Estela Sokol

Estela Sokol nasceu em 1979, São Paulo, cidade onde vive e trabalha. Por meio da combinação de materiais relativamente antagônicos, como mármore e acrílico, lâminas de PVC e chassis de madeira, a artista vem desenvolvendo uma abrangente pesquisa sobre a cor, a luz e sua presença no espaço, trabalhos que se apresentam muitas vezes como pintura ou escultura.

Realizou diversas exposições nos últimos anos, das quais destacam-se: GELATINA, Anita Schwartz Galeria de Arte, Rio de Janeiro, Brasil, Se o deserto fosse laranja, a coisa seria cor de rosa, Museu da Taipa, Macau, China, 2012; Quadros e Esculturas, Zipper Galeria, São Paulo, Brasil, 2012; Secret Forest, Gallery 32, Londres, Inglaterra, 2011; Licht Konkret, Galerie Wuensch, Linz, Áustria, 2011.

Estela Sokol

São Paulo, Brasil 1979, vive e trabalha em São Paulo, Brasil.

Exposições Individuais
2013. GELATINA. Anita Schwartz Galeria de Arte, Rio de Janeiro, Brasil
2012 .Se o deserto fosse laranja a coisa seria cor de rosa. Museu da Taipa, Macau, China
.Quadros e esculturas. Zipper Galeria, São Paulo, Brasil
2011 .Secret Forest. Gallery 32, Londres, Inglaterra
.A Morte das Ofélias. Anita Schwartz Galeria de Arte, Rio de Janeiro, Brasil
.Licht Konkret. Galerie Wuensch, Linz, Áustria
2010 .Clarabóia. Paço das Artes, São Paulo, Brasil
.Dawn for Interiours. Bisagra Arte Contemporáneo, Buenos Aires, Argentina
2008 .Sol de Inverno. Palácio das Artes - Fundação Clóvis Salgado, Belo Horizonte, Brasil
2007 .Halo. Galeria Virgílio, São Paulo, Brasil
.Azul(H.X-V²). Funarte, Rio de Janeiro, Brasil
2006 .Meio Dia e Meia. Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo, Brasil
2005 .WXRTD-320. Galeria Virgilio, São Paulo, Brasil
2003 .Lastro. Centro Cultural São Paulo, São Paulo, Brasil

Exposições coletivas
2014. PROMETHEUS FECIT. Museu Nacional Soares dos Reis, Porto, Portugal. Éter. Anita Schwartz Galeria de Arte, Rio de Janeiro, Brasil.
2013.Além do ponto e da linha. MAC USP, São Paulo, Brasil .Arte Contemporânea no Universo Bordallo. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal .Norman Dilworth, Alistair Mcclymont and Estela Sokol. Marina and Susanna Sent in collaboration with Strand Gallery, Veneza, Italia .Bordallianos do Brasil. OI!Futuro, Rio de Janeiro, Brasil .What can we
expect from color? BYCR Gallery, Milão, Itália
2012 .Percursos Contemporâneos. MACS, Sorocaba, Brasil .A Primeira do Ano - Múltiplos. Anita Schwartz Galeria de Arte, Rio de Janeiro, Brasil .Território de Caça. Zipper Galeria, São Paulo, Brasil .Nova escultura Brasileira. Caixa Econômica, Rio de Janeiro, Brasil
2011 .III Bienal del Fin del Mundo. Ushuaia, Argentina .16º Bienal de Cerveira. Cerveira, Portugal .Nova escultura Brasileira. Caixa Econômica, São Paulo, Brasil .Desenhos e Diálogos. Anita Schwartz Galeria de Arte, Rio de Janeiro, Brasil .Mapas Invisíveis. Galeria Vitrine Paulista - Caixa Cultural São Paulo, Brasil .Arte Lusófona. Memorial da América Latina, São Paulo, Brasil .Em Torno da Escultura. Anita Schwartz Galeria de Arte, Rio de Janeiro, Brasil .Outras Perspectivas. Espaço Tex Prima, São Paulo, Brasil
2010 .Light Art Biennalle. Linz, Austria .Silêncio. Zipper Galeria, São Paulo, Brasil .Além do Horizonte. Galeria Amarelo Negro, Rio de Janeiro, Brasil .Anti. Cartel, São Paulo, Brasil .Vistas a Perder de Vista. Galeria Penteado, Campinas, Brasil .Notas do Acervo. Anita Schwartz Galeria de Arte, Rio de Janeiro, Brasil
2009 .De Passagem. Galeria Mendes Wood, São Paulo, Brasil .Graphias. Memorial da América Latina, São Paulo, Brasil .Obra Menor. Ateliê 397, São Paulo, Brasil .Trajetórias em Percurso. Anita Schwartz  Galeria de Arte, Rio de Janeiro, Brasil .Nova Arte Nova. Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo, Brasil
2008 .Nova Arte Nova. Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, Brasil .Depois. Galeria Professor Vicente Digrado - FBA, São Paulo, Brasil .Sete paralelos. Casa do Olhar, Santo André, Brasil
2006 .34° Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto. Casa do Olhar - Paço Municipal de Santo André, Brasil
2005 .BR 2005. Galeria Virgílio, São Paulo, Brasil
2004 .BR 2004. Galeria Virgílio, São Paulo, Brasil .Outro Lugar. Galeria Virgílio, São Paulo, Brasil .Edital Revelação. MACC, Campinas, Brasil .Xilogravuras. Tapa Galeria, Ribeirão Preto, Brasil .Programa de Exposições do MARP. Casa da Cultura, Ribeirão Preto, Brasil
2003 .Programa de Exposições. Centro Cultural São Paulo, Brasil .A Gravura Vai Bem, Obrigada! Galeria Virgilio, São Paulo, Brasil
2002 .Desvio. Funarte, São Paulo, Brasil .Refração. SESC Araraquara, Brasil .Ao Todo. Universidade Cidade de São Paulo, Brasil .Entretantos. SESC Pompéia, São Paulo, Brasil

Exposições individuais

2013
GELATINA. Anita Schwartz Galeria de Arte, Rio de Janeiro, Brasil

2012
Se o deserto fosse laranja a coisa seria cor de rosa. Museu da Taipa, Macau, China
Quadros e esculturas, Zipper Galeria, São Paulo, Brasil

2011
Secret Forest. Gallery 32, Londres, Inglaterra
A Morte das Ofélias. Anita Schwartz Galeria de Arte, Rio de Janeiro, Brasil
Licht Konkret. Galerie Wuensch, Linz, Áustria

2010
Clarabóia. Paço das Artes, São Paulo, Brasil
Dawn for Interiours. Galeria Bisagra, Buenos Aires, Argentina

2008
Sol de Inverno. Palácio das Artes - Fundação Clóvis Salgado, Belo Horizonte, Brasil

2007
Halo. Galeria Virgílio, São Paulo, Brasil
Azul(H.X-V²). Funarte, Rio de Janeiro, Brasil

2006
Meio Dia e Meia. Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo, Brasil

2005
WXRTD-320. Galeria Virgilio, São Paulo, Brasil

2003
Lastro. Centro Cultural São Paulo, São Paulo, Brasil

Exposições Coletivas

2013
Além do ponto e da linha. MAC USP, São Paulo, Brasil .
Arte Contemporânea no Universo Bordallo. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal
Norman Dilworth, Alistair Mcclymont and Estela Sokol. Marina and Susanna Sent in collaboration with Strand Gallery, Veneza, Italia
Bordallianos do Brasil. OI!Futuro, Rio de Janeiro, Brasil
What can we expect from color? BYCR Gallery, Milão, Itália.

2012
Percursos Contemporâneos. Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba, São Paulo, Brasil
A Primeira do Ano - Múltiplos. Anita Schwartz Galeria de Arte, Rio de Janeiro, Brasil
Território de Caça. Zipper Galeria, São Paulo, Brasil
Nova escultura Brasileira. Caixa Econômica, Rio de Janeiro, Brasil

2011
III Bienal del Fin del Mundo. Ushuaia, Argentina
16º Bienal de Cerveira. Cerveira, Portugal
Nova escultura Brasileira, Caixa Econômica, São Paulo, Brasil
Desenhos e Diálogos. Anita Schwartz Galeria de Arte, Rio de Janeiro, Brasil
Mapas Invisíveis. Galeria Vitrine Paulista, Caixa Cultural São Paulo, Brasil
Arte Lusófona. Memorial da América Latina, São Paulo, Brasil
Em Torno da Escultura. Anita Schwartz Galeria de Arte, Rio de Janeiro, Brasil
Outras Perspectivas. Espaço Tex Prima, São Paulo, Brasil

2010
Light Art Biennalle. Linz, Austria
Silêncio. Zipper Galeria, São Paulo, Brasil
Além do Horizonte. Galeria Amarelo Negro, Rio de Janeiro, Brasil
Anti. Cartel, São Paulo, Brasil
Vistas a Perder de Vista. Galeria Penteado, Campinas, Brasil
Notas do Acervo. Anita Schwartz Galeria de Arte, Rio de Janeiro, Brasil

2009
De Passagem. Galeria Mendes Wood, São Paulo, Brasil
Graphias. Memorial da América Latina, São Paulo, Brasil
Obra Menor. Ateliê 397, São Paulo, Brasil
Trajetórias em Percurso. Anita Schwartz Galeria de Arte, Rio de Janeiro, Brasil
Nova Arte Nova. Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo, Brasil

2008
Nova Arte Nova. Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, Brasil
Depois. Galeria Professor Vicente Digrado, FBA, São Paulo, Brasil
Sete paralelos. Casa do Olhar, Santo André, Brasil

2006
34° Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto. Casa do Olhar, Paço Municipal de Santo André, Brasil

2005
BR 2005. Galeria Virgílio, São Paulo, Brasil

2004
BR 2004. Galeria Virgílio, São Paulo, Brasil
Outro Lugar. Galeria Virgílio, São Paulo, Brasil
Edital Revelação. MACC, Campinas, Brasil
Xilogravuras. Tapa Galeria, Ribeirão Preto, Brasil
Programa de Exposições do MARP. Casa da Cultura, Ribeirão Preto, Brasil

2003
Programa de Exposições. Centro Cultural São Paulo, Brasil
A Gravura Vai Bem, Obrigada! Galeria Virgílio, São Paulo, Brasil

2002
Desvio. Funarte, São Paulo, Brasil
Refração. SESC Araraquara, Brasil
Ao Todo. Universidade Cidade de São Paulo, Brasil
Entretantos. SESC Pompéia, São Paulo, Brasil

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A ressurreição pela cor

Ofélia é fogo sob a geleira. Nota dissonante em uma corte enrijecida pela traição e pela cobiça, ela arde de paixão por um príncipe incapaz de enxergar algo além do fantasma do pai e do desejo de vingança. Ponto de luz e de cor boiando inerte no lago congelado, a dama suicida é quase uma irmã das intervenções que Estela Sokol fez na neve da Áustria.

A Morte das Ofélias, individual da artista na Galeria Anita Schwartz, é uma montagem contagiada por uma melancolia e por um luto semelhantes aos do Reino da Dinamarca. As peças negras em mármore, acrílico e PVC são corpos opacos que deixam no espaço – piso e paredes – um rastro de cor. Saídos de superfícies de tinta ou de placas de acrílico apoiadas sobre as peças, tons de alaranjado, rosa e amarelo ganham o ambiente como o fantasma que assombrou Hamlet. Eles são ainda o espectro da história da arte e da pintura, eterna perturbação para a arte contemporânea.

Sokol trata cada trabalho, de fato, como um corpo. Ao pintar ou inventar camadas transparentes para suas peças, ela cria vísceras e membranas para sua sutil geometria. O léxico visual da artista, com placas que se dobram como seios, cinturas ou cachoeiras, arredonda ângulos retos e perturba quadrados de maneira silenciosa e feminina.

É também delicada a relação destes trabalhos com o espaço da galeria. Com pé direito monumental, a sala principal pode ser uma tentação para uma ocupação gigantesca, com peças que testem em tamanho seu grau máximo de potência. A Morte das Ofélias não cria um duelo com esta monumentalidade e nem procura preenchê-la a todo custo. Há uma deliciosa despretensão na montagem, que é quase uma transferência do ateliê da artista para a sala de exposição e tira partido dos espaços vazios. É nas paredes brancas e no piso desocupado que a cor presente nas esculturas negras pode se espalhar, revelando um pouco da alma contida em cada corpo.

No pequeno átrio antes do grande salão, o arranjo das pinturas feitas de camadas de material plástico e ampliações fotográficas em metacrilado, um elogio ao acúmulo, dá continuidade a um diálogo que Sokol iniciou há algum tempo com Malevitch e o Suprematismo. Sobretudo com a exposição 0,10 (1915), em que o artista russo aproximou seus quadros de uma maneira radical e aparentemente desconexa, fazendo da própria montagem uma obra e um discurso à parte. Ao instalar seu Quadrado negro sobre fundo branco em uma quina no canto superior da sala, Malevitch deu à pintura abstrata o lugar destinado aos ícones religiosos da Igreja Ortodoxa Russa. A geometria ganhou o espaço da metafísica e do simbólico.

Sokol faz operação semelhante em A Morte das Ofélias, com o auxílio não só da herança suprematista, mas também de outra leitura do sublime: o romantismo dos personagens de Shakespeare, vizinho dos abismos e montanhas, mas também da solidão de Caspar Friedrich.

A experiência da artista no inverno dos Alpes Austríacos foi decisiva para este resultado. Para realizar as séries Secret forest e Polarlicht, ela enterrou na neve placas e cubos de acrílico laranja e amarelo e pousou bolas de látex roxo e rosa-choque nos troncos de árvores. Há ainda o verde tomando a imensidão branca como um retângulo fluido e imperfeito. Cada corpo de cor morre um pouco na neve para poder emprestar a ela um pouco da sua natureza, anunciando ali a existência de dimensões além do plano palpável, já que cada forma se amplia através da luz.

Ofélia vai nesta mesma direção: ao se despedir da vida, ela anuncia a possibilidade de compaixão para o mundo estéril em que vive. Não é preciso ser cúmplice daquele algo de podre no Reino da Dinamarca. Ao voltar à personagem, Sokol promove outra ressurreição: a da herança de pintores como Millais e Delacroix, que também reinventaram suas Ofélias, e de toda uma legião de coloristas da história da pintura.

Austríaco como estes trabalhos na neve, Franz Weissmann guardava em seu ateliê em Ipanema projetos de escultura feitos de cartolina e de clipes. Tinha estantes abarrotadas destes protótipos e afirmava que todos eles já nasciam com seu destino traçado. Mesmo que nunca houvesse material para isso, cada clipe torcido era o sonho de uma escultura monumental. A ida para o gelo dos Alpes revela esta mesma vocação para a obra de Sokol. O espaço amplo da natureza potencializa sua geometria evanescente. Como Ofélia, seus trabalhos se transformam na neve para iluminar a paisagem.

As fotos da Áustria colaboram muito para o estado de melancolia da mostra. Entrar na floresta é descortinar um universo extremamente metafórico, tanto para as artes visuais como para a literatura. Ofélia se perde na floresta antes de despencar do salgueiro para boiar no lago. Os irmãos João e Maria entram na mata fechada para virar presa da bruxa malvada. Os casais de Sonhos de uma noite de verão, outra peça de Shakespeare, mudam seus destinos ao conviver com os seres fantásticos que se escondem depois das árvores.

Na pintura Os caçadores na neve, de Bruegel, os personagens parecem estar voltando da floresta quando chegam ao topo da montanha e enxergam o povoado lá embaixo, se desenhando no vale. Os lagos congelados desta obra-prima de 1565 são planos de um azul esverdeado que reconstroem e dão novo sentido à imensidão branca da cena. Parecem ancestrais dos retângulos e linhas fosforescentes com que Sokol pintou – e perturbou, no melhor dos sentidos - o deserto de gelo.

A floresta é uma passagem, a despedida de um mundo para a descoberta de outro. Este adeus, como todos, exige luto e silêncio. Sokol nos proporciona esta necessária pausa reverente, para que possamos perceber a intensidade da cor incendiando o gelo, reverberando no branco como o anúncio da vida depois da morte.

Daniela Name