Bruno Cançado

(Belo Horizonte, Brasil, 1981), vive e trabalha em Belo Horizonte, Brasil.

O trabalho de Bruno Cançado se baseia na arquitetura e como ela entrelaça a paisagem, a esfera pública, o habitar. O artista desenvolve sua prática a partir da fisicalidade das coisas, se apropriando da memória e significados inerentes aos materiais. As esculturas de Bruno Cançado muitas vezes possuem sua materialidade transfigurada pela sugestão de uma outra materialidade distinta, propondo um jogo com sentidos preestabelicidos e deslocando nossa experiência do que é familiar.

Bruno Cançado é formado em Comunicação Social pela PUC-Minas e Artes Plásticas (habilitação em desenho e escultura) pela Escola Guignard UEMG.; é mestre em fine arts pela Cornell University (Ithaca, Nova York).

Entre as exposições individuais estão: Jardim, Central Galeria (São Paulo, SP, 2017); Trinca, AM Galeria (Belo Horizonte, MG, 2016); Thin Failure, Hudson D. Walker Gallery (Provincetown, EUA, 2015); Drawing to No End, Milepost 5 (Portland, EUA, 2012).

Entre as exposições coletivas estão: Duas Naturezas, Central Galeria (São Paulo, SP, 2017); Artes Visuais em Revista, curadoria de Guilherme Bueno, Espaço Cultural BNDES (Rio de Janeiro, RJ, 2016); Afluente, curadoria de Emmanuelle Grossi, Galeria Mama/Cadela (Belo Horizonte, MG, 2015); 2014-2015 Visual Arts Fellows, Provincetown Art Association and Museum (Provincetown MA, EUA, 2015); Through the Surface of the Pages, curadoria de Júlio Martins, Universidade de Harvard (Cambridge, EUA, 2012); Partilha, Galeria Oscar Cruz (São Paulo, SP, 2012); Nova Escultura Brasileira, curadoria de Alexandre Murucci, Caixa Cultural (Rio de Janeiro, RJ, 2011); Crônicas Urbanas, Galeria Anna Maria Niemeyer (Rio de Janeiro, RJ, 2011).

Entre os prêmios, bolsas e residências que participou estão: prêmio PIPA 2017; residência Instituto Sacatar (Itaparica, BA, 2015/2016); residência Fine Arts Work Center in Provincetown MA, (Provincetown, EUA, 2014/2015); prêmio Abre Alas 11, com curadoria de Daniel Steegmann Mangrané, Livia Flores e Michelle Sommer, na Galeria A Gentil Carioca (Rio de Janeiro, RJ, 2015); Prêmio Bolsa Residência ICCo-SPArte 2014, Fundação Bienal de Cerveira (Vila Nova de Cerveira, Portugal, 2014); residência Bemis Center for Comtemporary Arts (Omaha, EUA, 2013); 37° Salão de Arte de Ribeirão Preto, seleção de Bitu Cassundé, Leda Catunda, Nilton Campos e Ricardo Resende, Museu de Arte de Ribeirão Preto (Ribeirão Preto, SP, 2012), residência I-Park Residency Program, I-Park Foundation (Connecticut, EUA, 2011).

Tem trabalhos nas coleções: Coleção Sattamini, MAC Niterói (Rio de Janeiro, RJ) e Coleção do Museu de Arte do Rio- MAR (Rio de Janeiro, RJ).

 

Veja mais no site do artista:
www.brunocancado.com

FORMAÇÃO ACADÊMICA

Bacharel em Artes Plásticas
UEMG – Escola Guignard
Concluído em novembro de 2010

Access Art and Design
Lambeth College – Londres, Reino Unido.
Agosto/2004 a Junho/2005

Bacharel em Comunicação Social 
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.
Concluído em Junho de 2003.

EXPOSIÇÕES

exposições individuais (solo shows)

2017 /jardim - central galeria - são paulo, brasil

2016 /trinca - am galeria - belo horizonte, brasil

2015 /thin failure - hudson d. walker gallery, fine arts work center - provincetown, estados unidos

 

exposições coletivas (group shows)

2019 /or high water - safe gallery - brooklyn, estados unidos

2018 /arranjo - central galeria - são paulo, brasil

2018 /big snack - signal - brooklyn, estados unidos

2017 /duas naturezas - central galeria - são paulo, brasil

2016 /artes visuais em revista - curadoria de guilherme bueno - espaço cultural bndes - rio de janeiro,brasil

2015

Afluente, curadoria de Emmanuelle Grossi. Local: Galeria Mama/Cadela, Belo Horizonte, MG.

Thin Failure; mostra individual na Hudson D. Walker Gallery, Fine Arts Work Center in Provincetown MA, EUA.

Abre Alas 11; curadoria de Daniel Steegmann Mangrané, Livia Flores and Michelle Sommer. Local: Galeria A Gentil Carioca, Rio de Janeiro, Brazil.

2014-2015 Visual Arts Fellows. Local: Provincetown Art Association and Museum, Provincetown MA, EUA.

 

2014

pela superfície das páginas, curadoria de Júlio Martins, Espaço Marcantonio Vilaça, Brasília, DF.

Papel. AM Galeria, Belo Horizonte, MG.

2012

Through the Surface of the Pages, curadoria de Júlio Martins, DRCLAS – Harvard University, Cambridge MA, EUA.

Drawing To No End. Mostra individual com curadoria de Júlio Martins, Milepost 5, Portland, OR, EUA.

37° Salão de Arte de Ribeirão Preto. Júri de seleção: Bitu Cassundé, Leda Catunda, Nilton Campos and Ricardo Resende. Museu de Arte de Ribeirão Preto, SP.

Partilha, curadoria de Benedikt Wiertz, Galeria Oscar Cruz, SP.

2011

Nova Escultura Brasileira, curadoria de Alexandre Murucci.Local: Caixa Cultural Rio de Janeiro, RJ.

Crônicas Urbanas, curadoria de Isaura Pena e Marco Túlio Rezende. Local: Galeria Anna Maria Niemeyer, Rio de Janeiro, RJ.

2010

Bienal Universitária UERJ/UEMG/UFMG/UNC/UNICAMP, Escola Guignard e UFMG, Belo Horizonte MG.

Exposição dos Premiados da XI Mostra Interna, Escola Guignard, Belo Horizonte, MG.

2009

XI Mostra Interna, Escola Guignard, Belo Horizonte – MG – artista premiado.

Universo Plural, curadoria de Sergio Vaz, Câmara Municipal de Belo Horizonte – MG.

RESIDÊNCIAS

2014 – Fine Arts Work Center in Provincetown, MA, EUA.

2014 – Fundação Bienal de Cerveira, Vila Nova de Cerveira, Portugal.

2013 – Bemis Center for Comtemporary Arts, Omaha, EUA.

2011 – I-Park Residency Program, Connecticut, EUA.

PRÊMIOS E BOLSAS

 2019 /lighthouse works - fishers island, estados unidos

2018 /master of fine arts (m.f.a.) cornell university, estados unidos

2016 /instituto sacatar - itaparica, brasil

2015 /fine arts work center - provincetown, estados unidos

2014 /fundação bienal de cerveira - vila nova de cerveira, portugal /contemplado com o prêmio bolsa residência artística icco / sparte

2014 na fundação bienal de cerveira - vila nova de cerveira, portugal

2013 /bemis center for comtemporary arts - omaha, estados unidos

2012 /selecionado pelo programa de intercâmbio e difusão cultural do ministério da cultura brasileiro para a realização da mostra drawing to no end - portland, estados unidos

2011 /i-park residency program - connecticut, estados unidos

 

TRABALHOS EM COLEÇÕES

Coleção Sattamini – MAC Niterói

Coleção do Museu de Arte do Rio – MAR, RJ

Imagem de Amostra do You Tube

 

https://www.facebook.com/amgaleriabh/

 

Imagem de Amostra do You Tube

Cadernos Mudos, Bruno Cançado, 2012, por Fábio Morais

 

Texto de Júlio Martins para a exposição Drawing to no end realizada em Portland, EUA, setembro 2012

Quando se concebeu a ideia de zero como ´espaço vazio` entre os numerais hindu-arábicos, no séc. IV AC, uma noção improvável para a filosofia grega por esbarrar em questões ontológicas, certamente não se previa o seguinte: para se desenhar o número 0 diretamente na parede são necessárias algumas horas e 10 bastões de carvão, cujo pó residual acumula- se abaixo da imagem, como uma paisagem montanhosa, garantindo ali algum dado, alguma ordem de medida possível. Há, portanto, esforço, peso e desgaste na constituição deste signo encorpado que, a partir de então, hesita em referir-se a instâncias imateriais. A sua frágil presença tende, contudo, a negar seu valor e significados simbólicos mais usuais. O trânsito habitual que leva dos objetos do mundo às expressões da linguagem tem suas prerrogativas invertidas: em “0”, Bruno Cançado assume a virtualidade das convenções que definem esta forma e esculpe diretamente na espessura palpável do signo. Nesse registro, o artista concede uma precária extensão ao signo e aborda sua condição material, o que reconfigura inteiramente suas capacidades semânticas. Forma e materialidade daquilo que pretende representar e significar o “nada” são também trabalhadas em na escultura em concreto de“0”, quando o signo conquista um volume, ganha um corpo alongado e ocupa o espaço.

Desde a interioridade do zero, um oco que o constitui, erguem-se paredes para se atravessar com o olhar, um túnel como passagem, duto cujo fim é recuado ao infinito, wormhole no meio da sala expositiva. Interessa ao artista as implicações geradas a partir de deslocamentos materiais dos signos, que os retiram de sua legibilidade normativa e os colocam na existência, no confronto com o nada, na descoberta do corpo. Por mais abstrata que seja a ideia de zero, ela adquire materialidade reconhecível e ganha consistência em nossa experiência. 

A destinação a que se remetem os desenhos expandidos de Bruno Cançado é ´no end`, que indica sua profusão e também sua contaminação. Há, implícita, uma discussão sobre os meios, já que é comum nos procedimentos do artista uma aproximação afetiva e formal entre as disciplinas do desenho e da escultura. Os trabalhos mais representativos nesse sentido são os desenhos de motivos arquitetônicos em papel branco feitos com cortes, finas extrações que criam linhas tênues, visíveis apenas devido às delicadas sombras que marcam o papel, e as intervenções realizadas com fita adesiva diretamente na arquitetura, que emulavam em linhas esquemáticas um prolongamento virtual do espaço no qual se instalavam, numa pesquisa próxima a Waltercio Caldas e Fred Sandback. Também os “Cadernos Mudos”, por exemplo, tratam do suporte e da escrita em um nível matérico, a partir de um gesto de contágio: o artista mergulha os livros em baldes de tinta e as páginas absorvem manchas em seu interior. O ato registra-se e se desenrola diretamente pela superfície do papel e ocupa o espaço da leitura com sugestivas formas orgânicas, caligrafias transbordantes. Essa consciência ampliada da materialidade, que a torna elemento significante, é muito importante na poética do artista, sobretudo nos trabalhos em que a forma eleita apresenta uma origem objetual (livro, página), que preserva seus usos e conotações usuais nas possibilidades interpretativas. Como em “Perspectiva para linhas paralelas”, o procedimento de molhar as folhas de caderno reitera certa fragilidade do suporte e o converte em espaço matérico de reações. Cada uma das 32 linhas das páginas foi animada pela fluidez da água em módulos correspondentes no conjunto total de 32 desenhos.

Assim, a trama projetiva da pauta é progressivamente borrada, desorganizando sua planaridade e fazendo surgir certa instabilidade, inflamando o espaço da expressão com uma linha-paisagem-vestígio que se imprime no papel. Trata-se mais uma vez de uma imagem que registra os procedimentos de sua fatura e evidencia, a partir de sua concretude material, “volumes de sentidos” que tocam a percepção.

 

Júlio Martins, curador

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