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A cor construída – Ricardo Homen 02/09 a 30/09

RICARDO HOMEN
A COR CONSTRUÍDA
De 02 a 30 de setembro de 2017

Ricardo apresenta a mais recente pesquisa em um recorte da série de cerca de 150 pinturas/objeto em várias dimensões, num trabalho intenso que transita entre a pintura, a escultura e o desenho. Além desses objetos, que desenvolveu intensamente nos últimos 2 anos, a exposição abriga 6 pinturas em grande formato. A exposição é uma grande imersão na cor e uma reflexão sobre a construção da cor no trabalho de Ricardo, um recurso sistemático de composição e de variações, quase que musicais, que permeiam todo o forte espectro de referências da história da arte, desde o concretismo e neo concretismo brasileiros e Latino Americano, assim como o suprematismo russo e o minimalismo norte-americano. Nesse conjunto de trabalhos Ricardo Homen sintetiza sua pesquisa pictórica em conversa constante com o desenho e com a tridimensionalidade, recursos presents de forma mais sutil nas paisagens arquitetônicas de óleos cinzas e pretos – como nas pinturas de “abismos” de manchas em nanquim aguado, trabalhos do inicio da década de 2000 já bem conhecidos do público.

Ricardo ganhou sua primeira serra elétrica para madeira quando adolescente e aqui, definitivamente, incorpora na feitura do trabalho a experiência de moldureiro. Todas as obras são construídas em madeira pela mão do artista, revestidas em papel e posteriormente pintadas. No momento da construção do objeto, das incisões, cortes, fissuras, encaixes e sobreposições o artista já pensa na cor que cada campo abrigará. Algumas influências da nossa história artística são inegáveis como a “Quebra da moldura” de 1954, “Ovo Linear” de 1958 e “Unidades” de 1959 – todos trabalhos de Lygia Clark [1920-1988]. A madeira delicadamente serrada, recortada e encaixada muitas vezes lembra um jogo sensual, de penetrações e recepções. Os campos de cor parecem corpos a receber um ao outro, a se contaminarem pela luminosidade da cor do outro, a se potencializarem na medida que se aproximam um do outro. Assim o trabalho acontece na parede da galeria: um longo e desafiador processo de montagem, aproximações e reflexões pictóricas onde cada objeto se torna parte de uma grande pintura no espaço.

Os trabalhos são estudos de forma e composição minuciosamente pensadas e dissecadas. Por muitas vezes esses objetos de dimensões e formatos tão variados sugerem imagens de objetos no cotidiano, cujas palavras e marcas foram apagadas restanto apenas a forma e a cor de fundo. Esses apagamentos remontam a caixas de fósforos, capas de livros e assim por diante.

A exposição passa por três momentos: num primeiro objetos construídos com bases de variações de cinzas e pretos que nos levam ao mergulho, na segunda sala, na cor, que se constrói exuberante nas centenas de pinturas tridimensinais que saltam à parede e que nos levam por fim ao terceiro grupo de seis pinturas em grande escala, demonstando toda a potência pictórica de sua produção.

Desde o início de sua carrreira Ricardo utiliza o papel, esse material muitas vezes utilizado como rascunho e projeto e que nas mãos do artista ganha status de matéria pulsante, aberta às inúmeras possibilidades de um trabalho executado em série. O trabalho de Ricardo se desenvolve assim, em séries, acontece de um papel ao outro. Ritmo e campos de cor, potência pictórica, corpo e jogo sensual, paisagens cromáticas, o que é desenho e o que é pintura, esse limite tênue e a inegável e desafiadora impossibilidade de descrever a cor. Como observa Lorenzo Mammi em texto para o artista, é exatamente o caráter inefável da cor que faz dela um valor central na arte e que se inicia com Ticiano no Renascimento. A partir desse momento a arte renuncia suas pretensões de objetividade matemática e a cor se torna a questão artística por excelência justamente porque, como a arte, não pode ser reduzida a conceitos factuais. Nesse sentido Ricardo é um artista que resiste com sua escolha no tempo, onde a geometria é imperfeita, a linha é traço orgânico, a reta não é reta e o círculo, a imperfeição da natureza que demonstra o embate do corpo do artista com a sua matéria artística principal: a cor.

Sobre o artista:

Ricardo Luiz Homen (Belo Horizonte MG 1961). Pintor, desenhista. Já participava de exposições coletivas quando frequentou, em 1984, o curso de artes plásticas na Escola Guignard. Apresentou suas obras em exposições coletivas em diversas cidades – São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte, Recife, Belém e Salvador. Em sua trajetória, destacam-se a participação no Panorama do Desenho Atual, em 1990, no Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM/SP, e três exposições individuais no Centro Cultural São Paulo – CCSP, em 1990, 1997 e 2003. Em Belo Horizonte, apresentou obras suas na mostra BR/80 Pintura Brasil Década 80, no Instituto Itaú Cultural, em 1991. Expôs no Museu de Arte da Pampulha – MAP, em 1990, na coletiva Poética do Acaso, e em 2004, na mostra Obra Colecionada: 1943-2003. Sua primeira mostra individual é de 1989, na Galeria Macunaíma – Funarte, Rio de Janeiro. Desde então, expõe individualmente em inúmeras ocasiões.

A exposição integra o “2º CIRCUITO 10 CONTEMPORÂNEO” LANÇADO NO DIA 2 DE SETEMBRO,
COM ABERTURA DE 10 EXPOSIÇÕES SIMULTÂNEAS, EM BELO HORIZONTE