David Magila

Sobre os trabalho de David Magila

 O desenho é a principal linguagem desenvolvida pelo artista paulista David Magila. Integrante do coletivo Base V, Magila trilha caminho próprio autoral e tem em suas memórias do litoral boa parte de suas influências plásticas. Mas o traço e o cromatismo de seus desenhos não trazem à tona um litoral solar e otimista; suas paisagens se ligam mais a lugares melancólicos e esvaziados da figura humana. Por vezes, o desenho escapa da bidimensionalidade e vaza para o espaço, flertando com o tridimensional e o escultórico.                                                   

Mario Gioia, curador, 2014

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David MagilaFormado pelo Instituto de Artes da UNESP – São Paulo, participou de diversos cursos de especialização como  o curso de Litografia na ECA- USPcom Cristy Wyckoff – Prof. titular e chefe do departamento de Artes da PNCA – EUA;  “Anotações para uma História da Estampa no Ocidente” na Pós-Graduação ECA-USP com Prof. Claudio Mubarac. Editor do grupo artístico Base-V, participou de várias exposições como: ”Preâmbulo” na Galeria Contempo – SP,   “Situações Brasília – Prêmio de Arte Contemporânea do Distrito Federal – 2012”; “Programa de Exposições 2012” MARP – Museu de Arte de Ribeirão Preto – SP – 2012;   “Graphias – do papel ao pixel” – Galeria Marta Traba – Memorial da America Latina – SP – 2010;  “Tangências” – Paço Municipal de Santo André – SP – 2008;  “Jovem Gravura Brasileira” – Fundação Josê Siuha Bled/ Eslovênia – 2001. Ganhou prêmios aquisitivos no salão 28º Salão de Arte Contemporânea de Santo André – SP e no 26º Salão de Arte Jovem CCBEU- Santos, entre outros.

Mora e trabalha em São Paulo - Brasil

Membro do coletivo BASE-V

Formação

Bacharel em Artes Plásticas pelo Instituto de Artes da UNESP em 2003, participou de cursos de especialização na Pós-Graduação ECA-USP, outras instituições e centros culturais.

 

Residências

2015 •“Maio Cultural” - com o coletivo Base-V - Bragança Paulista - SP

2014 • “MUdA” - com coletivo Base-V - Ocupação Casa Rua 20 - Goiânia - GO

 

Prêmios

2015 • Prêmio Aquisitivo - 40º Salão de Arte de Ribeirão Preto - SP - Brasil

2013 • Prêmio Aquisitivo - III Concurso Itamaraty de Arte Contemporânea - Palácio do Itamaraty - Brasília - DF - Brasil

2000 • Prêmio Aquisitivo - 28º  Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto - Santo André - SP - Brasil

1999 • Prêmio Aquisitivo - 26º Salão de Arte Jovem CCBEU - Santos - SP - Brasil

 

Coleções públicas

Museu de Arte de Ribeirão Preto - Prefeitura de Ribeirão Preto - SP - Brasil.

Ministério das Relações Exteriores, Brasília - DF - Brasil.

Casa do Olhar - Prefeitura de Santo André, SP - Brasil

Exposições individuais

2015 • "Tudo pelas beiradas" - Galeria Contempo - São Paulo, SP - Brasil

2014 • "Resta-nos compreender" - SESC Palladium - Belo Horizonte, MG - Brasil

2012 • “Não segura o peso" - Projeto Parede - Programa de Exposições 2012 - MARP  Ribeirão Preto – SP - Brasil

 

Principais exposições coletivas 

2015

• " Mostra Bienal CAIXA de Novos Artistas" - Caixa Cultural São Paulo - SP - Brasil

• " Leilão de Parede PIVÔ 2015"- Pivô Arte e Pesquisa/Copan -  SP - Brasil

• " Leilão de Parede Galeria Pilar"- Galeria Pilar - SP - Brasil

• "Projeto 48h" Sub Galeria - SP - Brasil

• " Mostra Bienal CAIXA de Novos Artistas" - Caixa Cultural Curitiba - PR - Brasil

• "40º Salão de Arte de Ribeirão Preto" - MARP - Ribeirão Preto - SP - Brasil

• "É sempre BOM estar BEM acompanhado, 2ª edição" - W Espaço de Arte - Ribeirão Preto - SP - Brasil

2014

• "XV Salão de Artes Plásticas de João Pessoa" - Paraíba - Brasil

• "Frequentes Conclusões Falsas" - Galeria Orlando Lemos - MG - Brasil.

• “O Espaço sonha o Sujeito", Arte Londrina 3 - Londrina - PR - Brasil

• "Salão de Arte Contemporânea de Santa Bárbara d'Oeste 2014" -Sta. Bárbara d'Oeste - SP - Brasil

• "13º Salão Nacional de Arte de Jataí" - Jataí - GO - Brasil

2013

• "III Concurso Itamaraty de Arte Contemporânea 2013" - Palácio do Itamaraty - Brasília - DF - Brasil

• "É sempre BOM estar BEM acompanhado" - W Espaço de Arte - Ribeirão Preto - SP - Brasil

• "13º Salão Nacional de Artes de Itajaí" - Itajaí - SC - Brasil

• "Geometria Fragmentada" - Galeria Contempo - SP - Brasil

• "38º SARP – Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional Contemporâneo" - SP  - Brasil

• "Preâmbulo" - Galeria Contempo - SP - Brasil 

2012

• “Situações Brasília - Prêmio de Arte Contemporânea do Distrito Federal” - Museu Nacional do Conjunto

Cultural da República  - DF - Brasil

2001

• “Jovem Gravura Brasileira” - Fundação Josê Siuha - Bled - Eslovênia.

2000

• “Jovem Gravura Brasileira” - Academia de Belas Artes de Viena - Áustria.

• "28º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto" - Santo André - SP - Brasil

1999

• "26º Salão de Arte Jovem CCBEU"- Santos - Brasil

 

Tudo pelas beiradas

O título “Tudo pelas beiradas” é também a condição quando se escreve um texto para a primeira individual de um artista, privilégio e ao mesmo tempo um grande desafio.

Em textos dessa natureza se tateia cuidadosamente, pois cabe ao curador da exposição e mesmo a um crítico de arte, apontar o talento do artista.

O risco é grande, quando não há ainda um percurso de uma obra.

No entanto, não é este o caso de David Magila, expondo pela primeira vez em uma individual suas pinturas e desenhos, na Galeria Contempo, em São Paulo.

David Magila já tem alguns anos de carreira artística.

Magila é de São Caetano do Sul, cidade parte da Grande São Paulo e formou-se em Artes Visuais pela Universidade Estadual de São Paulo no ano de 2003. Teve outras atividades não relacionadas diretamente à Arte até o ano de 2012.

Nosso primeiro contato se deu quando de sua premiação no ‘Edital de Exposições’, do Museu de Arte de Ribeirão Preto, ocasião em que fui um dos jurados responsáveis pela seleção desse certame. Nessa ocasião tive a oportunidade de me deparar pela primeira vez com sua produção. Depois dessa premiação, foi para o artista seu momento decisivo, para que ele optasse por se dedicar exclusivamente à Arte.

Antes da faculdade, David Magila fez o Liceu de Artes e Ofícios onde aprendeu as práticas artísticas. Não à toa, sabe desenhar. Faz um desenho figurativo com traços firmes sobre folhas de papel e cadernos de anotação e observação.

Esses desenhos são pintados ou mantidos no grafite. Quando não estão sobre o papel aparecem como esboços nas telas, onde acabam por permanecer visíveis sob a fina camada de tinta de suas pinturas.

Na verdade, para o artista os desenhos são estruturantes em sua obra e por isso mesmo, mais fortes que a pintura; se sobressaem à ela. Os desenhos não são inventados, trata-se de desenhos de observação, conforme comentou sobre o seu processo criativo.

As imagens pintadas são registros fotográficos ou simplesmente esboços, para serem pintados depois. São vistas estranhas. Em algumas delas, demora-se para se compreender o que ali está pintado. Imagens captadas de lugares que foram alguma coisa e não o são mais. Não fazem sentido sua existência como espaço ou lugar.

Lugares que já tiveram alguma função e restam apenas vestígios de sua utilização e de suas funções.

As vistas se dão em perspectivas também estranhas, distorcidas e de situações inusitadas que sobraram e sequer chegam a fazer sentido.

É este o seu repertório pintado - vistas do acaso, cantos que não se percebe em um olhar rápido pelas cidades, detalhes de uma arquitetura inútil, sutilezas de um detalhe da paisagem como uma poça d’água ou um píer sobre a água de um lago que se confunde na paisagem. O espelhamento da água é perfeito nas pinceladas grossas do artista. Em outras telas avistamos situações como o Bar Peixada que está em praia desolada, com uma sombra que lembra aquelas vistas na pintura metafísica do italiano Giorgio de Chirico. Uma vista de uma piscina cercada que tem no fundo uma paisagem abstraída. Surgem pisos ladrilhados. Entre as telas apresentadas nesta exposição, destacaria a pintura composta de guarda-sóis coloridos. Uma imagem vibrante de cores quentes. Muita luz compõe esta pintura. Fundo que se vislumbra é o verde das árvores e o azul celeste do céu que surge coalhado com pinceladas e escorridos que representam as nuvens.

Por fim, uma outra pintura, o que se vê é uma fachada “sem arquitetura” que se destaca uma caixa d’água. Trata-se de uma vista da “arquitetura” pobre que predomina nas cidades brasileiras, cobertas com as famigeradas telhas de amianto. Até a marca da caixa d’água é visível a compor a pintura da desolação.

Magila pinta uma cidade real. São pinturas que não precisam ser justificadas com teoria artística ou pelo viés da história da arte ou ainda por meio de uma lógica sobre a técnica da própria pintura.

Basta vê-las para se perceber suas qualidades pictóricas e a subjetividade impressa nas imagens pintadas.

O trabalho de arte e a pintura de David Magila são uma busca que refletem nossa necessidade de tentarmos organizar o caos do mundo, observado, por exemplo, nas grandes cidades.

Magila nos conta que quando sai para “passear”, sempre leva uma máquina de fotografar e um caderno de anotações.

O artista observa os detalhes da arquitetura, das ruas, das construções, do caos que nos rodeia. O faz com poesia, ao levar estas imagens para suas telas.

Ao focar nos detalhes, nas pequenas coisas, o artista está buscando nada mais do que a ordenação do mundo. Utópico, sem dúvida. Mas é por onde se expressa, ao transformar e materializar este olhar em pinturas, desenhos e gravuras.

Trabalhos de rara beleza quando se compara com o restante da produção de arte contemporânea atual.

Cito aqui o jornalista e artista Carlos Uchôa, em um texto seu de 1994, sobre a pintura do artista Luiz Sôlha. “Tomei um fôlego ao entrar no estúdio” quando me deparei com os trabalhos de David Magila. Não se fica inerte ou se sai ileso diante de suas telas e desenhos.

Uchôa, neste mesmo texto, se perguntava qual o papel da pintura à época? Escreveu concluindo: “exíguo”.

Hoje eu não diria o mesmo. Ao contrário, a pintura tem se mostrado potente pelas mãos e pinceladas de muitos jovens artistas, como David Magila.

Tem sido uma prática das mais populares e ainda desejada pelos curadores e instituições, poder ter em mãos, trabalhos dessa qualidade.

Sua pintura, nas palavras do próprio Magila, nada mais é do que um simples ‘desenho colorido’. Mas que desenho!

 

Ricardo Resende

curador

Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea

Rio de Janeiro, 2015. 

 

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Entrevista

COMO UM TRABALHO COMEÇA?

Um trabalho começa quando o artista está receptivel aos estímulos do olhar e as sensações.

QUE ARTISTAS OU TEÓRICOS VOCÊ CONSIDERA IMPORTANTES? POR QUE?

Existem muitos artistas que acabam influenciando a obra de outros artistas, mas acredito que hoje exista um acumulo de informações visuais que acrescentam na influência visual de todos que não limita somente ao campo das artes. Acredito que seja influênciado não só por muitos artístas e críticos.

QUE TIPO DE COISA CHAMA SUA ATENÇÃO NO MUNDO?

Existem muitos estímulos visuais que influenciam o meu trabalho, em uma escala hierárquica acredito que a arquitetura esteja em primeiro plano, pois em meus trabalhos questões como espacialidade e estrutura de lugares e objetos estão intimamente aparentes tanto nas pinturas como nos desenhos e esculturas. Mas também a literatura, o cinema, a música...Tenho usado muito ferramentas em 3D para construir e entender formas.

O QUE VOCÊ ESTÁ PRODUZINDO AGORA?

Neste momento estou focado na produção de minha exposição individual que ocorrerá no primeiro trimestre de 2015. Devo apresentar um conjunto de pinturas, desenhos e uma instalação.

QUE SITES VOCÊ COSTUMA VER?

Vejo muitos sites, nenhum em específico.

 

QUE EXPERIÊNCIA(S) COM ARTE FOI IMPORTANTE PARA VOCÊ E PARA SUA CRIAÇÃO?

Os meus trabalhos se estabelecem a partir de imagens captadas pela lente da câmera fotográfica ou desenhos de observação em lugares como portos antigos, marinas, estaleiros e armazéns, onde a arquitetura esteja muito evidenciada. No momento da captação das imagens, não existe nenhum tipo de modificação digital ou analógica, mas é no próximo momento que lanço mão da fotografia e a transformo em pintura e transitando a discussão para a pureza e autenticidade entre a imagem e a matéria.

2014

DAP - Departamento de Artes Plásticas da Universiade de Londrina - Paraná