Sylvia Amelia

Sylvia Amélia nasceu em Belo Horizonte onde vive e trabalha. Mestre em artes pela EBA/UFMG, 2011, graduou em Educação Artística na Escola Guignard/UEMG em 2001. Ilustradora, quadrinista, professora de arte, pesquisadora, seu trabalho se guia pela investigação de situações e contextos específicos, no uso de materiais industriais, elaborações manuais e trânsito pela intertextualidade.

Dentre as exposições mais significativas estão a individual Cartografia do Chão no Palácio das Artes (2007), projeto contemplado pelo Fundo Municipal de Cultura de Belo Horizonte (2006) e o 29º Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte – Bolsa Pampulha (2007/2008),  Museu de Arte da Pampulha.

 

Sylvia Amélia nasceu em Belo Horizonte em 1976 onde vive e trabalha.

Artista visual de trânsito entre as artes gráficas, interventivas e artes plásticas. Trabalha também como professora e atualmente é pesquisadora da  Faculdade de Educação da UFMG. A artista é representada pela Galeria AM em Belo Horizonte e AM Horizonte em São Paulo.

FORMAÇÃO

2009 – 2011        
Mestrado em Arte e Tecnologia da Imagem _ Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil. Título: Mulheres, Arte e Domesticidade: entre a Arte Feminista e o Dicionário do Lar. Orientadora: Prof. Dra. Mabe Bethônico.

2003 – 2004    
Pós – graduação Lacto Senso Arte e Contemporaneidade – Escola Guignard – Universidade do Estado de Minas Gerais / UEMG. Título da monografia :Arte como Prática de Atuação no Espaço Público Urbano. Orientadora: Laura Belém.

1997 – 2001     
Licenciatura plena em educação artística e habilitação em artes plásticas pela Escola Guignard – Universidade do Estado de Minas Gerais / UEMG.

 

PRÊMIOS

Prêmio Microprojetos Rio São Francisco, agosto de 2012. Edital Mais Cultura –  Funarte, Ministério da Cultura, Brasil.
29º Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte / Projeto Bolsa Pampulha – 2007/2008 – Museu de Arte de Pampulha.


PROJETOS FINANCIADOS

  • Carta-Recorte. Financiamento colaborativo pela internet via plataforma CATARSE em 26/07/2012. http://catarse.me/pt/projects/723-ineditos-e-guardados-carta-recorte
  • Projeto de exposição e catálogo do Inventário do Sob aprovado na Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte – Fundo de projetos culturais de 2005 .

 

EXPERIÊNCIAS CURATORIAIS

  • Exposição Memória da Casa: de dentro e de fora. Realizado junto com Rosa Maria Unda Souki. Coordenação de laboratório artístico orientado, publicação, premiação e de exposição de 18 jovens artistas. EXA – Espaço experimental de Arte – De 19 de janeiro a 2 de fevereiro de 2013. Belo Horizonte, M.G. – Prêmio Funarte Micro Projetos do São Francisco 2012, Ministério da Cultura.
  • Mostra 2012 Oi kabum BH. De 17 de julho a 10 de agosto Plug Minas, Belo Horizonte, MG.
  • 4 Miradas. Galeria Plug Minas – outubro de 2010, Belo Horizonte, MG.
  • Artes Mídia em Código Aberto, Julho de 2009 – MUnA, Uberlândia, M.G.
  • Cartografias do Sentido. Antropologia urbana, derivas e mecanismos de memória no hipercentro de Belo Horizonte. De 10 a 30 de março de 2006. Centro Cultural da UFMG – Belo Horizonte, MG.

EXPERIÊNCIAS RECENTES em EDUCAÇÃO

2009 – 2012
Curso de História da Arte e Tecnologia. Escola de Arte e Tecnologia Oi Kabum!  – Instituto Oi Futuro / Plug in Minas / Associação Imagem Comunitária _AIC – 25 horas semanais para jovens de 16 a 25 anos.

2008  
Oficina Imagem textual, texto visual – Prática e teoria na experimentação de texto e imagem – SPA das ARTES de Recife/PE.  De 8 a 12 de setembro. 25 horas/curso. Público alvo: Jovens universitários dos cursos de arquitetura, designer, artes plásticas, comunicação e turismo.

Oficina O jogo e a cidade – apropriação urbana e criação de jogos de tabuleiro a partir da cidade de Ouro Preto – ARTE HOJE / Fundação de Arte de Ouro preto. De 21 a 25 de janeiro. 25 horas/ curso. Público alvo: Crianças de 6 a 12 anos.

2007     
Oficina Imagem/texto nas artes visuais – Rede Funarte  /  Ministério da Cultura / Governo Federal. Centro Cultural Adonias Filho – Público alvo: adultos artistas plásticos, atores, bailarinos e professores de Itabuna, Bahia. 20 horas/curso. De 12 a 17 de dezembro.

Oficina de artes plásticas para crianças de 5 a 12 anos.  Programa  ARTE  E CULTURA da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte. 2º semestre de 2007. 4hs semanais em 5 meses.

Oficina de artes plásticas para jovens de 15 a 17 anos. Programa de Agente Jovem da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte. 2º semestre de 2007. 3hs semanais em 5 meses.

2006    
Arte aplicada para adultos portadores de sofrimento psíquico, através da SURICATO – Associação de Trabalho Solidário, de maio de 2005 a julho 2006 – 12 horas semanais. Belo Horizonte, Minas Gerais.

INDIVIDUAIS

  • Inéditos e Guardados. De 30 de maio a 30 de junho de 2012. Galeria BDMG Cultural, Belo Horizonte, Brasil.
  • Bolsa Pampulha 2007-2008 – Plano de Retomada – Intervenção no entorno do Parque Municipal Américo Renê Giannetti – 13de dezembro de 2008 (http://sylviamelia.wordpress.com)
  • Cartografia do Chão – Palácio das Artes, Belo Horizonte, Minas Gerais. De 10 a 31 de maio de 2007. Belo Horizonte, Minas Gerais.
  • III Mostra do programa de Exposições 2005, Centro Cultural São Paulo, São Paulo.

 COLETIVAS

  •     Fluctuantes. Intervenção no Lago dos Barcos no Parque Municipal de Belo Horizonte.  14 de setembro de 2012. Noite Branca, M.G.
  •     Paisagem. Galeria AM Horizonte. De 9 de maio a 8 de junho de 2012, São Paulo, S.P.
  •     Em Torno de Butor : Imagens e palavras. Espaço Centoequatro, Praça da Estação, 104. Belo Horizonte – MG. De 21 a 26 de outubro de 2011.
  •     4 Miradas. Exposição de fotografia. Galeria Plug Minas – out /2010, Belo Horizonte, MG.
  •     Exposição de Verão _ Galeria Silvia Cintra _ janeiro de 2009, Rio de janeiro, RJ.
  •     Artes Mídia em Código Aberto – Museu Universitário de Arte, Uberlândia, M.G. Residência artística, curadoria colaborativa e exposição _ Jul/2009.
  •     Exposição Preparatória – Museu de Arte da Pampulha – De 8 de novembro a 26 de fevereiro de 2009. Curadoria Marconi Drummond. Belo Horizonte, MG.
  •     Turistas Volver – Galeria Carminha Macedo / Belo Horizonte, Minas Gerais.  De 2 a 28 de junho de 2008. Curadoria Luiza Duarte.
  •     5ª KAZA VAZIA – Intervenções e performances no Mercado Novo e no Parque Municipal de Belo Horizonte.  22, 23 e 24 de fevereiro de 2008.
  •     Cartografias do Sentido. Antropologia urbana, derivas e mecanismos de memória no hipercentro de Belo Horizonte. De 10 a 30 de março de 2006. Centro Cultural da UFMG – Belo Horizonte, MG.
  •      Mostra Comida de Buteco / Arte no Banheiro. Local: Café Palhares. Maio de 2006. Belo Horizonte, MG.
  •     Mostra ARTE NO ÔNIBUS, exibição de trabalhos de 12 artistas dentro dos ônibus urbanos. De agosto a setembro de 2005. Belo Horizonte, M.G.
  •     I Mostra do programa de Exposições 2005, Centro Cultural São Paulo, S.P.
  •     2ª Zona de Ocupação Cultural, Centro Cultural Belo Horizonte. Ago/2003.
  •     Coletiva PALAVRA TEMPO MEMÓRIA na Biblioteca Pública Estadual Luis de Bessa. Nov/ 2002. Belo Horizonte, MG.

 

Recortes, palavras e lugares
Sylvia Amélia

Ponto de partida e de chegada,
um lugar é inventado pela escrita.
Trajetos se sobrepõem,
o que esta entre um caminho e uma escolha,
aparece e no trupicão do passo, freio o fluxo.

Ar sinalizado na placas de pARe.

O ato do corte impõe sua irreversibilidade,
a palavra se adere aos planos e procura brechas onde possa construir espaços, mesmo que provisórios.

Onde colar: pode ser uma biblioteca. Uma calçada. Um bar. Uma fachada. Um banheiro. Um lugar de passagem.
E a obra é a soma…

Escrevo um lugar-cor. Uma quase pintura. Cortar a palavra permite inventar uma materialidade para a escrita.
Sim, as palavras podem ter um corpo
quando ocupam espaço.
O corpo do texto pode marcar trilha,
assinalar percurso.

O texto pode ser um lugar.
“ O texto não é a mais curta distância entre dois pontos”?
A linguagem abre brecha, um onde inventado
a chamar: habite-me.

E de que são feito estes lugares?
Escrever com a tesoura deixa restos que são incorporados nas obras.
A palavra recortada nasce junto com seu caco, sua sobra.
A matéria ensina olhar para o que resta.

Escavada na superficie do plano,
o corte é aquilo que sobra
para a palavra ser legível.

Do fragmento, do pedaço, da sobra, chego a um mapa.
O corte da tesoura é uma ação sem retorno.
A vida é um sem retorno,
vivo enquanto corto, corto enquanto vivo.

Do corte à vida, meu texto desenha.

Belo Horizonte, 2002-2012
__________________________________

Quantas palavras cabem dentro de uma tesoura?

Na minha casa, quando eu era criança, o feijão ficava dentro da lata de feijão e o arroz dentro da lata de arroz. Para achar os mantimentos – comprados em visitas mensais ao supermercado e estocados com cuidado – existiam duas opções: a) olhar e/ou b) lembrar.  Meu conhecimento do mundo dependia desses dois verbos. Eu descobria as coisas olhando para elas, identificando a relação (arbitrária?) entre o nome da coisa e a coisa. Depois, era preciso classificar tudo aquilo por sensação, cheiro, cor, peso, personalidade, afeto ou antipatia. Na minha infância, eu acreditava que o lugar do arroz era dentro da lata de arroz.  
A primeira vez que entrei na casa de Sylvia Amélia me espantei com a (des)organização do espaço. Uma parede inteira coberta com restos de palavras, um enorme mapa colorido, feito de letras coladas e sobrepostas na superfície carcomida pelas inúmeras pinturas e pela umidade. A caligrafia como desenho, um desenho que se faz do excesso, do acúmulo e de um gesto singular e constante: recortar palavras. Uma, depois outra, depois outra e assim, infinitamente. Ela quer descobrir se todas as palavras do mundo cabem dentro de uma tesoura. Na casa dela, é possível encontrar cravos da índia dentro do pote de coentro, óleo no vidro de macarrão, açúcar no pote de sal, feijão no pote de biscoitos, pregos na caixa fósforos. E para facilitar essa lógica, ela cola em todos os seus potes e vidros palavras-etiquetas com os nomes daquilo que as coisas não são. Quem disse que conhecer o mundo é uma experiência fácil?
Sylvia Amélia aprendeu a recortar antes de escrever. Com a tesoura da mãe recortava o mundo. Ela diz que recortar é mais do que técnica, é uma forma de pensamento. Com a tesoura, ela inventa canto e plumagem para suas palavras.

Flávia Péret

em breve