Gustavo Maia

Gustavo Maia nasceu em 1978, em Belo Horizonte, onde vive e trabalha.

Graduado em artes plásticas pela Escola Guignard (2008). Em 2010, participou do PIESP - Programa Independente da Escola São Paulo. Idealizador e coordenador da galeria Mama/Cadela. Desde 2006, tem participado em diversas exposições coletivas e salões, como “Art 2.1” na Galeria da Cemig, “7° Salão de Arte do Sesc Amapá” (2008) e “XI Bienal do Recôncavo” (2012). Expôs individualmente no Museu Inimá de Paula (Sangradouro, 2013), Galeria BDMG Cultural (Geometria Encontrada, 2013), Museu Histórico de Santa Catarina (Multiverso, 2009), Palácio das Artes (Acúmulos, 2008).

Com projeto de pintura em parceria com o artista Manuel Carvalho, iniciado em 2009, participou de coletiva no Centro Cultural da UFMG (Atropelamentos, 2011),individuais na Galeria Carminha Macedo (Volume 1, 2011) e V&M do Brasil (Pinturas, 2012) e do "Projeto Parede" no Sesc Palladium (Spam, 2013). Em 2011, a dupla foi finalista do prêmio Itamaraty de Arte Contemporânea, categoria pintura.

 

Veja mais no site do artista: 

http://gustavomaia.com/

Formação

Piesp - Programa Independente da Escola São Paulo - 2010.
Escola Guignard - UEMG - Bacharel em Artes Plásticas - 2008.
Uni-BH - Bacharel em Publicidade e Propaganda - 2001.


Prêmios


• Finalista do “I Concurso Itamaraty de Arte Contemporânea” categoria pintura, 2011.
• Prêmio incentivo “7° Salão de Arte do Sesc Amapá” 2008.
• Prêmio “IX Mostra Interna da Guignard”. 2006.


Exposições individuais

2013 - Sangradouro, Museu Inimá de Paula. Belo Horizonte/MG.
          - Geometria Encontrada, Galeria de Arte do BDMG Cultural. Belo Horizonte/MG.

2009 - Multiverso, Museu Histórico de Santa Catarina. Florianópolis/SC.

2008 - Acúmulos, Palácio das Artes, Espaço Mari'Stella Tristão. Belo Horizonte/MG.

 

Exposições coletivas

2016 - Mostra Minas, Galeria de Arte do BDMG Cultural. Belo Horizonte/MG.

2015 - Afluente, Galeria de arte Mama/Cadela. Belo Horizonte/MG.
          - Ruína e Reconstrução, A Savassi é Nossa. Belo Horizonte/MG.
          - Não confie em ninguém com mais de 40, Viaduto das Artes. Belo Horizonte/MG.

2014 - Antimônio, Galeria de arte Mama/Cadela. Belo Horizonte/MG.
           - Horda, Gustavo Maia e João Maciel, Aliança Francesa. Belo Horizonte/MG.

2013 - Spam, (projeto parede) Sesc Palladium. Belo Horizonte/MG. (projeto em co-autoria com Manuel Carvalho)
          - Coletiva na Ahorta do Maletta. Belo Horizonte/MG.
          - Spam, Biblitoteca da FUMEC. Belo Horizonte/MG.
          - Colecta, Galeria Orlando Lemos. Nova Lima/MG.

2012 - Pinturas, Espaço cultural V & M do Brasil. Belo Horizonte/MG. (projeto em co-autoria com Manuel Carvalho)
           - XI Bienal do Recôncavo, Centro Cultural Dannemann. São Félix/BA.
           - Encontro Imprevisto, Aliança Francesa. Belo Horizonte/MG.

2011 - Atropelamentos, Centro Cultural da UFMG. Belo Horizonte/MG.
          - Volume 1, Galeria Carminha Macedo. Belo Horizonte/MG. (projeto em co-autoria com Manuel Carvalho)
          - 4 anos, Mini Galeria . Belo Horizonte/MG.

2010 - Pequeno panorama em pequenos formatos, Quina Galeria. Belo Horizonte/MG.
           - Encontros e Mestiçagens Culturais, FAOP - Fundação de arte de Ouro Preto. Ouro Preto/MG.

2009 - Bienal da Energia, Palácio das Artes. Belo Horizonte/MG.
           - SP-arte/2009, Feira Internacional de Arte de São Paulo, Pavilhão da Bienal. São Paulo/SP.
           - Coletiva na Quina Galeria de arte. Belo Horizonte/MG.

2008 - Art 2.1, Galeria da Cemig. Belo Horizonte/MG.
            - 7° Salão de Arte do Sesc Amapá, Galeria Antônio Munhoz Lopes. Macapá/AP.
            - Coletiva na Belizário Galeria de Arte. Belo Horizonte/MG.
            - Sem Título, Galeria de arte Mama/Cadela. Belo Horizonte/MG.

2007 - 7 Léguas, Galeria de arte Gesto Gráfico. Belo Horizonte/MG.
            os novenamini, Mini - espaço de arte. Belo Horizonte/MG.
           - Formandos em Pintura, Galeria da Escola Guignard. Belo Horizonte/MG.
           - Formandos em Desenho, Galeria da Escola Guignard. Belo Horizonte/MG.
           - Universid'arte, Galeria da Faculdade Estácio de Sá. Belo Horizonte/MG.

2006 - IX Mostra Interna da Guignard, Belo Horizonte/MG.
           - 5vs1, espaço Mamacadela. Belo Horizonte/MG.

2004 - 5vs1, Galeria do Centro Cultural Nasen Araújo, Sesiminas. Belo Horizonte/MG.
           - Mostra Interna da Guignard, Belo Horizonte/MG.

Pode-se tomar como ponto de partida a sua espantosa desenvoltura no manejo de técnicas digitais na criação de imagens, a um ponto em que esse cabedal torna-se, ele próprio, uma fonte orgânica de um pensamento plástico característico. Não se trata de mera transposição ou equivalência de linguagens, mas a formulação de uma linguagem em si.

As primeiras pinturas eram tributárias dessas imagens, no sentido de que os ofereciam um resultado cujo processo constitutivo não lhes pertencia integralmente.

Não será este o caso nas pinturas recentes. O processo digital contribui em muito com suas ferramentas, mas além disso, comparece como uma tematização entre outras. Esse desprendimento tornou-se possível graças a uma conscientização da autonomia pictórica e tudo o que isso implica para nós: perspectiva infinita da história, fluxo de idéias, rigor e desordem universais, etc.

[Paulo Amaral]

 

 

O belo-horizontino Gustavo Maia, de 34 anos, vem, há cerca de sete anos, expondo obras em diversos espaços. Realizou desde mostra em ateliês coletivos a exposições em galerias comerciais, passando, ainda, pelos endereços institucionais. Em todas as mostras, apresentou trabalhos cuja singularidade é transformar em prática, com linguagem clara e de grande contundência visual, o que, na teoria, é tema complexo: as relações da pintura com as novas tecnologias. E surpreendente é como o artista consegue que o pictórico se mantenha tão íntegro com meios tão alheios (computadores e afins) aos modos convencionais de alcançar tal objetivo (tintas e pincéis especialmente). Vale recordar que o autor já fez o mesmo com o desenho, mas computador e gráfica têm tudo a ver.

Gustavo Maia, no momento, está apresentando extenso conjunto de obras no Museu Inimá de Paula, em exposição que leva o nome de 'Sangradouro'. O título vem de trabalhos recentes em que confronta, brutalmente, geometria e manchas. Outra série, 'Spam', traz imagens construídas com apropriação de imagens da internet vindas “de fontes distintas e pouco nobres”. São “paisagens da cultura digital”, segundo o artista. Desconcertante é o conjunto 'Geométricos': abstrações criadas a partir de gabaritos de arquitetura, diagramas de placas e teclados de computador, esquemas gráficos (como os de palavras cruzadas ou da tela do YouTube). Em exposição também sequência inteira de trabalhos realizados a quatro mãos com Manuel Carvalho.

Não se trata apenas de motivos excêntricos ao repertório da pintura, mas também de obras realizadas com práticas experimentais: desde gravações com impressoras caseiras até uso de máscaras (recortes de papel) e também pelo uso de tintas e pincéis. As peças de 'Sangradouro', por exemplo, foram realizadas criando estruturas geométricas em “relevo”, barrando ou dirigindo tinta escorrida sobre a superfície. “É encontro de tradição de pintura mais racional com outras que trabalham com processos mais casuais”, conta Gustavo. 'Geométricos', continua, volta-se para transposição para telas de “estruturas encontradas e não inventadas”. A visualidade despojada é desejo de “síntese, concentração, condensação”. Massas de tintas, explica, são para evidenciar a fatura e a matéria.

Reticente em teorizar a própria obra, Gustavo Maia não se nega a indicar aspectos de suas pesquisas. Interessa-se por “lugares ambíguos, intermediários, entre abstração e figuração”. Deixa visível, nas obras, os processos usados para realizá-las. “Pintura procura uma relação presencial com o espectador. É ao vivo que dá a noção de dimensão, especificidade”, defende. Todas as técnicas que utiliza foram criadas por ele, e ele se vale delas de acordo com o projeto a ser realizado. Adora a geometria, “desde criança ficava intrigado com as abstrações”. Aceita que há, na linguagem dele, “uma semente” pop, e gosta que as imagens carreguem algum humor. “É trabalho que tem um viés conceitual à medida que questiona a pintura, os temas dela e as formas de realizá-la”, observa.

O uso do computador como ferramenta, explica, remete aos tempos do curso de publicidade. Aos poucos, conta Gustavo, procurou aproveitar o equipamento para criação de arte e, gradativamente, para a pintura. Anda procurando romper com a excessiva planaridade e lisura da imagem digital. Em momento que faz exposição“aparentemente sem estilo”, Gustavo Maia fala com admiração pelo pintor alemão Gehard Richter. O motivo: transitar, indistintamente, entre várias proposições,da abstração ao hiperrealismo, sem perder a qualidade. Sobre Manuel Carvalho, com quem divide obras, conta que é colega de conversas sobre a pintura, dúvidas e inquietações artísticas.

[Walter Sebastião - EM Cultura ]