Franco Bubani

Franco Bubani é artista visual, fotógrafo fine art e professor de fotografia. No Rio de Janeiro (RJ) estudou no Museu de Arte Moderna e na EAV Parque Lage; em BH estudou na Escola Guignard e no Ateliêr Vânia Barbosa e em São Paulo no Instituto Tomie Ohtake. Na sua formação também fez orientação artística com Charles Watson, Daniela Labra e Iole de Freitas no Rio de Janeiro e com Júlio Martins em BH.

 

O que você diz em silêncio ?
É com essa pergunta que o artista e fotógrafo fine art Franco Bubani abre a exposição “O RESTO TODO É SILÊNCIO” na quarta feira dia 08 de agosto às 19 horas no Espaço Cultural do Banco Central em Belo Horizonte(MG), à av. Álvares Cabral, 1605.
Na exposição, fotografias da série “Silêncio”, reconhecida no Hasselblad Masters 2011, o mais conceituado e prestigiado prêmio mundial da indústria fotográfica, como uma das cinco finalistas para toda América Latina.
Nas obras, o artista registra, com olhar objetivo e claro, um mundo desprovido de presença humana. Ele explora a arquitetura como uma forma de mudar as relações de tempo, espaço e percepção, e revela, no paradoxo da dualidade presença e ausência, a transitoriedade imanente da humanidade.
O trabalho Architecture of Absence da fotógrafa Cândida Höfer foi referência nas pesquisas de Franco Bubani nessa série mas, diferentemente da fotógrafa alemã, ele optou por trabalhar exclusivamente com fotografia P&B. Essa decisão plástica resulta numa linguagem própria e no trabalho do artista o silêncio tem natureza e dimensões que o preto e branco traduz com distanciamento e profundidade singulares.
O Túnel Rebouças, o Metrô Rio, a Catedral de São Sebastião, o Jockey Club Brasileiro, o Cemitério São João Batista, o Pier Mauá no Porto do Rio, a Cidade do Samba (Sambódromo), o Real Gabinete Português de Leitura, a Fábrica Bhering e o Hospital Universitário na Ilha do Governador no Rio de Janeiro (RJ); o Museu de Artes e Ofícios, o Shopping Del Rey, o Funeral House, a Igreja do Carmo e o Hotel Ouro Minas em Belo Horizonte (MG); e a Mina da Passagem em Passagem de Mariana (MG), são os lugares que foram fotografados nos últimos três anos.
Cada imagem convida a um exame distanciado e desengajado através da janela que foi criada. A decisão de trabalhar apenas com a luz existente permitiu captar a essência e os detalhes de cada lugar. E o rigor fotográfico articula a linguagem do artista que desconstrói a possibilidade de uma fotografia com interesses meramente instântâneos. Desde o início o confronto do espectador com as obras deixa claro que não se trata de um registro inocente e nada está alí por acaso.
“As imagens desses espaços foram feitas em filme, em grande formato, com objetiva grande angular e são isentos de manipulação digital. Essas decisões possibilitaram apresentar fotografias realistas, com muita clareza e legibilidade enquanto a câmera mantém uma distância de observação, nunca ficando muito próxima do assunto”, explica Franco Bubani.
Segundo o fotógrafo, seu trabalho artístico não tem a pretensão de direcionar os pensamentos das pessoas. “Minhas fotos são representações do silêncio e permitem que os visitantes as percebam de acordo com seus próprios sentidos, bagagem cultural, sentimentos e experiência de vida. O silêncio, por si só, já desperta variadas reflexões no ser humano. É esse despertar do pensamento para além das obras que desejo instigar em quem visitar a exposição”, finaliza Franco.