Franz Weissmann

Franz Josef Weissmann nasceu em 15 de setembro de 1911 em Knittefeld, Áustria. Mudou-se com a família para o Brasil em 1921 e viveu até 1927 no interior de São Paulo. Viveu na capital paulista de 1927 a 1929 e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estudou, a partir de 1939, na Escola Nacional de Belas Artes, sem, no entanto, ter concluído o curso. De 1942 a 1944 estudou desenho e escultura com August Zamoyski. Em 1944, mudou-se para Belo Horizonte, onde lecionou, junto com Guignard, na primeira Escola de Arte Moderna da cidade, idealizada pelo então prefeito Juscelino Kubitschek. Em 1946 realiza 1ª exposição individual na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro. Em 1951 inicia suas primeiras experiências construtivas no campo da escultura, trabalhando com bronze, cimento, argila e fios de aço, e explora a forma do cubo no espaço vazio. Essas pesquisas culminam na obra Cubo Vazado, de 1951, recusado na I Bienal de São Paulo. Em 1952 inicia experiências com arte concreta, trabalhando o Cubo Aberto e os Blocos Modulares, propostas abertas à participação do observador. Ainda em 1953 faz uma nova versão do Cubo Vazado e participa da II Bienal de São Paulo. Em 1955, participa da III Bienal de São Paulo, onde recebe o 2º Prêmio de Escultura com uma série de obras de fios de aço, batizadas por Mário Pedrosa de “desenhos no espaço”. Integra o Grupo Frente, ao lado dos principais nomes da vanguarda concretista no Rio de Janeiro: Abraham Palatnik, Aluísio Carvão, Décio Vieira, Ferreira Gullar, Hélio Oiticica, Ivan Serpa, João José Costa, Lygia Clark e Lygia Pape. Em Belo Horizonte, onde ensina até 1956, ajudou a formar uma geração de artistas, entre eles Amílcar de Castro, Mary Vieira, Farnese de Andrade, Maria Helena Andrés, Sara Ávila, Mário Silésio, entre outros. Retorna ao Rio de Janeiro e seus trabalhos integram as 3ª e a 4ª exposições do Grupo Frente e a 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta, no MAM de São Paulo e no MAM do Rio. Ao preparar sua mudança para o Rio de Janeiro, vê seu ateliê na Escola Guignard ser ocupado pela policia, que destrói todos os seus estudos, projetos e trabalhos. Em 1957 participa da IV Bienal de São Paulo. Em 1958, recebeu o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro no VII Salão Nacional de Arte Moderna e viajou para a Europa e Oriente. Antes de partir, assinou o Manifesto Neoconcreto. Em 1959 participa da 1ª Exposição de Arte Neoconcreta, no MAM do Rio de Janeiro, e parte com a família em viagem para a Europa. Nesse período realizou duas exposições individuais na Espanha (1962 e 1964) onde mostra os desenhos e os Amassados. Em 1965 ,volta ao Rio de Janeiro e tem sala especial na VIII Bienal de São Paulo onde mostra os “Amassados” produzidos enquanto estava na Europa. Em 1966, já no Brasil, dedica-se a experimentações com peças modulares a partir de perfis metálicos industriais. Participa, em 1967, da IX Bienal de São Paulo com a Arapuca e apresenta os primeiros Módulos Mutáveis usando perfis metálicos industriais coloridos, abertos à participação do público. Introduz aqui sua pesquisa com a cor na construção espacial e as possibilidades óticas e participativas da escultura. Em 1969 integra o grupo que se recusa a participar da X Bienal de São Paulo em solidariedade ao boicote internacional contra a ditadura, a censura e a violência no Brasil. Em 1970 participa do evento “Do Corpo à Terra” durante a semana de vanguarda coordenada por Frederico Morais em Belo Horizonte.  Em 1971, participa da XI Bienal de Escultura ao Ar Livre de Antuérpia [Bélgica] e, em 1972, da Bienal de Veneza com duas salas especiais onde mostra os Módulos Monumentais e Labirintos Lineares. Realiza a primeira mostra retrospectiva em 1981, no IAB do Rio de Janeiro. Recebe em 1993 o Prêmio Nacional de Arte do Ministério da Cultura pela importância e contribuição de sua obra à arte brasileira. Realizou uma série de importantes exposições no Brasil e instalou um enorme número de esculturas em espaços públicos das principais cidades brasileiras. Morreu no Rio de Janeiro em 18 de julho de 2005, aos 94 anos.

 

1911
Nasce em Knittefeld, Áustria.

1921
Chega ao Brasil com a família, fixando-se no interior de São Paulo.

1927
Transfere-se para São Paulo, capital.

1929
Muda-se com a família para o Rio de Janeiro.
Freqüenta o curso preparatório para a Escola Politécnica e trabalha com sue irmão Fritz, na fabrica de carrocerias de ônibus fundada por seu pai.

1933
Inicia suas primeiras visitas a Belo Horizonte.

1937
Monta seu primeiro ateliê em Belo Horizonte. Neste período recebe varias encomendas para executar bustos e mausoléus de personalidades públicas.

1939
Ingressa na Escola Nacional de Belas Artes, onde estuda Arquitetura e Pintura, permanece até 1941.
Buscando um pensamento menos acadêmico do que o encontrado na Escola Nacional, passa a estudar desenho e escultura em pedra com August Zamoysk.

1944
É convidado por Guignard, para participar da constituição da primeira escola de arte moderna da cidade, idealizada por Juscelino Kubitschek, então prefeito da capital mineira.
Permanece em Belo Horizonte até 1956, formando na cidade toda uma geração de artistas, à qual pertencem, entre outros, Amilcar de Castro, Farnese de Andrade e Mary Vieira.
Nesta época desenvolve uma série de desenhos e modelagens figurativas.

1946
Faz sua primeira individual no Diretório dos Estudantes da Escola Nacional de Belas-Artes. Com 330 aquarelas e desenhos a exposição é comentada por Mário Pedrosa.

1947
Casa-se com Neuza Bezerra com quem tem dois filhos, Waltraud e Manfrid.

1949
Recebe, no Rio de Janeiro, o primeiro prêmio de desenho no Salão Nacional de Arte Moderna.
Faz suas primeiras esculturas geométricas.

1950
Ainda em Belo Horizonte, inicia suas primeiras experiências construtivas no campo da escultura, trabalhando com bronze, argila e fios de aço explorando a forma do cubo no espaço vazio.

1951
Recebe o Prêmio Matarazzo de Escultura no Salão de Arte Moderna, no Rio de Janeiro.
Participa da 1ª Bienal Internacional de São Paulo.
Conquista o 1° lugar no concurso de Monumento ao Pracinha, promovido pela Prefeitura de Belo Horizonte.

1952
Medalha de Prata na Seção de Escultura do I Salão de Arte Moderna do Ministério da Educação e Saúde, Rio de Janeiro.

1953
Participa da 2ª Bienal de São Paulo.

1954
Recebe o 1° Prêmio de Escultura no Salão Paulista de Arte Moderna.
Elabora e realiza o “Monumento à Liberdade de Expressão do Pensamento” na Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro, por encomenda da Associação das Emissoras de São Paulo e Associação Brasileira de Imprensa (demolido em 1962 em virtude das “reformas urbanísticas” ocorridas na área onde se encontrava).

1955
Na 3ª Bienal Internacional de São Paulo, recebe o 2° Prêmio de Escultura. Apresenta uma série de esculturas lineares realizadas com fios de aço. Obtém o 1o Prêmio de Escultura no IV Salão Paulista de Arte Moderna. Participa da 2a exposição do Grupo Frente no MAM do Rio de Janeiro.

1956
Participa da 3a e 4a exposições do Grupo Frente. Participa da 1a Exposição Nacional de Arte Concreta no MAM de São Paulo e no MAM do Rio de Janeiro. Recebe o Prêmio Leirner de Ate Contemporânea.

1957
Transfere-se definitivamente para o Rio de Janeiro com a família.
Organiza seu ateliê na CIFERAL (fábrica de carroceria de ônibus de propriedade de seu irmão Fritz).
É premiado como “Melhor Escultor Nacional” na 4ª Bienal de São Paulo.

1958
Recebe no VII Salão Nacional de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro.

1959
Assina junto com Amilcar de Castro, Ferreira Gullar, Lygia Clark, Lygia Pape, Reynaldo Jardim e Theon Spanudis, o Manifesto Neoconcreto.
Parte em viagem para a Europa com a família . Viaja pela Espanha, França, Itália, Áustria, Alemanha, Bélgica Holanda e Suíça.
Participa da Konkrete Kunst, Remontagem da Exposição Internacional de Arte Concreta organizada por Max Bill.
No final deste mesmo ano, volta com a família para o Brasil.

1960
Viaja para o Oriente, visitando o Japão e Índia. Retorna diretamente para a Europa. Reside uma temporada em Paris, faz algumas viagens a Roma e permanece um longo período em Irun (Espanha) na casa do escultor Jorge Oteiza.

1962
Fixa residência na Casa do Brasil em Madri, montando um pequeno ateliê.
Realiza exposição na Galeria São Jorge em Madri.

1963
Realiza mostra individual na Casa do Brasil, em Roma.
Exposição na Sala Nebli, em Madri. Exposição coletiva na Galeria Edurne, em Madri.

1964
Convidado a participar da 32ª Bienal de Veneza, retira suas obras antes da inauguração da mostra por discordar da organização das salas brasileiras no evento.

1965
Retorna ao Rio de Janeiro e tem sala especial na 8ª Bienal de São Paulo.
Expõe na Petite Galerie no Rio de Janeiro e na Galeria Grupiara em Belo Horizonte.
Integra a coletiva7 Artistas de Paris na Galeria Oca no Rio de Janeiro.

1967
Participa da IX Bienal Internacional de São Paulo.

1969
Integra o grupo de artistas que se recusa a participar da X Bienal Internacional de São Paulo, em solidariedade ao boicote internacional que protestava contra a ditadura no Brasil.

1970
Participa da exposição coletiva Objeto e Participação em Belo Horizonte.

1971
Expõe na Galeria Grupo B no Rio de Janeiro e integra a coletiva 50 Anos de Arte Brasileira no MAM do Rio.
Participa da 11ª Bienal de Escultura ao Ar livre em Antuérpia, Bélgica.

1972
Comparece com duas salas especiais além de esculturas de grande porte nos jardins da 36ª Bienal de Veneza.
Participa das mostras coletivas 10o Resumo de Arte JB no MAM do Rio de Janeiro, e Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria Collection em São Paulo.

1973
Integra a coletiva Guignard - Weissmann, na Galeria Arte Livro em Belo Horizonte.
Recebe o Prêmio de Aquisição de Escultura no V Salão de Arte Moderna de Belo Horizonte.

1975
Recebe o Prêmio de Escultura do Panorama de Arte Atual Brasileira no MAM de São Paulo.
É agraciado pela Associação Paulista de Críticos de Artes com o Prêmio de melhor escultor do ano.
Exposição individual Franz Weissmann / Esculturas / Relevos / Múltiplos, na Galeria Arte Global em São Paulo.

1976
Exposição Arte Brasileira Século XX – Caminhos e tendências.

1977
Participa do “Projeto Construtivo Brasileiro na Arte na Pinacoteca do Estado de São Paulo e MAM do Rio de Janeiro”.

1979
É homenageado pelo jornal O Globo, que lhe concede o titulo de “Carioca Honorário”, pela “humanização da paisagem trazida por suas esculturas a locais públicos do Rio”.
Participa da coletiva de inauguração da Galeria Aktuell no Rio de Janeiro.

1980
Participa da exposição coletiva que inaugura o Gabinete de Arte Raquel Arnaud em São Paulo.
Integra a coletiva 13 Artistas / 13 Obras, na Thomas Cohn Arte Contemporânea no Rio de Janeiro.
Participa da Homenagem a Mário Pedrosa na Galeria Jean Boghici no Rio de Janeiro.
Realiza individual na Galeria Aktuell no Rio de Janeiro.

1981
Realiza a primeira mostra retrospectiva no Instituto de Arquitetos do Brasil, no Rio de Janeiro.
Participa das coletivas: Nine Sculptors from Brazil, na Art Gallery of the Brazilian American Cultural Institute, em Washington D.C. nos EUA ; Esculturas ao Ar Livre, no Guarujá (SP); Fitas na Skultura Galeria de Arte em São Paulo; Panorama Atual da Arte Brasileira (Esculturas) no MAM de São Paulo.

1982
Coletivas: Um Século de Esculturas no Brasil no MASP; Contemporaneidade no MAM/ Rio de Janeiro; exposição no Gabinete de Arte Raquel Babenco em São Paulo.

1983
Coletivas: Acervo Sul América: Modernismo e Novas Vertentes na sede da Sul América Seguros no Rio de Janeiro; Imaginar o Presente no Gabinete de Arte Raquel Arnaud Babenco em São Paulo; Quatro Escultores / Pintores e Quatro Pintores / Escultores na Galeria Aktuell no Rio de Janeiro.

1984
Expõe em mostra individual na galeria Paulo Klabin, no Rio de Janeiro e participa da coletiva “Tradição e Ruptura” na Fundação Bienal de São Paulo.
Participa das retrospectivas dos movimentos Neoconcretismo / 1959-1961 e Grupo Frente / 1954-1956 na Galeria do BANERJ no Rio de Janeiro.
Participa na XI Bienal Internacional de Esculturas ao Ar Livre de Middelheim na Bélgica.
Participa como convidado especial do VII Salão Nacional de Artes Plásticas no MAM/RJ.

1985
Realiza mostra individual no Gabinete de Arte RaquelArnaud; na Thomas Cohn Arte Contemporânea,e tem sala especial no Panorama de Arte Atual Brasileira no MAM. Todas em São Paulo.
Participa de varias coletivas: Uma Questão de Ordem na Galeria de Arte da Universidade Federal Fluminense (Niterói); Vertente Construtiva itinerante no MAP/Belo Horizonte, no MAC/São Paulo, no Museu Guido Viaro / Curitiba, e no Museu de Arte do Rio Grande do Sul/Porto Alegre. Encontros, homenageando a pintora Maria Leontina na Petit Galerie / Rio de Janeiro. Coletiva de inauguração da Galeria Paulo Klabin / Rio de Janeiro.

1986
Participa das coletivas: JK e os Anos 50 – Uma Visão da Cultura e do Cotidiano na Galeria Investiarte, e Arte Contemporânea Brasileira, na Petite Galerie, ambas no Rio de Janeiro.

1987
Convidado integrar o Arquivo de Notoriedade do Centro de Pesquisa e Documentação da Arte Latino-Americana doThe Art Institute of Chicago.
Exposições individuais: Investiarte / Rio de Janeiro; Gabinete de Arte Raquel Arnaud/São Paulo; Gesto Gráfico / Belo Horizonte; Tina Presser / Porto Alegre; Usina Arte Contemporânea / Vitória; Arte Galeria/Fortaleza.
Coletivas: Abstração Geométrica I – Concretismo e Neoconcretismo / Projeto Arte Brasileira, na FUNARTE / Rio de Janeiro; Fundação Armando Alves Penteado (FAAP)/São Paulo; Abstracionismo Geométrico e Informal. Aspectos da Vanguarda Brasileira dos Anos 50-FUNARTE/Rio de Janeiro. Integra a Sala Especial organizada por Sheila Leiner: Em Busca da Essência-Elementos de Redução na Arte Brasileira, na XIX Bienal Internacional de São Paulo; Entre Dois Séculos – Arte Brasileira do Século XX na Coleção Gilberto Chateaubriand no MAM/Rio de Janeiro; Modernidade – Arte Brasileira do Século XX – Projeto França Brasil no Museu de Arte Moderna de Paris e no MAM/São Paulo.

1988
Participa do Trocante, coletiva do II Encontro Nacional de Artes Plásticas no Museu Histórico do Exercito no Forte Copacabana/Rio de Janeiro.

1989
Instala a escultura pública “Grande Flor Tropical” na Praça Cívica do Memorial da América Latina / São Paulo.
Coletiva: Caminhos - Tudo Matéria de Arte no Rio DesignCenter; Olhar para o Futuro na Galeria H. Stern; Pequenas Grandezas dos Anos 50 no Cleyde Wanderley Gabinete de Arte; Viva França na GB Arte; Rio / Hoje no MAM, todas no Rio de Janeiro.

1990
Coletiva: Coerência e Transformação no Gabinete de Arte Raquel Arnaud / São Paulo; no Gesto Gráfico Galeria de Arte/Belo Horizonte; Arte como Vanguarda no Rio DesignCenter / Rio de Janeiro.

1991
Coletivas: “Experiência Neoconcreta” no MAM / Rio de Janeiro; Museu de Arte de Curitiba; Construtivismo - Arte Cartaz no MAC-USP / São Paulo; Mário Pedrosa - Arte, Revolução, Reflexão no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) / Rio de Janeiro.

1992
Instala a escultura pública “Portal” no Centro Empresarial Itaú/São Paulo.
Coletiva: Escultura 92-7 Expressões no RB1 Arte Contemporânea / Rio de Janeiro; 10 Anos na Galeria de Arte UFF / Niterói; A Caminho de Niterói, mostra da coleção João Sattamini no Paço Imperial / Rio de Janeiro; Brazilian Contemporary Art Image Distribution Project NA Galeria da Escola de Artes Visuais do Parque Lage / Rio de Janeiro.

1993
Recebe, no Rio de Janeiro, do Ministério da Cultura, através da Funarte, o Prêmio Nacional de Arte por ocasião do XIII Salão Nacional de Artes Plásticas.
Participa do Brasil 100 Anos de Arte Moderna, mostra da Coleção de Arte Brasileira de Sérgio Fadel no Museu Nacional de Belas Artes / Rio de Janeiro.

1994
Apresenta a série “Mondrianas” em homenagem a Piet Mondrian no Gabinete de Arte Raquel Arnaud / São Paulo. É homenageado na Galeria AM Esculturas/Belo Horizonte com a mostra Franz Weissmann - Uma Construção no Tempo. Ainda em Belo Horizonte realiza a exposição de7 Esculturas Monumentais na Alameda Central da Praça da Liberdade. Individual em Ouro Preto / MG no Museu da Inconfidência. Coletiva: Singular/plural na Galeria de Arte da UFF/Niterói-RJ; 40 Anos de Desenhos no MAP, e Cor e Luz no Espaço Cultural da CEMIG / Belo Horizonte; Grupo Frente-40 Anos na Galeria do Instituto Brasil - Estados Unidos / Rio de Janeiro; As Abstrações na Bienal Século XX na Fundação Bienal de São Paulo.
Recebe a Sala Especial referente ao Prêmio Nacional de Arte de 1993 no XIV Salão Nacional de Artes Plásticas na FUNARTE / Rio de Janeiro.

1995
Individual no Museu de Ribeirão Preto/São Paulo.
Coletiva: Do Branco ao Preto na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) / São Paulo; Papel do Brasil-Arte Contemporânea no Palácio dos Trabalhadores na Praça Celestial da Cidade Proibida / Pequim (China)Recebe o Prêmio Artista do Ano promovido pelo Resumo Hoje / Jornal Hoje em Dia, na Sala Especial do Museu Mineiro / Belo Horizonte.

1996
Individual: Franz Weissmann / Desenhos e Esculturas no Espaço Cultural Jayme de Andrade Peconick / Contagem (MG).
Doa uma escultura, “Sem Titulo” (1992), para a Coleção de Arte Latino-Americana do Departamento de Historia e Teoria da Arte da Universidade de Essex / Inglaterra.
Coletiva: I Exposição Internacional de Esculturas ao Ar Livre no SESC Campestre / Porto Alegre; Tendências Construtivas no Acervo do MAC / USP no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB)/Rio de Janeiro; Quatro Mestres Escultores Brasileiros Contemporâneos no Palácio do Itamaraty/Brasília por ocasião do V Fórum Brasília de Artes Visuais; Exposição Inaugural do Museu de Arte Contemporânea/ Niterói (RJ); Arte Aplicada na Praça na Praça Almirante Rocha Azevedo/São Paulo; Petite Galeria- Uma Visão da Arte Brasileira(1954-1988) no Paço Imperial/Rio de Janeiro. Integra na Casa das Rosas/São Paulo, a exposição retrospectiva e comemorativa dos 40 anos da I Exposição Nacional de Arte Concreta realizada no MAM/SP em 1956. Participa da mostra Consolidação da Modernidade em Belo Horizonte no Museu de Arte da Pampulha/Belo Horizonte.

1997
Recebe o Prêmio Johnnie Walker de Artes Plásticas.
Coletiva: Poetas do Espaço e da Cor em homenagem a Alfredo Volpi no MASP/São Paulo, no MAM/Rio de Janeiro e no Museu de Arte de Brasília; Escultura Brasileira: Perfil de uma Identidade no Espaço Cultural Safra / São Paulo e na Galeria do Centro Cultural Interamericano de Desenvolvimento (BIRD), em Washigton D.C. nos Estados Unidos da América. Participa do módulo Vertente Construtiva da I Bienal de Artes Visuais do Mercosul na Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul / Porto Alegre.
Participa dos eventos que integram o Encontro de Cultura Brasileira, promovido pelo MINC e o Itaú Cultural: Diversidade da Escultura Contemporânea Brasileira; Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, coletiva no Instituto Cultural Itaú / São Paulo, e a inauguração do Setor Tridimensionalidade do Banco de Dados Itaú Cultural.

1998
Realiza a mostra Franz Weissmann - Uma Retrospectiva no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, exposição itinerante no MAM/São Paulo em 1999.

1999
Coletiva: Arte Construtiva Brasileira da Coleção Adolpho Leiner, realizada no MAM/São Paulo e no MAM/Rio de Janeiro.

2000
Exposição individual: Franz Weissmann na Galeria Anna Maria Niemeyer / Rio de Janeiro.
Integra o módulo Modernismo da Mostra do Redescobrimento: Brasil+ 500anos, na Fundação Bienal de São Paulo.
Coletiva: Leituras Construtivas no Gabinete de Arte Raquel Arnaud/São Paulo; Quando o Brasil era Moderno: 1905-1955 no Paço Imperial do Rio de Janeiro; Modernismo em Minas na Galeria do Itaú Cultural/Belo Horizonte.

2001
Exposição individual: Weissmann na Casa França Brasil/Rio de Janeiro.
Participa da Century City: Art and Culture in the Twentieth Century Metropolis na Tate Modern Gallery / Londres. Coletiva: Lúcio Fontana: a Ótica do Individual no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) / Rio de Janeiro; Obra Nova, mostra que acompanha a reinauguração da sede do MAC/USP - São Paulo; Anos 70: Trajetórias, que abrange a mostra Do Corpo à Terra: um Marco Radical na Arte Brasileira na Galeria do Instituto Cultural Itaú/Belo Horizonte. Caminhos da forma - Tridimensionais da coleção MAC-SP.

2002
Coletiva: A Linha como Estrutura da Forma no Espaço MAM / Villa Lobos/São Paulo; Os Geométricos e Cinéticos no Gabinete Raquel Arnaud/São Paulo; Caminhos do Contemporâneo: 1952-2002 no Paço Imperial / Rio de Janeiro; Colección Patrícia Phelps de Cisneros no MAM / Rio de Janeiro; Arte Pará: Modernistas, Poéticas da Forma e da Cor na Fundação Rômulo Maiorana / Belém do Pará; JK o Estadista da Modernidade no Palácio das Artes / Belo Horizonte. Integra o Ateliê FINEP/2002 no Paço Imperial do Rio de Janeiro.

2003
Exposição individual:"No fio do espaço" na Galeria Anna Maria Niemeyer / Rio de Janeiro.
Coletivas: Cuasi-corpus. Arte concreto y Neoconcreto de Brasil - Museo Tamayo Arte Contemporáneo y Museo de Arte Contemporáneo de Monterrey. Imagem e Identidade: um olhar sobre a história (acervo MNBA) Instituto Cultural Banco Santos-SP. Grande Orlândia – Artistas Abaixo da Linha Vermelha-RJ.

2004
Exposição coletiva: A Poética da Forma - Museu Oscar Niemeyer, Curitiba.

2005
Exposição coletiva: A Poética da Forma - Museu Arte Contemporânea, Niterói.
Falece em sua residência no Rio de Janeiro, dia 18 de julho.

Exposições Individuais

1962
Madri, Espanha - Galeria São Jorge

1963
Roma, Itália - Casa do Brasil

1964
Madri, Espanha - 'Weissmann: chapas/dibujos' - Sala Nebli

1972
Rio de Janeiro - Galeria Grupo B

1975
São Paulo - 'Franz Weissmann: esculturas, relevos e múltiplos' - Galeria de Arte Global
Rio de Janeiro - Petite Galerie

1981
São Paulo - 'A Mecânica do Lirismo' - Skultura Galeria de Arte 
Rio de Janeiro - 'Franz Weissmann' - Galeria IAB/RJ 
Rio de Janeiro - Galerie Aktuell

1984
Rio de Janeiro - 'A Mecânica do Lirismo' - Galeria Paulo Klabin

1985
Rio de Janeiro - 'Franz Weissmann: esculturas recentes' - Galeria Thomas Cohn
São Paulo - Gabinete de Arte Raquel Arnaud

1987
Belo Horizonte - 'Franz Weissmann' - Gesto Gráfico
São Paulo - 'Franz Weissmann' - Gabinete de Arte Raquel Arnaud
Rio de Janeiro - 'Franz Weissmann' - Galeria Investiarte 

1994
Belo Horizonte - 'Franz Weissmann: uma construção no tempo' - Galeria AM Esculturas
São Paulo - Gabinete de Arte Raquel Arnaud
Ouro Preto, MG - Museu da Inconfidência

1996
Contagem, MG - 'Franz Weissmann: desenhos e esculturas' - Espaço Cultural Jayme de Andrade Peconick
São Paulo - MuBE

1998
Rio de Janeiro - 'Franz Weissmann: uma retrospectiva' - CCBB e MAM/RJ

1999
São Paulo - 'Franz Weissmann: uma retrospectiva' - MAM/SP
Nova York, EUA - 'Geometry in steel' - Neuhoff Gallery

2000
Rio de Janeiro - 'Weissmann' - Galeria Anna Maria Niemeyer

2001
Rio de Janeiro - 'Weissmann' - Casa França-Brasil

2003
Rio de Janeiro RJ - 'No Fio do Espaço' - Galeria Anna Maria Niemeyer

Imagem de Amostra do You Tube

 

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"Sob os seus golpes, o zinco vira céu, e outra vez se verifica que os vincos feitos a marteladas na matéria deixam passar a luz, e em sua perseguição uma arquitetura de planos e de linhas que se sucedem, se armam, com o capricho de nuvens que passam. Franz Weissmann fez descoberta, isto é, não a procurou, deliberadamente. Pois o que procurava era uma persistente operação de mágico no seu longo, solitário, direto, artesanal tratamento com a matéria.  Ao passar para o alumínio, os petrechos de ataque do artista, o macete, as mãos poderosamente protegidas amassam mais e incisam menos. As lâminas de alumínio trazem, intocável, uma claridade virginal, translúcida. Apodera-se do escultor uma vontade de conspurcar aquela claridade pura. E é um estupro o que faz. Com as mãos duras de boxeador a amarrota, como a uma folha de papel. Avança no ataque, o macete, e a empregueia toda; o metal se encolhe, se dobra, as pregas lhe dão cara de velha, mas ao cabo transmuda-se em desperdícios de prata lavrada, de lampejos reluzentes. Fez-se realmente do alumínio outra coisa. Tem sulcos, chispas, pregas, enrugamentos, cortes, camadas - mas sobe de categoria, tornando-se quase metal nobre, precioso. É um Weissmann com insígnia diferente, com uma obra diferente, mas é o mesmo artista, que prossegue para se vingar de sua condição humana, terrestre - enquanto espera a transubstanciação".

Mário Pedrosa
PEDROSA, Mário. A volta de Franz Weissmann. In: WEISSMANN, Franz. Franz Weissmann. Rio de Janeiro: Galeria do IAB, 1981. p. 8.

 

“Explosão Weissmann” 1
 “Não quero fixar nada, quero liberdade de movimento, para os elementos construtivos.
Tento encontrar a liberdade total de expressão plástica.”
Franz Weissmann

Franz Weissmann (1911—2005), um dos maiores nomes da arte brasileira de todos os tempos, expoente do neoconcretismo e formador de gerações de artistas brasileiros, sobretudo escultores, produziu um importante legado e sempre teve no trabalho a mola propulsora de seu pensamento. Tratamos aqui de um período especifico da produção de Weissmann: desenhos e esculturas denominadas Amassados, realizados entre os anos de 1962 e 1965, na Espanha. Num texto de 1994, o crítico Frederico Morais já chamava a atenção para essa fase pouco conhecida do grande público e para a necessidade de que ela fosse urgentemente resgatada pela crítica, pois ajuda a compreender melhor a personalidade artística de Weissmann e retrata um momento doloroso para o artista que, no entanto, levou à produção de obras magníficas.
Este corpo de obra específico foi criado em circunstâncias materiais limitadas, após uma incursão do artista em outras culturas e ao longo de uma aproximação com o oriente e com uma Europa fragmentada. Em 1959, Weissmann sai de um Brasil concreto e geométrico e mergulha numa viagem gótico-expressionista. Lidas hoje, essas obras permitiriam formular uma interpretação de arte brasileira em confronto com a arte europeia. Ele sai de um país onde tudo está por fazer e por trabalhar, onde ser construtivo é vocação natural na elaboração de uma nova vanguarda, e chega a uma Europa saturada culturalmente, onde tudo parece já ter sido feito e concluído. Assim, o impulso construtivo cede espaço a uma visão da arte algo pessimista, desconstrutiva – desmanchar para, então, se elevar ao sublime ato de reconstrução do universo.
A virada acontece em 1958, a partir do Prêmio de Viagem ao Estrangeiro do VII Salão Nacional de Arte Moderna. O prêmio é concedido após um episódio tão trágico quanto decisivo na biografia do artista: a invasão de seu ateliê, no Parque Municipal de Belo Horizonte, pela polícia, que tinha o objetivo de transformar o espaço em uma prisão. A ação policial destrói obras e torna incerto o futuro do artista. Em abril de 1959, Weissmann parte para a viagem ao estrangeiro, que o levou a ficar distante do país onde vivia desde a adolescência por mais de seis anos. Antes de partir, assinou o Manifesto Neoconcreto, ao lado de Ferreira Gullar, Amílcar de Castro (1920—2002), Lygia Clark (1920—1988), Lygia Pape (1929—2004), Reynaldo Jardim (1926—2011) e Theon Spanudis (1915—1986). O texto formaliza a ruptura do grupo carioca com o concretismo paulista, em prol de uma maior expressividade na arte, consoante com a experimentação direta no real.
Entre 1959 e 1965, Weissmann se afastou do Brasil e retornou pela primeira vez a seu continente natal, de onde só retornou para se fixar definitivamente no Rio de Janeiro. No mesmo ano, teve sala especial na VIII Bienal de São Paulo onde mostra os “Amassados” produzidos enquanto estava na Europa. Visita Espanha, França, Itália, Áustria, Alemanha, Bélgica, Holanda e Suíça, tendo permanecido mais tempo na Espanha. Visita vários artistas e tem particular impacto sua visita à II documenta, em Kassel, Alemanha, onde se impressiona com a exposição de Lúcio Fontana (1899-1980). Na Espanha, reencontra o escultor Jorge Oteiza (1908—2003) na aldeia de Irún, no País Basco. Volta ao Brasil, onde deixa a família, e segue sozinho em viagem ao Oriente, visitando o Japão, Vietnã, Tailândia e Índia.
A viagem lhe revela a filosofia oriental. É nesse contexto que Weissmann produz os desenhos apresentados neste catálogo e inicia uma nova pesquisa com os Amassados, também presentes aqui, inicialmente a partir de sacos de estopa, gesso, cimento e cola e, num segundo momento, desdobrando a pesquisa sobre o suporrte de chapas de zinco e alumínio, trabalhadas com martelo e cravadas com instrumentos cortantes. Chegando do oriente, o artista volta diretamente para a Europa e volta a transitar entre Itália, França e Espanha. Permanece uma temporada em Paris no ateliê de Frans Krajcberg e fica um longo período em Irún, Espanha, na casa de Oteiza. Weissmann passa então a residir em Madri e monta um novo ateliê, onde, segundo ele, “ficava martelando chapas até altas horas da noite, incomodando todos os residentes” 2 – esse som, repetido, alto e vigoroso, é lembrança marcante na memória de seu filho Manfrid, que recorda bem esse momento da produção pai.
Em 1962, realiza sua primeira exposição individual da Galería San Jorge, Madri, onde apresenta a série inicial dos Amassados. A série é analisada em texto crítico de apresentação escrito pelo poeta João Cabral de Melo Neto (1920-1999), que vê destroços de uma explosão, lançadas furiosamente contra as paredes europeias; uma “explosão Weissmann” da fúria que no artista habita e que assim passa a martirizar a matéria, estraçalhando-a, submetendo-a ao vigor do próprio gesto que imprime no material. Weissmann “destrabalha” as placas metálicas e suas superfícies não mais para equilibrá-las em colunas e construções da razão, mas sim para massacrá-las e amarrotá-las como se quisesse restituir seu estado mais antigo e bruto, de minério e ferro. “Eis que nesta exposição vemos pela primeira vez o construtivista Weissmann transformado neste destrutivista ” 3. Mas o poeta, nesse mesmo texto, de 1962, prevê que, antes mesmo que todo o pó dessa explosão repouse, Weissmann estaria de volta às construções da razão, do estudo do espaço e da justeza das coisas. E assim aconteceu.
Os trabalhos realizados nesse momento abrem uma série de possibilidades de leitura, tanto da sua obra anterior como posterior. Através deles se vê um Weissmann com o nervo exposto, impactado com o mundo, não mais preocupado com a organização da obra dentro de parâmetros geométricos e sim em desarrumar a matéria, machucá-la, oscilando entre o espírito da construção e da destruição – problemática própria do artista moderno. São forças e sentimentos se expandindo num movimento pendular entre a anarquia e a ordem, entre o objetivismo e o subjetivismo, mas sempre refletindo a descontinuidade do homem, um ser de contrastes, “a work in progress” nas palavras de Murilo Mendes, um fascinado, assim como João Cabral de Melo Neto, por essa indecisão poética traçada no espaço por Weissmann. Nos desenhos, de acordo com texto de Murilo Mendes de 1963 para exposição na Galeria de Arte da Casa do Brasil, em Roma, “o artista organiza o seu ímpeto e, através das linhas que se agridem, se cruzam, se interpretam, propõe-nos uma escritura personalíssima, vizinha à do calígrafo oriental, escandindo os sinais com muitos requintes e minúcias, ou então uma espécie de partitura musical em clave fantasiosa”.4
Quando, do desenho, passa ao espaço real com seus relevos amassados, ele trabalha a mesma problemática anterior. Para Mário Pedrosa (1900—1981), “se os desenhos lhe são um diálogo entre a linha e a luz; as placas em relevo são um diálogo entre o traço e o golpe – a luz.” O crítico então aproxima as placas a paisagens, nuvens que passam num céu paisagístico de Canaletto (1697-1768) 5. Na leitura de Pedrosa, Weissmann faz do alumínio outra coisa. Sulcos, chispas, pregas, enrugamentos, cortes, camadas. Pergunta-se por que agora o artista volta ao Brasil com placas amassadas e com uma pasta de desenhos em que a linha produz um turbilhão de arabescos e cruzamentos. E ele mesmo responde que esses admiráveis desenhos são uma espécie de duelo entre a linha e a luz, um frenesi, um diálogo do artista com ele mesmo.
Para outro crítico, Frederico Morais, a temporada na Índia teve enorme impacto sobre o artista, deixando-o deprimido por muito tempo e institivamente ele começou a cobrir o vazio do papel com uma linha infindável, labiríntica6. Como consequência, passou a amassar chapas de zinco e alumínio com martelos, porretes, soquetes e até com a própria mão vestida com luvas de boxe num sofrido e áspero diálogo com a matéria.
O papel branco, vazio, e a chapa de alumínio ou zinco oferecem ao artista todas as direções, aceitando toda e qualquer forma. Weissmann uma vez declarou em entrevista a Morais7 que se sentia essencialista e procurava, com sua escultura, atingir um sentido transcendental. Sua arte não se ocuparia assim apenas com a economia de materiais e um conjunto de questões formais, mas teriam um sentido metafísico, filosófico e espiritual. Esses desenhos e placas seriam também uma sutil apreensão da luz para através dela estruturar o espaço buscando dentro do caos uma estrutura específica. Tais trabalhos se aproximam da espiritualidade de Mark Tobey (1890—1976), dos drippings de Pollock (1912—1956), dos conceitos espaciais de Fontana, mas também não estão longe, espiritualmente, da profunda indagação do plano que faz Mondrian (1872—1944). Passado por esse furacão, o artista finalmente resgata a calmaria, e o sua atitude zen se recolhe à geometria e à monumentalidade de seus anos seguintes de produção, assim como a ordem se reinstaura em sua vida.
Weissmann acredita que sua obra é consequência natural de sua necessidade de síntese: dizer com o mínimo de elementos numa espécie de comportamento zen. Se eu estou zen, estou vivo e sou um elemento de transformação do mundo, e a turbulência, assim como a raiva, motivam o desejo em direção a essa transformação. Na série de trabalhos mostrados neste catálogo, percebemos essas camadas de vida e essa ação explosiva de um artista inquieto no desejo e no pensamento. Esta atitude explica por que Weissmann amplia cada vez mais seu espaço na arte brasileira do século 20. Esta mesma atitude se mantém necessária hoje. A ele, nossa homenagem.
Emmanuelle Grossi

1.    João Cabral de Melo Neto. Weissmann. Madri: Galería San Jorge, 1962. Catálogo de mostra individual.
2.    Depoimento de Franz Weissmann in Franz Weissmann: Depoimento. Belo Horizonte: C/Arte, 2002. Coordenadores: Fernando Pedro da Silva, Marília Andrés Ribeiro. Organização e entrevista do livro: Marília Andrés Ribeiro.
3.    Idem nota 1 supra.
4.    Murilo Mendes. Franz Weissmann. Roma: Galleria D’Arte Della Casa do Brasil, 1963. Catálogo de mostra individual.
5.    Mário Pedrosa. A Volta de Franz Weissmann. In Vinte e Cinco Relevos de Franz Weissmann. Rio de Janeiro: Petite Galerie, 1965. Folder de mostra individual.
6.    Frederico Morais. A Usina Criativa de Franz Weissmann. In Piracema, Revista de Arte e Cultura, número 2, ano 2. Rio de Janeiro: Funarte/IBAC/MINC, 1994.
7.    Depoimento a Frederico Morais. Outubro, 1975. In Franz Weissmann, Catálogo de exposição, Galeria IAB-RJ, 18 a 31 de maio de 1981, Rio de Janeiro, RJ.