes, Belo Horizonte/MG, Brazil

Kunstverein, Bretten/BW, Germany

Moto migratório: quatro artistas brasileiros na Alemanha, Rudolf Scharf Galerie, Ludwigshafen/RP, Germany

 

1998

Kunst im Stift, Koblenz/RP, Germany

Flutuantes, Galeria Anna Maria Niemeyer, Rio de Janeiro/RJ, Brazil

Arte brasileira contemporânea, Künstlerhaus Bethanien GmbH, Berlin/BE, Germany

Moto migratório: quatro artistas brasileiros na Alemanha, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), São Paulo/SP, Brazil

Der brasilianische Blick. Um olhar brasileiro. Sammlung Gilberto Chateaubriand / MAM-RJ. Itinerant exhibition: Kunstmuseum, Heidenheim/BW, Germany; Luwig Forum für Internationale Kunst, Aachen/NRW, Germany; Haus der Kulturen der Welt, Berlin/BE, Germany

Geração 80, Galeria Marina Potrich, Goiânia/GO, Brazil

 

1997

Peinture – Trau Deinen Augen, Hausvogteiplatz 2, Stiftung Starke, Berlin/BE, Germany

8 artistas brasileiros, Universität Greifswald, Greifswald/MV, Germany

ORGANICUS: formas e materiais / arte contemporânea brasileira. Itinerant exhibition: Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP), Ribeirão Preto/SP, Brazil; Galeria Valu Ória, São Paulo/SP, Brazil; Centro de Artes Visuais Tambiá (CAVT), João Pessoa/PA, Brazil

 

1996

Dialog: experiências alemãs, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro/RJ, Brazil

ORGANICUS: formas e materiais / arte contemporânea brasileira. Itinerant exhibition: Galerie Drei, Dresden/SN, Germany; Instituto Cultural Brasileiro (ICBRA), Berlin/BE, Germany

Contrapartida: 12 artistas brasileiros e alemães, Kunstspeicher, Potsdam/BB, Germany

 

1995

De cisnes, folhagens e ornamentos, Paço Imperial, Rio de Janeiro/RJ, Brazil

Galeria Anna Maria Niemeyer, Rio de Janeiro/RJ, Brazil

Galeria de Arte São Paulo, São Paulo/SP, Brazil

Paisagem, Galeria de Arte São Paulo, São Paulo/SP, Brazil

Anos 80: o palco da diversidade, Coleção Gilberto Chateaubriand, Galeria de Arte do SESI, São Paulo/SP, Brazil

 

1994

Images of the 80’ and 90’, Museum of Americans, Washingto/DC, USA

Exposição Inaugural, Galeria 1, Rio de Janeiro/RJ, Brazil

Papel do Rio, Paço Imperial, Rio de Janeiro/RJ, Brazil

The Exchange Show: 12 pintores de San Francisco e Rio de Janeiro. Itinerant exhibition: Center for Arts Yerba Buena Gardens, San Francisco, USA; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro/RJ, Brazil

 

1993

Wiepersdorf 93, Wiepersdorf Castle, Wiepersdorf/BB, Germany

II Workshop Brasil-Alemanha, Maceió/AL, Brazil

Guignard: a escolha do artista, Paço Imperial, Rio de Janeiro/RJ, Brazil

 

1992

Galeria de Arte São Paulo, São Paulo/SP, Brazil

Branco dominante, Galeria de Arte São Paulo, São Paulo/SP, Brazil

EcoArt, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro/RJ, Brazil

Avenida Central, Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), Rio de Janeiro/RJ, Brazil

 

1991

XXIBienal Internacional de Arte de São Paulo, Fundação Bienal de São Paulo – Pavilhão Ciccillo Matarazzo, São Paulo/SP, Brazil

BR-80, pintura brasileira dos anos 80, Fundação Casa França-Brasil, Rio de Janeiro/RJ, Brazil

viva brasil viva: konst från Brasilien, Liljevalchs Konsthall, Stockholm, Sweden

 

1990

Galeria de Arte São Paulo, São Paulo/SP, Brazil

Arte moderna brasileira – Coleção Gilberto Chateaubriand, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro/RJ, Brazil

Olhar Van Gogh. Itinerant exhibition: Museu de Arte Moderna de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), São Paulo, Brazil; Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV Parque Lage), Rio de Janeiro/RJ, Brazil; Palácio das Artes, Belo Horizonte/MG, Brazil; Museu de Arte de Brasília (MAB), Brasília/DF, Brazil

 

1989

Pasárgada Arte Contemporânea, Recife/PE, Brazil

Novos valores da arte latino-americana, Museu de Arte de Brasília (MAB), Brasília/DF, Brazil

Canale, Fonseca, Milhazes, Pizarro, Zerbini. Itinerant exhibition: Fundação Nacional das Artes (Funarte), Rio de Janeiro/RJ, Brazil; Museu Municipal de Arte de Curitiba, Curitiba/PR, Brazil; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), São Paulo/SP, Brazil

 

1987

Galeria de Arte do Centro Empresarial Rio, Rio de Janeiro/RJ, Brazil

Novos Novos, Galeria de Arte do Centro Empresarial Rio, Rio de Janeiro/RJ, Brazil

 

1985

Galeria Contemporânea, Rio de Janeiro/RJ, Brazil

Velha mania: desenho brasileiro, Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV Parque Lage), Rio de Janeiro/RJ, Brazil

 

1984

Como vai você, Geração 80?, Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV Parque Lage), Rio de Janeiro/RJ, Brazil

 

 

prêmios / awards

 

1986

X Salão Carioca de Arte, Estação Carioca do Metrô Rio de Janeiro/RJ, Brazil

 

 

coleções institucionais / institutional collections

 

Coleção Gilberto Chateaubriand – MAM-RJ, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro/RJ, Brazil

Coleção João Sattamini – MAC-Niterói, Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC-Niterói), Rio de Janeiro/RJ, Brazil

Coleção Marcantonio Vilaça, São Paulo, Brazil

Coleção Metrópolis – TV Cultura, São Paulo/SP, Brazil

Instituto Figueiredo Ferraz (IFF), Ribeirão Preto/SP, Brazil

Instituto Itaú Cultural, São Paulo/SP, Brazil

Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), São Paulo/SP, Brazil

Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo/SP, Brazil

Sparkasse Oder-Spree, Frankfurt an der Oder/BB, Germany

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Seguir contando
Jacopo Crivelli Visconti - 2011

O casamento é no campo, o noivo não chega. A noiva, de braços cruzados, olha para longe, imóvel, enquanto o vento levanta seu véu e seu vestido, deixando à vista tornozelos firmes e sapatos pretos. Ao lado dela, outra mulher a acompanha na espera, no que parece ser um vestido florido, mais curto que o da noiva, e menos sensível aos caprichos do vento, tanto que quase não se mexe, apenas se levanta fugazmente, e volta a cair. Essa rigidez do vestido sugere um tecido grosso, áspero e acabado sem excessivos requintes. É um vestido de festa, mas de muitas festas, um dos poucos no armário da irmã da noiva (deve ser a irmã: os mesmos cabelos pretos, os mesmos tornozelos fortes e bem plantados no chão, a mesma cor de pele). Perto delas, mas longe o suficiente para deixar claro para todos que não se sente parte do grupo, a filha pré-adolescente da irmã da noiva (nesse caso, são os chifres a sugerir uma relação) observa-as, ou talvez olhe apenas na direção em que elas por acaso se encontram, mas para bem longe, muito além delas. Também é possível que, apesar de tudo, não sejam mesmo irmãs, apenas vizinhas . Moram perto dali, atrás do muro bege, em casas geminadas. Vieram até aqui para entender o que estava acontecendo: a menina, que agora se acalmou e fica olhando para o chão, chorava, não conseguia se explicar, as duas saíram de casa apressadas, sem pegar casaco, e agora tentam proteger-se do frio cruzando os braços, mas não está adiantando muito, e elas continuam sem entender. A menina vez por outra murmura algo quase incompreensível, fragmentos de uma história, ou de um sonho: uma mexicana que segurava uma flor vermelha (uma gérbera, será que ela disse mesmo gérbera?), a mão de um menino que, emergindo de algum lugar, roubava um balão laranja. Talvez fosse o balão da menina, e por isso ela chorava. Ou talvez fosse medo mesmo, medo dessas vozes que ela não para de ouvir…

As pinturas recentes de Cristina Canale, se com recente entendemos as produzidas ao longo da última década, são cheias de histórias assim, que começam e não terminam, que criam atmosferas, colocam as premissas, introduzem os personagens e param. A presença recorrente de manchas de cor que, assim como podem vir a representar elementos reconhecíveis também podem ficar amorfas, e alguns toques surreais, bem exemplificados pelos chifres das que imaginamos ser a irmã da noiva e sua filha, transportam-nos para um universo onírico, fabuloso. As histórias contadas por essas telas não estão necessariamente comprometidas com a realidade do jeito que a conhecemos, poderiam derreter-se a qualquer momento, dissolver-se em algo irreconhecível. Essa dissolução latente é a ameaça que paira, como uma morte anunciada, sobre todos os personagens das histórias de Cristina Canale. A crítica tem analisado esse embate entre a figuração e a abstração nas suas pinturas, geralmente, de um ponto de vista formal e, mais especificamente, cromático, como se tudo se reduzisse a uma questão pictórica, quase autorreferencial. Essa leitura, mesmo que indiretamente, situa esses trabalhos na linhagem pictórica modernista, que entendia o quadro como um espaço autossuficiente, em que as cores e as formas remetem apenas a si mesmas, sem nenhum desejo de reproduzir algo externo, consequentemente tendendo a enfatizar e escancarar as caraterísticas fundamentais da pintura (bidimensionalidade, matéria da tinta etc.), que em outras épocas eram vistas como obstáculos a ser superados, mimetizando-os até fazê-los desaparecer. E, de fato, as telas de Cristina Canale são abertamente “pinturas”, no sentido que não aspiram a ser confundidas com janelas abertas, por onde o espectador estaria observando o mesmo mundo que o rodeia, para recorrer à célebre metáfora de Leon Battista Alberti. Isto é, sua figuração não tem nenhuma ambição mimética.

Por outro lado, é necessário ir além de uma leitura apenas formalista: nas telas de Cristina Canale existe, colocada com a mesma clareza e mantida num estado de suspensão e indefinição análogo ao que caracteriza a luta entre abstração e figuração, um impasse da narrativa, que oscila entre a construção de histórias reconhecíveis e quase convencionais em sua aparente linearidade (um casamento, uma visita ao zoológico com a neta, uma aula de violino etc.) e o abismo de um mergulho sem volta na afasia da pura cor; entre premissas claras, principalmente no que diz respeito à maneira como as cenas e os personagens são construídos, e a interrupção abrupta das histórias que a artista, consciente e até programaticamente, escolhe não desenvolver para além dessas premissas. Se essa correspondência entre forma e conteúdo é evidentemente coerente, ela instaura também um curto-circuito crítico, no sentido de que, se, como vimos, as premissas pictóricas poderiam ser consideradas ainda inscritas na tradição modernista, a narrativa fragmentada, onírica e, em última instância, indecifrável coloca-nos em cheio no âmbito da pós-modernidade. Apesar de acadêmica, a contraposição entre os aspectos “modernistas” e “pós-modernistas” desses trabalhos tem o mérito de evidenciar a complexidade de uma obra que está longe de encerrar-se em questões formais ou técnicas. De fato, a análise do caráter truncado das histórias, e a maneira como, apesar disso, a obra de Cristina Canale não se furta a seguir contando algo, permite imaginar que o estímulo para a criação surja, para ela, exatamente do desejo de contar histórias. Dito de outra forma, cabe imaginar que as formas à beira da dissolução, o inacabado que distingue essas telas, constituam o recurso encontrado pela artista para contar suas histórias da maneira que lhe parece mais adequada (ou, de acordo com os mais fervorosos teóricos da pós-modernidade, a única maneira ainda possível). Se aceitarmos essa interpretação, eis que o estilo tão pessoal dessas pinturas deixa de ser apenas um capricho, uma solução meramente estética, para tornar-se uma escolha quase ontológica, uma declaração de poética. Os personagens que a artista nos apresenta não emergiram do magma de cor apenas para preencher as telas ou para transformar uma vocação abstracionista em figuração: pelo contrário, cada elemento representado tem uma função a cumprir, contribuindo para o equilíbrio do conjunto. O cerne dessas pinturas não deve ser buscado (ou não exclusivamente) no embate entre figuração e abstração, mas sim nas histórias que contam e, mais ainda, na maneira como elas são contadas.