João Trevisan

João Trevisan nasceu em 1986 na cidade de Brasília onde vive e trabalha. É bacharel em Direito.

Seu trabalho consiste em explorar questões relacionadas a matéria, peso, leveza, tensão, articulação e equilíbrio.

No ano de 2018 realizou a sua segunda individual com curadoria do artista Bené Fonteles na Galeria Decurators; participou da exposição Brasília Extemporânea com curadoria da Ana Avellar; participou do 43º Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional Contemporâneo; e 46º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto, em Santo André/ SP; e15º salão de artes plásticas de Ubatuba; expôs na Fundação de Arte de Ouro Preto - FAOP de Ouro Preto/ MG. Em 2017 participou do primeiro Salão/ Residência - Eixo do fora Nº 05, realizada na cidade de Olhos d'água no estado do Goiás, com exposição no MUN — Museu Nacional da República - DF, com obra adquirida para acervo da instituição. No mês de abril de 2017, realizou a sua primeira exposição individual intitulada Estrutura Gestual, na galeria XXX Arte Contemporânea, com curadoria Renato Lins. Participa desde 2014 de exposições coletivas, dentre as quais: Ondeandaaonda I (2015), II (2016) ambas realizadas no MUN – Museu nacional da Republica – DF, e Ondeandaaonda III (2018) realizada no Espaço Cultural Renato Russo na 508 SUL – DF; e INACTU 3ª ed. Espaço 406 UNB (2014).

Formação

– Bacharel em Direito

– Licenciado em Geografia

Exposições individuais 
2019
– “Corpo, Breve instante”, curadoria de Malu Serafim, Galeria Karla Osório, Brasília, DF
2018
– “Descarrilho”, curadoria de Bené Fonteles, Decurators, Brasília, DF
2017
– “Estrutura Gestual”, curadoria de Renato Lins, Galeria XXX Arte contemporânea, Brasília, DF

Exposições coletivas
2018 
– “Métrica”, curadoria de Gisele Lima, Galeria Oma, São Bernardo do Campo, SP
– “[RE]INVENÇÕES”, Elefante Centro Cultural, Brasília, DF
– “Brasília Extemporânea”, curadoria de Ana Avelar, Casa Niemeyer, Casa de Cultura da América Latina, CAL, Brasília, DF
– 15º Salão de Ubatuba de Artes Visuais, Ubatuba, SP
– “A forma é matéria”, Galeria Nello Nuno, FAOP, Ouro Preto, MG
– “A forma é sempre ideológica”, Pinacoteca da Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG
– “Acervo coletivo de artistas”, Galeria Referencia, Brasília, DF
– “Possíveis Geometrias”, Museu Nacional da República, Brasília, DF
– 43º Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional Contemporâneo – Ribeirão Preto, SP
– “Onde anda a onda III”, Espaço Cultural Renato Russo, , Brasília, DF
– 46º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto, Santo André, SP
– “A Você Mostrarei”, Elefante Centro Cultural, Brasília, DF
2017
– “Eixo do Fora”, Salão/residência, Museu Nacional da República, Brasília, DF
2016
– “Onde anda a onda II”, Museu Nacional da República, Brasília, DF
2015 
– “NOMEN”, Galeria objeto encontrado, Brasília, DF
– “Onde anda a onda de novo”, Galeria objeto encontrado, Brasília, DF
– “Onde anda a onda I”, Museu Nacional da República, Brasília, DF
– Acervo Coletivo de artistas, Galeria Objeto Encontrado, Brasília, DF
2014
– “INACTU”, 3ª Edição, Galeria 406 norte, UNB, Brasília, DF

Obras em acervo
– MUN, Museu Nacional da Republica de Brasília, DF
– MARP, Museu de Arte de Ribeirão Preto, SP

Por Bené Fonteles, 2018

João caminha na trilha férrea ao lado de sua rua. Entre dormentes de madeira desgastadas; trilhos e peças do abandono, gastas, enferrujando… A passagem do tempo deita estruturas poéticas que lhe apegam e alumbram os sentidos numa procura voraz não só estética. É mais!

Seu caderno não só de anotações visuais e textuais muito bem urdidas nos desenhos e nos conceitos, nos expõe o conhecimento da força densa da madeira e do ferro que ele recolhe em curiosas caminhadas para acolher a “tensão entre dois pontos”: equilíbrio x desequilíbrio; dobráveis x desdobráveis em infinitas disposições entre o ser do visível e do invisível.

As articulações estruturais desenhadas como o mesmo esmero do grafismo em seu desenho, nos apontam que peso, densidade e leveza, dialogam com o espaço e matéria propondo conviver com formas mutantes e com um olhar desafiador de quem atento, possa mais do que ver.
João tem intuição e erudição com mesmos pesos ligando a matéria à poesia com justeza e acuidade. Presta atenção a este corpo da matéria que sofre com o tempo e que corre não só sobre a superfície de ferro em que se recebe peso e tensão do trem que duas vezes passa ao dia para levar não só a carga alçada ao destino. Leva também o que todo menino eterno assiste lá de dentro do imaginário e que não se diz só por paixão e palavras.

Lembro que Milton Nascimento como bom mineiro, desenhou como um menino, um trem no trilho e no sol das Geraes e usa-o como símbolo de seus discos.

João de similar paixão, professa o alfabeto da memória de destinos, engates e desgastes para formatar com precisão cientifica seus consequentes desdobráveis efêmeros.
Caminhei com eles num fim de tarde por estes trilhos vizinhos e pode testemunhar seu alumbramento por estas matérias sem a qual não se faz da arte e da vida, a unidade.

Madeira e ferro, solidão e coragem, matéria e impermanência, dão forma a uma obra singular que quer e pensa a mutabilidade como o trem que se articula maleável e musical cheio de ritmos em vagões, equilibrando-se elegante, voraz e fugaz sobre trilhos, trilhas que nunca tem fim…

João já é sábio desta arte poética do infinito/finito em equilíbrio e tensão, portanto tem sabedoria da eternidade, agora!