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26/06/2015

Regina Silveira: “Paraler” para pisar

Obra pública da artista ocupa permanentemente as calçadas ao redor da Biblioteca Municipal de São Paulo.

Comissionada pela Associação de Amigos e Patronos da Biblioteca Mario de Andrade, e patrocinada pelo Itaú e leis de incentivo do MinC, a obra Paraler se constitui de um mosaico de cerca de mil metros quadrados ao redor da Biblioteca Mario de Andrade, no centro de São Paulo. Nesse mosaico, a palavra “biblioteca” surge inscrita em múltiplos idiomas e configurada como bordado em ponto de cruz. O conjunto é formado por quase dois milhões de peças em porcelanato especialmente cortadas para o projeto. Resistente a intenso tráfego, o trabalho foi construído para se tornar uma presença perene no imaginário urbano contemporâneo. O lançamento acontece dia 1 de setembro de 2015.

“Paraler se propõe a funcionar como uma espécie de logotipo multicultural”, explica a artista. Esse caráter multiculturalista pode ser visto, aliás, como uma pertinente provocação ao mundo presente, em que as identidades nacionais parecem em embate, ao mesmo tempo em que o chamado “choque de civilizações” parece não dar conta de resumir o tema envolvido no desafio da coexistência humana. Por outro lado, há algo de iconoclasta e provocador no fato de essa proposta ser feita ao rés do chão, “arte para pisar em cima”, como disse Regina Silveira, um convite a se relacionar com esses ícones do saber que são as bibliotecas de modo desmistificado.

Um olhar amplo e engajado sobre a cultura é característica da obra de Regina Silveira. Frequentemente associada às pesquisas que envolvem as ilusões de representação e perspectiva, a artista raramente abre mão também de uma abordagem crítica e por vezes irônica de seu tempo – o que torna seu engajamento distante de qualquer panfletarismo ou posicionamento político fechado. Também há quase sempre um elemento discretamente performático em seus trabalhos, no caso de Paraler representado pela presença de agulhas, linhas e alinhavos entremeando as palavras, como se estas tivessem sido bordadas – e, assim, remetessem a práticas do fazer e da expressão populares comuns a distintas culturas.

Nascida em Porto Alegre, RS (1939) e radicada em São Paulo, Regina Silveira já realizou exposições individuais em instituições como Museo Amparo (México), Palacio de Cristal, Museo Reina Sofia (Madri), Pinacoteca do Estado de São Paulo, MAM-SP, CCBB, MASP, Queens Museum of Art (Nova York), Fundação Calouste-Gulbenkian (Lisboa), além de dezenas de outras. Sua obra integra acervos como os das instituições citadas acima e de San Diego Museum of Contemporary Art, Taipei Fine Arts Museum e MoMA, entre muitos outros.

Foto: Bruna Golberg

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