Jomar Bragança
E SE FOSSEMOS NÓS OS MODERNOS?
24 de setembro – 19 de outubro de 2016

 

A AM Galeria tem o prazer em receber a exposição “E se fossemos nós os modernos?” do artista e fotógrafo Jomar Bragança, reconhecido nacional e internacionalmente como fotógrafo de arquitetura e que desenvolve, desde meados da década de 80, um trabalho autoral que lida sobretudo com a memória dos lugares, a arquitetura abandonada e a relação do homem com a natureza.

Para a exposição Jomar apresenta um ensaio sobre a residência modernista “Dalva Simão” de 1954, projetada por Oscar Niemeyer e localizada na orla da Lagoa da Pampulha em Belo Horizonte, MG. O projeto do artista, iniciado em 2013, se desenvolve a partir do livro do antropólogo, sociólogo e filósofo francês Bruno Latour, “Jamais fomos modernos” de 1991, no qual o autor afirma que a nossa modernidade jamais passou de um projeto e que tal projeto falhou.

Encontramos na mostra fotografias da casa vazia em estado de semi abandono, à espera de que alguém a queira ocupar novamente - o que parece ser a sina da arquitetura modernista residencial brasileira, esses edifícios de rica linguagem que se tornaram templos tombados de um tempo que já não existe mais e cujos quais o homem contemporâneo não consegue e/ou não deseja mais habitar.

Detalhes da construção, ângulos, luzes, sutilezas estéticas próprias do projeto de Niemeyer são norteadores na escolha das imagens. Para a finalização das mesmas Jomar constrói “quase objetos”, que trazem em si uma tentativa de simulacro dos materiais construtivos reais próprios da arquitetura modernista. O falso concreto, o laminado de madeira, a caixa de luz em led, a esquadria de alumínio fora de contexto, o azulejo de papel impresso em escala real, o jardim tropical montado como cenário em estado de decadência e abandono. Tais escolhas traduzem seu interesse em refletir sobre o projeto modernista como ruína contemporânea.


A exposição promove uma espécie de passeio pela memória do modernismo. A obra de Jomar Bragança apresenta uma força delicada e uma simplicidade de recursos própria dos grandes fotógrafos/artistas que conseguem desmaterializar e reconstruir conceitos através de seu olhar sobre um lugar e seus possíveis novos significados.
O movimento modernista deu início a uma nova fase estética na qual ocorreu a integração de tendências que já vinham surgindo, fundamentadas na valorização da realidade nacional, abandonando as tradições que vinham sendo seguidas, tanto na literatura quanto nas artes. Apesar da grande repercussão que a arquitetura e Arte Moderna obtiveram, vale ressaltar que o Movimento Moderno não se limitou a essas duas áreas. Foi um movimento cultural global que envolvia vários aspectos, entre eles sociais, tecnológicos, econômicos e artísticos.


No Brasil, as primeiras obras Modernistas surgem quando apenas se iniciava o processo de industrialização. Segundo Lúcio Costa, o Modernismo brasileiro justifica-se como estilo, afirmando a identidade de nossa cultura e representando o “espírito da época”.


O Modernismo foi introduzido no Brasil através da atuação e influência de arquitetos estrangeiros adeptos do movimento, embora tenham sido arquitetos brasileiros, como Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, que mais tarde tornaram este estilo conhecido e aceito. Foi o arquiteto russo Gregori Warchavchik quem projetou a “Casa Modernista” (1929-1930), a primeira casa em estilo Moderno construída em São Paulo.


Os arquitetos Modernistas buscavam o racionalismo e funcionalismo em seus projetos, sendo que as obras deste estilo apresentavam como características comuns formas geométricas definidas, sem ornamentos; separação entre estrutura e vedação; uso de pilotis a fim de liberar o espaço sob o edifício; panos de vidro contínuos nas fachadas ao invés de janelas tradicionais; integração da arquitetura com o entorno pelo paisagismo.


Podemos citar uma série de artistas contemporâneos que na mesma direção de Jomar Bragança têm especial interesse na arquitetura moderna. O venezuelano Juan Araújo e suas pinturas/simulacro, os fotógrafos Luisa Lambri, Mauro Restiffe e Hiroshi Sugimoto e a americana Rachel Rose que estilhaça a Casa de Vidro de Philip Johnson na 32a Bienal de São Paulo. Assim como eles Jomar cria imagens que desmaterializam a arquitetura, uma indeterminável reprodução de um modelo moderno oferecendo seu questionamento ao público que, mediante as belas imagens que trazem em seu cerne a decadência da modernidade, nos faz entender que em certa medida o modernismo, em permanente decomposição, não terminou ainda a sua transformação. Mas o que fazer com esse legado? É essa pergunta que o artista coloca aqui.

“E se fossemos nós os modernos?”

Jomar Bragança

24/09/2016 a 19/10/2016