A AM Galeria tem o prazer em receber a exposição individual da artista mineira Leonora Weissmann.
Para a exposição Leonora preparou cerca de 20 trabalhos inéditos, entre pinturas, objetos, projeção de slides, cujo tema gira em torno da família e das relações afetivas mais próximas da artista.

É a realidade familiar dada pelo mundo cotidiano, vista com outro olhar, pois a realidade criada na obra abre no mundo um horizonte mais vasto, ampliado. Neste sentido, a arte é real e eficaz.

A pintura e o processo criativo, na experiência de Leonora, trazem o desconhecido, o estranho, o estrangeiro. Essa busca por algo que se desconhece é parte fundamental do processo. Aproxima-se de algo estranho que atrai justamente por ser desconhecido.

Freud, em seu texto “O Estranho” de 1919, recorrendo à etimologia do termo alemão Heimlich, argumenta que este termo comporta tanto o sentido de familiar como o de estranho – Unheimlich. O que é justamente mais familiar, pode se tornar inquietantemente mais estranho. Segundo Derrida, é um termo indecidível, que possui valor duplo, dessa forma situa-se além das oposições metafísicas, no espaço entre elas. (Derrida, J. Positions: entretiens. Paris, Ed. Minuit, 1973, p.60, nota 6).

o estranho é aquela categoria do assustador que remete ao que é conhecido, de velho, e há muito familiar" . (Freud, S., O Estranho [1919], op. cit., p.277.)
Estranho Mundo Próximo abarca trabalhos que envolvem as imagens e arquivos de familiares, amigos, objetos e ídolos, esses últimos tão próximos e tão distantes ao mesmo tempo. Também a artista e sua imagem, a intimidade como mulher, como mãe, artista e o cotidiano na arte.

Os rostos aparecem em grandes, médios e pequenos formatos. Um close cinematográfico que estabelece o recorte e aproxima quando é uma miniatura que cabe na palma da mão ou em um distanciamento quando propõe uma escala maior do que do corpo que observa de fora da pintura.

Os objetos com os quais convivemos desde sempre, que estão ao nosso redor desde a infância por exemplo, podem por isso mesmo tornar-se invisíveis. A artista percebe isso a partir do inventário de seu pai. Vários objetos povoavam seu imaginário de uma forma assustadoramente desconhecida e só foram notados quando não tinham mais um objetivo, um lugar. Fora da casa de seu pai, do contexto no qual sempre foram vistos, tornaram-se outros objetos e passaram a demarcar um passado.

O passado, o futuro e o presente, essas noções cronológicas de tempo, também são estranhos mundos próximos. O presente não pode ser compreendido porque estamos inseridos nesse presente, planejar um futuro é planejar ou pensar um tempo que sempre é totalmente desconhecido e pensar em um passado muitas vezes no qual não se reconhece é bastante comum, como quando se vê uma fotografia de família.

A morte, tema intimamente ligado aos retratos e sua história, também é um estranho mundo próximo, comum a todos.
"Dificilmente existe outra questão, no entanto, em que nossas idéias e sentimentos tenham mudado tão pouco desde os primórdios dos tempos, e na qual formas rejeitadas tenham sido tão completamente preservadas sob escasso disfarce, como a nossa relação com a morte." (Freud, S. O estranho, op. cit. p.308. )

Conjunto de trabalhos:
- Pinturas em grande e pequeno formatos.
- Caixas manuseáveis, Jardins de mão / Até onde o mundo alcança / Jardim para minha avó Anaïs.
- Pequena instalação com acervo de slides de seu pai. (Trabalho desenvolvido em parceria com o artista Marcelo Kraiser)
- Série de têmperas criadas a partir do acervo fotográfico de seu avô.

MEU AVÔ MAESTRO DELÊ
Série de têmperas (ovo) feitas a partir de acervo fotográfico do avô da artista que era músico, maestro e fotógrafo.
A montagem inclui as pinturas em pequenos formatos e fotos originais do acervo.
O acervo de fotos herdado carrega as memórias das famílias em imagens, muitas vezes é a única fonte de contato entre as gerações. Algumas vezes, apenas uma fotografia resta como imagem de memória, outras, álbuns nas mais diversas configurações.
A fotografia revela a vontade de registrar momentos e rostos, torna-los inesquecíveis, imortalizados e mais do que isso, tornar presente aqueles que se foram, corporificar.
Por vezes, se tem a sorte de ter um parente fotógrafo na família e assim, consequentemente um belo acervo de imagens que muitas vezes é o que resta da memória desses parentes.
Reviver essas imagens é entrar em contato com esse rastro deixado no tempo através dos registros de outrem. Muitas vezes não se conhece bem a origem e os por quês da imagem, suas narrativas, e há apenas o laço afetivo de reconhecimento do parentesco.
A apropriação, nova configuração e montagem dessas memórias registradas e sobreviventes contam novas histórias, são re-imaginadas.
A artista faz nesse trabalho um “retrato” de seu avô a partir dessas apropriações.

UMA COR NÃO É SÓ UMA COR é o título de uma série de pinturas work in progress. São pinturas de naturezas mortas feitas em suportes e pinturas encontradas, dessa forma, reapropriadas.
A cor aparece nas composições em reflexos, uma dentro da outra, como a sombra da manga na mesa, nos reflexos de um objeto no outro, também em resquícios de pinturas que já estavam no suporte.
Essa série aborda a pintura em si, a pesquisa constante e fiel da cor e o próprio ato de pintar (me autorretrato no reflexo das bolas de vidro registrando o momento em que as pintava). A natureza morta,
gênero clássico de pintura, é abordado e desdobrado constantemente na história da arte e na arte contemporânea. Os objetos surgem o mais próximo possível de suas formas básicas, círculos, quadrados, cones e triângulos e por isso, sua simplicidade é muito forte e a composição mais evidente.
Uma cor nunca é só uma cor, em vários sentidos. Além de significar e formar as composições, estão em constante movimento e mutação devido à luz e também devido ao reflexo de uma na outra, em contaminação mútua. Uma cor nunca está congelada no espaço, ela é mutável, uma sensação em movimento. Segundo Josef Albers em “A interação da cor”, quase nunca se vê uma cor como ela realmente é fisicamente e isso faz com que a cor seja o meio mais relativo dentre os empregados pela arte.


Trabalho realizado em dupla com um amigo de seu pai, o artista Marcelo Kraiser.
170 Slides herdados do inventário de seu pai, Manoel Serpa, artista, fotógrafo, falecido há 7 anos.

Os slides, originais, mostram paisagens de vários lugares do mundo, autorretratos e retratos, provavelmente de amigos anônimos (nenhum possui referência) e de família, todas fotografias feitas por meu pai nas décadas entre as décadas de 60 e 80.
Os slides são projetados por dois projetores (carrossel com disparador automático) em suportes suspensos, uma imagem sobre a outra. Em alguns momentos as imagens irão se sobrepor aleatoriamente.

Sobre a artista:

Leonora Weissmann [Belo Horizonte 1982, onde vive e trabalha].

Graduada em Pintura e Gravura e Mestre em Artes pela Escola de Belas Artes da UFMG.
Participou de diversas exposições coletivas e individuais no Brasil e exterior, com projetos que envolvem de maneira ampla a imagem, nas áreas das artes plásticas e gráficas, atuando principalmente com a pintura com exposições na AM Galeria de Arte [MG], Stand Solo na Feira Internacional SP Arte[SP], Galeria Horizonte [SP], Galeria de Arte da Cemig [MG], Espaço Cultural Vallourec [MG], Museu Mineiro [MG], Sesc Ribeirão Preto, Espaço Cultural BDMG [MG], IAB – Instituto dos Arquitetos do Brasil [MG], Palácio das Artes [MG], Exposição Fiat Mostra Brasil no porão da Bienal de São Paulo [SP], VII Salão do Recôncavo entre outras além de exposições na Africa, Itália e França.
Em 2015 participou da coletiva “Álbum de Família”no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, RJ, com os artistas nacionais e internacionais, tais como Adriana Varejão, Anna Bella Geiger, Candice Breitz, Charif Benhelima, Fabio Morais, Gillian Wearing, Jonathas de Andrade, Michel Journiac, Ricardo Basbaum, Rosângela Rennó, Santu Mofokeng, Tracey Rose, Victor Burgin, Zanele Muholi etc. Curadoria de Daniella Geo.
Produziu cenários para peças teatrais, shows musicais e para filmes de animação. Através do CEIA (Centro de Experimentação e Informação em Arte), participou da residência de pintura Caravane d’artistes 2 no Centre Soleil d”Afrique, em Bamako, Mali, na África. Na residência além da oficina da técnica Bogolan, participou da exposição Bogolan photo, evento paralelo ao Fórum Social Mundial – “Um mundo melhor é possível”.
Foi selecionada e premiada por projetos como o Garimpo da revista Dasartes, Fiat Mostra Brasil, Prêmio Chamex de Arte Jovem, Salão da Juventude de Ribeirão Preto e, como cantora, no Festival da Canção de Tatuí e Cantoras Daqui, promovido pelo BDMG Cultural. Atua também como cantora e letrista e atualmente Integra o Coletivo ANA de cantoras e compositoras.

A abertura da exposição será realizada no sábado, 11 de março, a partir das 11h, na AM Galeria de arte, localizada na rua do Ouro, 136, Serra, com entrada gratuita.

Para a abertura teremos a apresentação do trio de música instrumental Rafael Martini, Felipe José e Yuri Vellasco.

AM Galeria de Arte

Com 26 anos no mercado, a AM, criada por Angela Martins, representa artistas de diversas gerações e de toda parte do Brasil como Delson Uchôa, Daniel Feingold, Bruno Cançado, Cristina Canale, Ascanio MMM, Sylvia Amelia, Paula Huven, José Luiz Pederneiras, Daniel Feingold, Regina Silveira, Estela Sokol, entre outros.

SERVIÇO
Exposição: ESTRANHO MUNDO PRÓXIMO
Abertura: 11 de março das 11h às 15h
Local: AM Galeria de Arte | Rua do Ouro, 136, Serra – Belo Horizonte/MG

Funcionamento: segunda a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 13h30
Encerramento: 08 de abril
Entrada gratuita

Leonora Weissmann – Estranho mundo próximo

Leonora Weissmann

11/03/2017 a 08/04/2017