Sylvia Amelia

Sylvia Amélia nasce em 1976, em Belo Horizonte, onde atualmente vive e trabalha. Recebe de seu pai o nome de Silvia Amélia Nogueira de Souza.
Aos 19 anos herda da mãe uma tesoura de costura com a qual executa seus primeiros trabalhos feitos de recorte em papel. No mesmo ano ingressa no curso de Educação Artística, na Escola Guignard, da Universidade do Estado de Minas Gerais, ano em que publica sua primeira História em Quadrinhos “Passeio Noturno”, uma adaptação do conto de Rubens Fonseca roteirizada pelo jornalista Pablo Pires.
Em 1994 ministra uma oficina de artes gráficas para crianças no Centro de Atendimento Comunitário São Francisco, em Belo Horizonte e inicia um percurso sólido como educadora de Arte para crianças, jovens e adultos, em comunidades rurais e urbanas, em projetos culturais, sociais e educacionais, sempre no ensino informal. Inicia também o desenvolvimento de trabalhos em artes gráficas e ilustração de livros.
Entre 1995 e 2013 lança-se em uma pesquisa experimental em Histórias em Quadrinhos e publica na revista Azougue (SP) e na Revista Graffiti 76% quadrinhos (BH) 12 histórias e assina sob diversos pseudônimos, entre eles SANS, S.A. e Silviamelia. Sua produção quadrinística destaca-se por constante variação estilística e técnica, a cada história, sempre a tensionar os limites entre as artes visuais e as artes sequenciais. A pesquisa das relações entre o texto e a imagem, uma tônica na trajetória da artista, será observada inicialmente nestas produções gráficas, além do diálogo com a literatura, em parcerias com escritoras, e na livre adaptação de textos literários e poesia para a H.Q.
Em 1997, após ter cursado um workshop de Cinema de Animação ministrado por Abi-Feijó (POR) e Raimund Krumme (ALE), trabalha como artefinalista no filme “Castelos de Vento”, de Tânia Anaya e em alguns curtas para a TV. O uso da narrativa como recurso expressivo, evidente em alguns trabalhos da artista, está desperto nestas primeiras experiências em video e cinema.
Entre 1999 a 2001 realiza um estágio como arquivista e assistente fotográfico no arquivo no Departamento de Patrimônio Histórico de Belo Horizonte e acompanha diretamente os processos de demolição e de tombamento de imóveis, no apagamento e reconstrução arquitetônica da cidade. Passa dois anos fotografando imóveis protegidos pelo patrimônio histórico local e essa experiência será marcante em sua trajetória, com destaque ao exercício da fotografia e a sensibilização quanto as questões urbanas e pela paisagem gráfica da cidade.
Por volta de 1998 inicia-se na técnica de escrever diretamente com a tesoura, sobre papel e adesivo, sem o auxílio de marcações e em 2002 participa da coletiva PALAVRA TEMPO MEMÓRIA, que irá marcar sua primeira fase interventora, no ano de conclusão da Licenciatura em Artes Visuais. Influenciada pela literatura de Maria Gabriela Llansol, cria e expõe o trabalho “Sucata do Discurso (Lixo de Escrita)”, um dispositivo de intervenção artística pensado especificamente para a Biblioteca Pública Estadual Luis de Bessa, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. A obra se utiliza de um container de entulho, carregado de letras caixa, recolhidas da paisagem gráfica da cidade para produzir uma zona de indeterminação entre a arte e a não-arte, na entrada da edificação e na Sala de Obras Raras da Biblioteca.
A partir de então, interessada em questões relativas ao espaço público, a memória urbana e as relações entre texto e imagem, Silvia Amélia inicia sua trajetória como artista visual, em paralelo a sua trajetória como professora.
O trabalho de artista visual se avoluma em 2003 no ingresso ao curso de especialização em Arte Contemporânea na Escola Guignard/UEMG e a artista realiza inúmeras ações em espaços públicos (Envie Meu Dicionário, Palavras Volantes, Cifras). Entre 2003 e 2007 fotografa a série “Inventário do Sob”, uma pesquisa arqueologia-poética sobre palavras escritas e apagadas nas calçadas do centro de Belo Horizonte, e realiza a exposição solo Cartografia do Chão, no Palácio das Artes. Coloca uma letra Y encontrada na calçada em seu nome, passando assinar Sylvia Amélia, em 2005.
Entre 2009 e 2012 compõe o grupo de professores/artistas da Oi Kabum – Escola de Arte e Tecnologia, em Belo Horizonte, desenvolvendo uma série de proposições artísticas com os jovens estudantes e criando metodologias de ensino de História da Arte e de Tecnologias.
Em 2007 é contemplada pelo prêmio do 29o Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte / Bolsa Pampulha, do Museu de Arte da Pampulha e realiza uma grande ação interventiva no entorno do Parque Municipal da cidade de BH, o Plano de Retomada.
A partir de 2010, com o advento da gravidez, a artista inicia algumas pesquisas artísticas e teóricas sobre a domesticidade, o espaço privado e o gênero, desenvolvendo o Mestrado na Escola de Belas Artes da UFMG cuja dissertação recebeu o título de “Mulheres, Arte e Domesticidade: Entre a Arte Feminista e o Dicionário do Lar”, orientado pela artista Mabe Bethônico e produz 5 obras sobre a condição feminina no pós parto e sob a égide da maternidade.
Em 2012 recebe o Prêmio Micro Projetos da FUNARTE/ MINC e coordena, juntamente com a artista Rosa Maria Unda Souki o projeto “Memória da Casa – de Dentro e de Fora”, na orientação de 18 jovens em uma residência artística, no Espaço Experimental de Arte (EXA) que culmina em duas exposições e na publicação de um catálogo das obras produzidas.
Em 2014 ingressa como professora efetiva na Universidade Federal de Minas Gerais, no Colégio de Aplicação Centro Pedagógico da Educação Básica da UFMG, e na escola leciona Artes Visuais e Audiovisuais para crianças e jovens da região metropolitana de Belo Horizonte.
Concomitante com seu trabalho docente e acadêmico, a artista Sylvia Amélia persegue o rastro das relações entre texto, imagem e contexto, indaga sobre as representações de tempo e de espaço e busca extrair de materiais e de matérias diversas, uma verdade que possa ser encontrada na escuta das coisas e do mundo.

 

Sylvia Amélia é artista visual e professora efetiva de Artes Visuais & Audiovisuais do Núcleo de Arte do Centro Pedagógico da Universidade Federal de Minas Gerais / UFMG.

FORMAÇÃO
2009 – 2011 Mestrado em Arte e Tecnologia da Imagem _ Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil. Título: Mulheres, Arte e Domesticidade: entre a Arte Feminista e o Dicionário do Lar. Orientadora: Prof. Dra. Mabe Bethônico.
LINK: http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/handle/1843/JSSS-8ZBMUW
2003 – 2004 Pós – graduação Lacto Senso Arte e Contemporaneidade – Escola Guignard – Universidade do Estado de Minas Gerais / UEMG. Título da monografia :Arte como Prática de Atuação no Espaço Público Urbano. Orientadora: Laura Belém.
1998 – Curso de Aperfeiçoamento : Memória e Cinema – Imagens de Minas. Pesquisa e seminários relativos à memória cinematográfica de Minas Gerais. Curso prático e teórico para a produção de vídeos com o acervo cinematográfico da Escola de Belas Artes – UFMG / FAPEMIG. De 18 de maio a 15 de dezembro de 1998. Carga horária: Trezentos e cinquenta (320) horas/aula.
1997 – 2001 Licenciatura plena em educação artística e habilitação em artes plásticas pela Escola Guignard – Universidade do Estado de Minas Gerais / UEMG.


INDIVIDUAIS
• Inéditos e Guardados. De 30 de maio a 30 de junho de 2012. Galeria BDMG Cultural, Belo Horizonte, Minas Gerais.
• Bolsa Pampulha 2007/2008 – Plano de Retomada, intervenção no entorno do Parque Municipal Américo Renê Giannetti – 13 de dezembro de 2008 (http://sylviamelia.wordpress.com)
• Cartografia do Chão – Palácio das Artes, Belo Horizonte, Minas Gerais. De 10 a 31 de maio de 2007. Belo Horizonte, Minas Gerais.
• III Mostra do programa de Exposições 2005, Centro Cultural São Paulo, São Paulo.


COLETIVAS
• CARTOGRAFIA IMAGINÁRIA – A Cidade e Suas escritas. Curadoria Marconi Drummond e Maurício Meirelles. De 12 de maio a 8 de julho de 2018. SESC PALLADIUM, Belo Horizonte, MG.
• WOMAN AND FICTION – Um teto todo seu. De 05 a 26 de maio de 2018. Curadoria Emmanuelle Grossi. Galeria AM. Belo Horizonte. MG.
• Quarta de Improviso – QI especial #102. Curadoria Henrique Iwao e Mathias Koole. Galeria Mama/Cadela, dia 17 de março de 2018. Belo Horizonte, MG.
• Exposição Itinerante A Vastidão dos Mapas – A Arte Contemporânea em Diálogo com Mapas da Coleção Santander. Curadoria de Agnaldo Farias. De 20 de março a 21 de maio de 2018. Palacete das Artes, Salvador.
• Exposição A Vastidão dos Mapas – A Arte Contemporânea em Diálogo com Mapas da Coleção Santander. Curadoria de Agnaldo Farias. De 31 de maio a 06 de agosto de 2017. Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, PR.
• Infinito Desejo – Ação performática com Rosa Maria Unda Souki. Zona Last, 16 de março de 2017.
• Exposição Mapas, Cartas, Guias & postulados. Curadoria de Agnaldo Farias. de 9 de maio a 30 de junho de 2016. Sala de Arte Santander – São Paulo, SP.
• Exposição Afluente. Curadoria Emmanuelle Grossi – Galeria Mama/Cadela – de 15 de dezembro a 16 de janeiro de 2016.Belo Horizonte, MG.
• Carrollsday. Memorial Minas Gerais Vale, 4 de julho de 2015 -Ação e intervenção na fachada do edifício, na Praça da Liberdade. Belo Horizonte, MG.
• Exposição Ruína e Reconstrução. Curadoria Emmanuelle Grossi – Dia 24 e 25 de outubro. Belo Horizonte, MG.
• Papel – Projeto Boletim ou Shortcuts#1. Galeria AM. De 5 a 14 de maio de 2014, Belo Horizonte, M.G.
• Fluctuantes. Intervenção no Lago dos Barcos no Parque Municipal de Belo Horizonte. 14 de setembro de 2012. Noite Branca, M.G.
• Paisagem. Galeria AM Horizonte. De 9 de maio a 8 de junho de 2012, São Paulo, S.P.
• Em Torno de Butor : Imagens e palavras. Espaço Centoequatro, Praça da Estação, 104. Belo Horizonte – MG. De 21 a 26 de outubro de 2011.
• 4 Miradas. Exposição de fotografia. Galeria Plug Minas – out /2010, Belo Horizonte, MG.
• Exposição de Verão _ Galeria Silvia Cintra _ janeiro de 2009, Rio de janeiro, RJ.
• Artes Mídia em Código Aberto – Museu Universitário de Arte, Uberlândia, M.G. Residência artística, curadoria colaborativa e exposição _ Jul/2009.
• Exposição Preparatória – Museu de Arte da Pampulha – De 8 de novembro a 26 de fevereiro de 2009. Curadoria Marconi Drummond . Belo Horizonte, MG.
• Turistas Volver – Galeria Carminha Macedo / Belo Horizonte, Minas Gerais. De 2 a 28 de junho de 2008. Curadoria Luiza Duarte.
• 5ª KAZA VAZIA – Intervenções e performances no Mercado Novo e no Parque Municipal de Belo Horizonte. 22, 23 e 24 de fevereiro de 2008.
• Cartografias do Sentido. Antropologia urbana, derivas e mecanismos de memória no hipercentro de Belo Horizonte. De 10 a 30 de março de 2006. Centro Cultural da UFMG – Belo Horizonte, MG.
• Mostra Comida de Buteco / Arte no Banheiro. Local: Café Palhares. Maio de 2006. Belo Horizonte, MG.
• Mostra ARTE NO ÔNIBUS, exibição de trabalhos de 12 artistas dentro dos ônibus urbanos. De agosto a setembro de 2005. Belo Horizonte, M.G.
• I Mostra do programa de Exposições 2005, Centro Cultural São Paulo, S.P.
• 2ª Zona de Ocupação Cultural, Centro Cultural Belo Horizonte. Ago/2003.
• Coletiva PALAVRA TEMPO MEMÓRIA na Biblioteca Pública Estadual Luis de Bessa. Nov/ 2002. Belo Horizonte, MG.


PUBLICAÇÕES (destaques)
• Artigo O Corpo entre a Arte e o Dicionário do Lar , apresentado no 13º Mundo de Mulheres & Fazendo Gênero 11: Transformações, conexões, Deslocamentos – Universidade Federal de Santa Catarina Agosto de 2017.
• Artigo Manuscorte ou um modo de extrai a palavra da imagem (no prelo) apresentado no Colóquio Internacional Escrita, Som, Imagem / VI Jornada Intermídia 2007. FALE/ UFMG.
• Revista NUVEM – Enciclopédia das artes gráficas. Curadoria Fernanda Goulard. Escola de Belas Artes/ UFMG – 2017.
• Jornal Estado de Minas – Caderno Pensar , 12 de fevereiro de 2016.
• Nosso Jornal – Folha Comunitária de Abaeté, julho/agosto de 2014.
• Cadernos Temáticos Juventude Brasileira e Ensino Médio – Capítulo: “Propostas de Rodas de Diálogo: Atividades e oficinas” em parceria com outros autores. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2014.
• Revista LEV/ Laboratório de Experiências e Vivencias e Estético-Sensoriais no âmbito da arte, da cultura e da educação – Artigo: Cartografias Cotidianas”, organizada por Benedikt Wiertz. Belo Horizonte, 2014.
• GUIA MORADOR Belo Horizonte – Capítulo PASSEIO. Belo Horizonte: Editora Piseagrama, 2013.
• Entre 1996 e 2012 produziu Histórias em Quadrinhos de autor, publicadas em 11 números da premiada revista Graffiti, 76% quadrinhos, Belo Horizonte, M.G.


PRÊMIOS
• Finalista do Prêmio Educador Nota 10 , 2016 – Fundação Victor Civita – SP.
• Prêmio Microprojetos Rio São Francisco, agosto de 2012. Edital Mais Cultura – Funarte, Ministério da Cultura, Brasil.
• 29º Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte / Projeto Bolsa Pampulha – 2007/2008 – Museu de Arte de Pampulha.
PROJETOS FINANCIADOS
• Carta-Recorte. Financiamento colaborativo pela internet via plataforma CATARSE em 26/07/2012. http://catarse.me/pt/projects/723-ineditos-e-guardados-carta-recorte
• Projeto de exposição e catálogo do Inventário do Sob aprovado na Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte – Fundo de projetos culturais de 2005 .


CURADORIAS
• Co-curadoria da Exposição Memória da Casa: de dentro e de fora, realizado em parceria com a artista Rosa Maria Unda Souki. Coordenação de laboratório artístico orientado, publicação, premiação e de exposição de 18 jovens artistas. EXA – Espaço experimental de Arte – De 19 de janeiro a 2 de fevereiro de 2013. Belo Horizonte, M.G. – Prêmio Funarte Micro Projetos do São Francisco 2012, Ministério da Cultura.
• Co-curadoria da Mostra 2012 Oi kabum BH. De 17 de julho a 10 de agosto Plug Minas, Belo Horizonte, MG.
• Co-curadoria da exposição 4 Miradas. Galeria Plug Minas – outubro de 2010, Belo Horizonte, MG.
• Co- curadoria da exposição Artes Mídia em Código Aberto, Julho de 2009 – MUnA, Uberlândia, M.G.
• Curadoria da exposição Cartografias do Sentido. Antropologia urbana, derivas e mecanismos de memória no hipercentro de Belo Horizonte. De 10 a 30 de março de 2006. Centro Cultural da UFMG – Belo Horizonte, MG.


EDUCAÇÃO (seleção de cursos ministrados)
2016 Workshop Processos de Criação entre Ler e Ver, que integrou o evento “Escrituras sem-fim: Fusões entre palavra e imagem” no SESC Palladium. De 18 e 19 de agosto de 2016, 12 hs/ aula. Belo Horizonte, MG.
2016 Orientadora de jovens do projeto Mídia Tática, para ações e intervenções na cidade de Belo Horizonte. Produção EXA – Espaço Experimental de Arte e Oficina de Imagens. De 18 de junho a 23 de julho. Belo Horizonte, MG.
2015 Cadernos Preparados – Laboratório gráfico experimental para criação de processos de edição de cadernos e livros de exemplares únicos. Ministrado com Maria Fernanda Moreira. Espaço Ystitingue, organização 4 y 25 – B.H.
2013 Laboratório de experiências e vivências estético-sensoriais no âmbito da arte e da cultura. Ministrou dois curso de Arte contemporânea intitulados “Cartografias Cotidianas” e “Massas, corpos e Pensamentos” em 4 cidades do interior de Minas: S.Pedro dos Ferros, Dionísio, Dores do Indaiá, Abaeté. 25 hs semanais – Projeto de Extensão da Escola Guignard, UEMG patrocinado pela Acelor Mital.
2009 – 2012 Ministrou disciplina de História da Arte e Tecnologia. Escola de Arte e Tecnologia Oi Kabum! – Instituto Oi Futuro / Plug in Minas / Associação Imagem Comunitária _AIC – 25 horas semanais para jovens de 16 a 25 anos.
2008 Oficina Imagem textual, texto visual – Prática e teoria na experimentação de texto e imagem – SPA das ARTES de Recife/PE. De 8 a 12 de setembro. 25 horas/curso. Público alvo: Jovens universitários dos cursos de arquitetura, designer, artes plásticas, comunicação e turismo.
2008 Oficina O jogo e a cidade – apropriação urbana e criação de jogos de tabuleiro a partir da cidade de Ouro Preto – ARTE HOJE / Fundação de Arte de Ouro preto. De 21 a 25 de janeiro. 25 horas/ curso. Público alvo: Crianças de 6 a 12 anos.
2008 Oficina de artes plásticas para crianças de 5 a 12 anos. Programa ARTE E CULTURA da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte. 2º semestre de 2007. 4hs semanais em 5 meses.
2007 Oficina Imagem/texto nas artes visuais – Rede Funarte / Ministério da Cultura / Governo Federal. Centro Cultural Adonias Filho – Público alvo: adultos artistas plásticos, atores, bailarinos e professores de Itabuna, Bahia. 20 horas/curso. De 12 a 17 de dezembro.
2007 Oficina de artes plásticas para jovens de 15 a 17 anos. Programa de Agente Jovem da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte. 2º semestre de 2007. 3hs semanais em 5 meses.


BOLSAS DE PESQUISA
2012 Estágio docência na disciplina Atelier de Desenho II e III, sob a supervisão da Professora Mabe Bethônico. Curso de graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes/UFMG. 1o Semestre. Carga horária: Sessenta (60) horas/aula.
2010 – 2011 Bolsa da CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Programa BPT (Bolsa para todos).
1999 – 2001 Estágio em fotografia e arquivo no Departamento de Memória e Patrimônio Histórico Urbano. Secretaria Municipal

INDIVIDUAIS
• Inéditos e Guardados. De 30 de maio a 30 de junho de 2012. Galeria BDMG Cultural, Belo Horizonte, Minas Gerais.
• Bolsa Pampulha 2007/2008 – Plano de Retomada, intervenção no entorno do Parque Municipal Américo Renê Giannetti – 13 de dezembro de 2008 (http://sylviamelia.wordpress.com)
• Cartografia do Chão – Palácio das Artes, Belo Horizonte, Minas Gerais. De 10 a 31 de maio de 2007. Belo Horizonte, Minas Gerais.
• III Mostra do programa de Exposições 2005, Centro Cultural São Paulo, São Paulo.


COLETIVAS
• CARTOGRAFIA IMAGINÁRIA – A Cidade e Suas escritas. Curadoria Marconi Drummond e Maurício Meirelles. De 12 de maio a 8 de julho de 2018. SESC PALLADIUM, Belo Horizonte, MG.
• WOMAN AND FICTION – Um teto todo seu. De 05 a 26 de maio de 2018. Curadoria Emmanuelle Grossi. Galeria AM. Belo Horizonte. MG.
• Quarta de Improviso – QI especial #102. Curadoria Henrique Iwao e Mathias Koole. Galeria Mama/Cadela, dia 17 de março de 2018. Belo Horizonte, MG.
• Exposição Itinerante A Vastidão dos Mapas – A Arte Contemporânea em Diálogo com Mapas da Coleção Santander. Curadoria de Agnaldo Farias. De 20 de março a 21 de maio de 2018. Palacete das Artes, Salvador.
• Exposição A Vastidão dos Mapas – A Arte Contemporânea em Diálogo com Mapas da Coleção Santander. Curadoria de Agnaldo Farias. De 31 de maio a 06 de agosto de 2017. Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, PR.
• Infinito Desejo – Ação performática com Rosa Maria Unda Souki. Zona Last, 16 de março de 2017.
• Exposição Mapas, Cartas, Guias & postulados. Curadoria de Agnaldo Farias. de 9 de maio a 30 de junho de 2016. Sala de Arte Santander – São Paulo, SP.
• Exposição Afluente. Curadoria Emmanuelle Grossi – Galeria Mama/Cadela – de 15 de dezembro a 16 de janeiro de 2016.Belo Horizonte, MG.
• Carrollsday. Memorial Minas Gerais Vale, 4 de julho de 2015 -Ação e intervenção na fachada do edifício, na Praça da Liberdade. Belo Horizonte, MG.
• Exposição Ruína e Reconstrução. Curadoria Emmanuelle Grossi – Dia 24 e 25 de outubro. Belo Horizonte, MG.
• Papel – Projeto Boletim ou Shortcuts#1. Galeria AM. De 5 a 14 de maio de 2014, Belo Horizonte, M.G.
• Fluctuantes. Intervenção no Lago dos Barcos no Parque Municipal de Belo Horizonte. 14 de setembro de 2012. Noite Branca, M.G.
• Paisagem. Galeria AM Horizonte. De 9 de maio a 8 de junho de 2012, São Paulo, S.P.
• Em Torno de Butor : Imagens e palavras. Espaço Centoequatro, Praça da Estação, 104. Belo Horizonte – MG. De 21 a 26 de outubro de 2011.
• 4 Miradas. Exposição de fotografia. Galeria Plug Minas – out /2010, Belo Horizonte, MG.
• Exposição de Verão _ Galeria Silvia Cintra _ janeiro de 2009, Rio de janeiro, RJ.
• Artes Mídia em Código Aberto – Museu Universitário de Arte, Uberlândia, M.G. Residência artística, curadoria colaborativa e exposição _ Jul/2009.
• Exposição Preparatória – Museu de Arte da Pampulha – De 8 de novembro a 26 de fevereiro de 2009. Curadoria Marconi Drummond . Belo Horizonte, MG.
• Turistas Volver – Galeria Carminha Macedo / Belo Horizonte, Minas Gerais. De 2 a 28 de junho de 2008. Curadoria Luiza Duarte.
• 5ª KAZA VAZIA – Intervenções e performances no Mercado Novo e no Parque Municipal de Belo Horizonte. 22, 23 e 24 de fevereiro de 2008.
• Cartografias do Sentido. Antropologia urbana, derivas e mecanismos de memória no hipercentro de Belo Horizonte. De 10 a 30 de março de 2006. Centro Cultural da UFMG – Belo Horizonte, MG.
• Mostra Comida de Buteco / Arte no Banheiro. Local: Café Palhares. Maio de 2006. Belo Horizonte, MG.
• Mostra ARTE NO ÔNIBUS, exibição de trabalhos de 12 artistas dentro dos ônibus urbanos. De agosto a setembro de 2005. Belo Horizonte, M.G.
• I Mostra do programa de Exposições 2005, Centro Cultural São Paulo, S.P.
• 2ª Zona de Ocupação Cultural, Centro Cultural Belo Horizonte. Ago/2003.
• Coletiva PALAVRA TEMPO MEMÓRIA na Biblioteca Pública Estadual Luis de Bessa. Nov/ 2002. Belo Horizonte, MG.

 

https://vimeo.com/191894854

 

Recortes, palavras e lugares
Sylvia Amélia

Ponto de partida e de chegada,
um lugar é inventado pela escrita.
Trajetos se sobrepõem,
o que esta entre um caminho e uma escolha,
aparece e no trupicão do passo, freio o fluxo.

Ar sinalizado na placas de pARe.

O ato do corte impõe sua irreversibilidade,
a palavra se adere aos planos e procura brechas onde possa construir espaços, mesmo que provisórios.

Onde colar: pode ser uma biblioteca. Uma calçada. Um bar. Uma fachada. Um banheiro. Um lugar de passagem.
E a obra é a soma…

Escrevo um lugar-cor. Uma quase pintura. Cortar a palavra permite inventar uma materialidade para a escrita.
Sim, as palavras podem ter um corpo
quando ocupam espaço.
O corpo do texto pode marcar trilha,
assinalar percurso.

O texto pode ser um lugar.
“ O texto não é a mais curta distância entre dois pontos”?
A linguagem abre brecha, um onde inventado
a chamar: habite-me.

E de que são feito estes lugares?
Escrever com a tesoura deixa restos que são incorporados nas obras.
A palavra recortada nasce junto com seu caco, sua sobra.
A matéria ensina olhar para o que resta.

Escavada na superficie do plano,
o corte é aquilo que sobra
para a palavra ser legível.

Do fragmento, do pedaço, da sobra, chego a um mapa.
O corte da tesoura é uma ação sem retorno.
A vida é um sem retorno,
vivo enquanto corto, corto enquanto vivo.

Do corte à vida, meu texto desenha.

Belo Horizonte, 2002-2012
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Quantas palavras cabem dentro de uma tesoura?

Na minha casa, quando eu era criança, o feijão ficava dentro da lata de feijão e o arroz dentro da lata de arroz. Para achar os mantimentos – comprados em visitas mensais ao supermercado e estocados com cuidado – existiam duas opções: a) olhar e/ou b) lembrar.  Meu conhecimento do mundo dependia desses dois verbos. Eu descobria as coisas olhando para elas, identificando a relação (arbitrária?) entre o nome da coisa e a coisa. Depois, era preciso classificar tudo aquilo por sensação, cheiro, cor, peso, personalidade, afeto ou antipatia. Na minha infância, eu acreditava que o lugar do arroz era dentro da lata de arroz.  
A primeira vez que entrei na casa de Sylvia Amélia me espantei com a (des)organização do espaço. Uma parede inteira coberta com restos de palavras, um enorme mapa colorido, feito de letras coladas e sobrepostas na superfície carcomida pelas inúmeras pinturas e pela umidade. A caligrafia como desenho, um desenho que se faz do excesso, do acúmulo e de um gesto singular e constante: recortar palavras. Uma, depois outra, depois outra e assim, infinitamente. Ela quer descobrir se todas as palavras do mundo cabem dentro de uma tesoura. Na casa dela, é possível encontrar cravos da índia dentro do pote de coentro, óleo no vidro de macarrão, açúcar no pote de sal, feijão no pote de biscoitos, pregos na caixa fósforos. E para facilitar essa lógica, ela cola em todos os seus potes e vidros palavras-etiquetas com os nomes daquilo que as coisas não são. Quem disse que conhecer o mundo é uma experiência fácil?
Sylvia Amélia aprendeu a recortar antes de escrever. Com a tesoura da mãe recortava o mundo. Ela diz que recortar é mais do que técnica, é uma forma de pensamento. Com a tesoura, ela inventa canto e plumagem para suas palavras.

Flávia Péret

em breve