Cláudia Jaguaribe

Claudia Jaguaribe é carioca, mora e trabalha em São Paulo. Desde 1988 participa de exposições nos principais museus e galerias do Brasil e no exterior. Sua formação é em História da Arte, Artes Plásticas e Fotografia. Sua produção se caracteriza por uma intensa pesquisa plástica que utiliza diferentes mídias para lidar com diversas questões da contemporaneidade. Seu trabalho vai da criação de imagens deslocadas do seu sentido original tais como a Série Azul, Amores Brutos e Ma Femme, a trabalhos de cunho documental onde retrabalha o próprio formato da documentação como no Corpo da Cidade e no Você Tem Medo do Que. Nos últimos 6 anos se voltou para a questão da paisagem como  reinvenção da natureza na série Quando eu Vi . Em 2010 recebeu o prêmio Marc Ferrez de fotografia da Funarte  pelo projeto O seu caminho . Foi nomeada para o prêmio Pictet de fotografia de 2010 e o seu trabalho foi selecionado para o livro Growth. Foi selecionada para a edição em 4 línguas do livro Fotolivros da América latina . Este ano ganhou o edital da ProAC 26: Apoio de projetos para edição de livros de fotografia no Estado de São Paulo para o desenvolvimento do livro Amor Concreto.
Seus trabalhos estão nas principais instituições de arte contemporânea  públicas e privadas brasileiras e no exterior : Coleção Itaú Cultural, MAM, MASP, Instituto de Arte Contemporânea  Inhotim , Maison Européenne de la Photographie entre outras.

 Exposições Individuais

2011
Você tem Medo do que?
Espaço Cultural Instituto Cervantes – São Paulo – SP, Brasil

Rio, Paisagem Construída
Foto Rio 2011 – Centro Cultural Federal – Rio de Janeiro/RJ, Brasil
Foto Espanha 2011 – Galeria Blanca Soto – Madri, Espanha

2010
O seu caminho
HAP galeria - Rio de Janeiro /RJ, Brasil

2009
Istambul
Foto Rio 2009 – Centro Cultural Federal – Rio de Janeiro/RJ, Brasil

Um Passaggio per Roma
Instituto Ítalo Latino Americano - Roma, Itália

2008
Quando eu Vi
HAP Galeria – Rio de Janeiro – RJ, Brasil

2007
Quando eu VI
Espaço Ecco de Arte Contemporânea – Brasília – DF, Brasil
Galeria Baró Cruz – São Paulo – SP, Brasil

2006
Você tem medo do que?
Instituto Telemar- Rio de Janeiro, RJ
Paços das Artes – São Paulo – SP – Brasil

Retratos Anônimos
Espaço Cultural CPFL – Campinas – SP, Brasil

2004
Tudo é Sofia
Galeria Baró Cruz – São Paulo, SP
HAP Galeria – Rio de Janeiro, RJ

2003
Aeroporto
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – RJ, Brasil
Espaço Ecco de Arte Contemporânea – Brasília – DF, Brasil

2002
Aeroporto
Instituto Tomie Ohtake – São Paulo/SP, Brasil

Série Azul
Galeria Vermelho – São Paulo/SP, Brasil

Exposições Coletivas

2011
Extremos – Instituto Moreira Salles – Rio de Janeiro – RJ, Brasil
O seu caminho – Site-specific
Baro Galeria – São Paulo/SP, Brasil

2010
Autour de l’extrême
Maison Européenne de la Photographie Ville de Paris – Paris, França

Arsenal
Baro Galeria – São Paulo/SP, Brasil

O seu Caminho
Baró Galeria – São Paulo/SP, Brasil

Água na Oca : “Water: H20= Life”, organizada pelo Museu de História Natural de Nova York em parceria com o Instituto Sangari.
Oca- São Paulo/SP, Brasil

Fotospot-Panoramica da fotografia contemporânea brasileira (Curadoria de Eder Chiodetto)
Galeria Estação- São Paulo/SP, Brasil

Diversidade e Afinidades – Universo x Reverso
Ecco Espaço Cultural Contemporâneo – Brasilia/DF, Brasil

2009
Subjetivo feminino: Um olhar Latino-Americano
Instituto Cervantes de São Paulo, São Paulo/SP, Brasil

Istambul
FotoRio 2009 – Centro Cultural Justiça Federal
Coletiva 6X6 Prêmio Marcantonio Vilaça, Espaço Ecco de Arte Contemporânea – Brasília – DF

2008
Arquivo Geral
Centro Cultural da Justiça – Rio de Janeiro – RJ, Brasil

Poéticas da Natureza
Museu de Artes de São Paulo - SP, Brasil

Guaritas
New Life Shop Gallery, Berlim - Alemanha

Duque de Caxias
New Life Shop Gallery, Berlim - Alemanha
Festival Internacional de Fotografia de Roma - Roma, Itália

2007
7˚ Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo – SP, Brasil
Espaço Oi Futuro – Projeto Urban Space – Rio de Janeiro – RJ, Brasil
Espaço Ecco – Projeto Urban Space – Brasília, DF, Brasil
New Life Shop Gallery – Berlin, Alemanha

2005
Galerias de Centro Cultural Parque de Espanha AECI – BA, Argentina
Muse de Arte Moderna de São Paulo – SP, Brasil
Loop – Barcelona - Espanha

Feiras de Arte

2011
SP Arte/Foto - SP , Brasil
ArtRio – Rio de Janeiro- SP, Brsil
SP Arte – Feira Internacional de Arte de São Paulo – SP, Brasil

2010
Pinta New York, EUA
SP Arte/Foto - SP , Brasil
SP Arte – Feira Internacional de Arte de São Paulo – SP, Brasil

2009
SP Arte – Feira Internacional de Arte de São Paulo – SP, Brasil
Zona Maco 09 - Centro Banamex - Mexico
Pulse Miami Contemporay Art Fair - Miami

2007
Buenos Aires Photo – Buenos Aires - Argentina
Circuito de Fotografia I Contamporâneo – São Paulo - SP, Brasil

2005
Art Forum Berlin – Berlin - Alemanha
Feira de Arte BA – Buenos Aires - Argentina

2004
Feira de Arte BA – Buenos Aires - Argentina

2002
Arco - Madri – Espanha

2001
Miami Art Fair – Miami – EUA
Arco – Madri – Espanha

Prêmios

Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, na categoria “Pesquisa, experimentação e criação em linguagem fotográfica”, em 2010.

Indicação ao Prêmio Pictet de fotografia 2010 e selecionada para exposição e livro “Growth a ser lançado em 2011 pela editora teNeues.

Obras em Coleções

Inhotim - Intituto de arte comtemporânia e Jardim botânico -  Brumadinho, MG, Brasil
Maison Européenne de la Photographie – Paris, França
Museu de Ate Moderna Sâo Paulo - SP, Brasil
MASP – São Paulo - SP, Brasil
Itaú Cultural – SP, Brasil
Joaquim Paiva – Rio de Janeiro - RJ, Brasil
Milu Villela – São Paulo/SP, Brasil
Renata Fischer – São Paulo – SP, Brasil
Bianca Fischer – São Paulo – SP, Brasil
Patrice Etlin – São Paulo – SP, Brasil
Rose e Alfredo Setubal, São Paulo, SP, Brasil
Mariano Marcondes Ferra, Rio de Janeiro, Rj, Brasil
Meg Maggio – Pequim/China
Ricardo Akagawa, Sâo Paulo, SP, Brasil
João Carlos Figueiredo Ferraz – São Paulo - SP, Brasil
Edemar Cid Ferreira – São Paulo - SP, Brasil

Livros Publicados

2012 Lançamento em setembro
Entre morros - ed Cosac Naify, São Paulo, SP, Brazil

2009
Quando eu Vi – Ed. Punctum, Roma, Itália
Passagio per Roma-Ed IILA – Roma, Itália

2006
As Cidades do Brasil Rio de Janeiro – Publifolha - São Paulo - SP, Brasil

2002
Aeroporto – Editora Códex - São Paulo - SP, Brasil

2000
O Corpo da Cidade – Editora BEI – São Paulo - SP, Brasil

1999
Atletas do Brasil - Editora Sextante – São Paulo - SP, Brasil

1995
Quem Você Pensa Que ela É? Editora 34 – São Paulo – SP, Brasil

1993
Cidades – Editora Cia das Letras – São Paulo – SP, Brasil

Bibliografia

2009
The art book Brasil – ed.Décor Books – São Paulo/SP, Brasil

2008
Jardim Botânico – Ed. Arte Padilha, RJ

2006
Itaú Cultural, Arte no Brasil – Ed. Itaú Cultural, SP

2003
Mapas Abiertos – Fotografias Latino Americano – Edición Lunwerg
Editores

2002
Retratos do Imaginário de São Paulo, Editora Formate

2001
Mapa do Maravilhoso do Rio de Janeiro – Ed. Sextante

2001
A Imagem do Som de Antonio Carlos Jobim – Ed. Globo

2000
A Imagem do Som de Gilberto Gil – Ed. Globo

 Vídeos

2010
Titulo: O seu caminho
Direção e produção: Claudia Jaguaribe /Limiar
Trilha original: José Carlos Godoy
Formato: DVD e 5 .1

2009

Titulo: Un passaggio per Roma
Direção e produção: Claudia Jaguaribe
Formato: DVD single channel
Exibido no IILA, Roma, Itália.

2007
Titulo: Quando eu vi
Direção e produção: Claudia Jaguaribe /Limiar
Trilha original: Paulo Beto
Formato: DVD single channel
Exibido na Maison Européeene de la Photographie em novembro 2010 Paris, França.
H.A.P Galeria - Rio de Janeiro/RJ, Brasil.

2006
Título: Você tem medo do que ?
Direção e Produção: Claudia Jaguaribe/Limiar
Trilha original: Paulo Beto
Formato: DVD projeção em 5 telas
Exibido no OI futuroRJ e Paço das Artes SP/SP

Título: Fantasia
Direção e Produção: Claudia Jaguaribe/Limiar
Formato: DVD single channel
Exibido no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo - Março de 2006
Selecionado para a Mostra do Audiovisual Paulista – Dezembro de 2006
Selecionado para o RESFEST – Janeiro de 2007.

Título: O Quarto
Direção e Produção: Claudia Jaguaribe/Limia
Formato: DVD single channel
Exibido no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo - Março de 2006

Título: Caraminholas
Direção e Produção: Claudia Jaguaribe/Limiar
Formato: DVD single channel
Exibido no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo - Março de 2006

Título: Carandiru
Direção e Produção: Claudia Jaguaribe/Limiar
Formato: DVD single channel
Exibido no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo - Março de 2006
Selecionado para a Mostra do Audiovisual Paulista – Dezembro de 2006

Curtas-metragens:

Título: Ariel
Direção e produção Claudia Jaguaribe e Mauro Baptista Vedia /Limiar
Formato: DVD single channel
Exibido no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo - Março de 2006.
Selecionado para o Primeiro Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo - Julho de 2006.

Selecionado para o 17º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo – Curta o Formato Brasil - Agosto de 2006.
Exibido na Mostra Situação - Aspecto do documentário contemporâneo, na Galeria Vermelha, São Paulo - Agosto de 2006.
Selecionado para o Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro – Dezembro de 2006.
Selecionado para a Mostra do Audiovisual Paulista – Dezembro de 2006.
Seleção Oficial - Mostra do Filme Livre – Fevereiro de 2007
Seleção Oficial - 8˚ Festival Internacional de Documentários “Santiago Alvarez in Memoriam” – Santiago de Cuba – Março de 2007
Seleção Oficial – Festival Alucine – Toronto, Canadá – de 1 a 9 de junho, 2007.
Seleção Oficial – Cinesul 2007 – Festival Ibero-Americano de Cinema e Vídeo
Seleção Oficial – Festival Internacional de Cine de Viña Del Mar – Chile - 2007

2006

Título: Morte I
Direção: Claudia Jaguaribe e Mauro Baptista Vedia /Limiar
Formato: DVD single channel
Exibido no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo - Março de 2006.

Imagem de Amostra do You Tube

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QUANDO EU VI  | Exposição e vídeo - 2007/2008

Na exposição “Quando Eu Vi”, Claudia Jaguaribe aborda a fotografia de paisagem,especificamente fotografando a mata brasileira, partindo do conceito da sua contemplação pelo homem contemporâneo.

“Quando eu vi” propõe uma revisão do conceito de paisagem natural, ou o limite do natural. A realidade não estaria contaminada pelo simulacro, o real pelo  virtual? É possível distinguir entre verdade e verossimilhança? A mata faz parte da nossa memória iconográfica e de um discurso sobre a natureza criada a partir de práticas pictóricas que formaram as nossas percepções espaciais.

O que é o natural? O que é construção do homem? A paisagem não é o equivalente exato da natureza assim como a própria fotografia não é o exato do seu objeto. Como percebemos uma natureza ao mesmo tempo longínqua e prestes a desaparecer? No mundo contemporâneo a ausência de fronteiras geográficas, dos meios visuais muda a nossa visão da paisagem. “As novas tecnologias audiovisuais propõem versões perceptuais inéditas de paisagens “outras”*. Estas são questões essenciais que se apresentam neste trabalho fotográfico sobre a mata. O Brasil é um dos últimos paises onde podemos experimentar a presença de uma natureza intocada e no limiar de sua transformação. Este trabalho é uma reflexão sobre esse momento onde a fotografia é feita de paisagens híbridas e o espectador  participa da própria constituição da imagem.

Marco Delogu

Todo fotógrafo torna-se um autor quando ele depura sua visão e começa a imbuir suas imagens de pedaços e visões de sua história, uma história muitas vezes pautada por antecessores. Este processo marca uma diferença de autoria e confirma a vontade de dizer algo, ou talvez, um desejo de dizer extraído de anos de incubação de algo retido nos recônditos privados da memória.
No mundo da fotografia há uma grande redescoberta do desvendamento da natureza; embora essas tentativas busquem evitar a “espetacularização” da natureza em si mesma, elas atestam a uma necessidade pessoal que nasce da resistência á imensa oferta visual que diverge e distrai do sentido de vida e conseqüentemente do sentido de olhar e receber.   Esta necessidade é fortemente enraizada na artista e pode ser traçada á memória do seu avô, o pintor, geógrafo e naturalista . Claudia faz justamente isso, reflete, espreita e aguarda a natureza  com todos os meios atuais; todas as suas fotografias são atemporais, mas decididamente contemporâneas, são completamente pessoais e definidoras de uma identidade.

 

 

Revista Piauí 56 2011

Rio Emergente (portifólio Claudia Jaguaribe)

O que aconteceu no Rio de Janeiro nos últimos cinquenta anos, e continua a se reproduzir todos os dias, é tão formidável que quase não se vê.
Frente à mudança violenta e acelerada, as fotografias da paisagem carioca tenderam a oscilar entre três polos. Primeiro, no registro enaltecedor de uma população brejeira em meio a uma paisagem cálida,balneária, luxuriante. Depois, nas fotos que acumulam contrastes entre ricos e pobres, matas e avenidas, favelas e mansões, automóveis e areia, atraso e progresso, trabalho e festa sem superação à vista.
E, por fim, há as que reduzem o Rio tão somente à decadência, à desolação, dando-lhe uma expressão dark.
A artista plástica Claudia Jaguaribe escapou dos três estereótipos. À primeira vista, as suas fotos têm algo de cartão-postal e parecem lidar com os conflitos cariocas de sempre. Mas nelas a grandiosidade não esta na natureza, e sim no construído. E as velhas oposições dão lugar a uma situação na qual a cultura e o trabalho triunfaram, definitivamente. Nesse novo Rio o humano derrotou o natural; o tecido social tapou quase tudo; um povo emergiu. Civilização ou barbárie?
A nitidez impressionante, que está no todo e nos detalhes, capta a força imensa da trama urbana. O hiper-realismo põe o observador em varias partes: ele vê, simultaneamente, perto e longe, dentro e fora, de cima e na encosta dos morros. O Rio dessas fotos não existe em estado natural. Ele é uma construção. Claudia Jaguaribe tirou centenas de fotos, de helicóptero e do alto de favelas. Depois, as combinou e remontou no computador. Ela se amoldou ao seu objeto e deu-lhe um sentido.
Esse sentido é histórico, necessariamente ambíguo e semovente.
As velhas referências visuais - o Pão de Açúcar, o Corcovado, o Dois Irmãos, a Lagoa - estão lá, mas foram deslocadas para o fundo do quadro, diminuíram.
O Rio de meados do século passado foi destruído. Pandeiros festivos, barraco
es pertinho do céu, a princesinha do mar e garotas de Ipanema pertencem ao passado. Mas as fotos de Claudia Jaguaribe não reconhecem a decadência ou se conformam com a ausência de perspectivas. Não são dark, soturnas ou pessimistas: há crianças em primeiro plano, no alto.
O tema dessas fotos é épico. O que se dá a ver, com recuo critico, é a emergência de um povo que avança mata adentro e morro acima. Que ocupa o que não é seu e o toma para si. Que ergue paredes,constrói uma laje em cima e vive dentro. É um povo pobre, vê-se, que vive na precariedade. Mas que se adensa e se espalha, soberano.

 

O Estado de S.Paulo 2011

Antonio Gonçalves Filho

Novas faces do Rio

Série de fotos de Claudia Jaguaribe mostra como a cidade muda e conduz a uma nova forma de percepção da paisagem.

Pelo menos do alto a cidade do Rio de Janeiro conseguiu abolir a separação de classes, fazendo a favela se encontrar com os edifícios da zona sul, como se vê na panorâmica acima, impressionante exercício fotográfico da topografia dessa "espécie de Babilônia" do século 21. A classificação é da própria pesquisadora dessa nova e inquietante paisagem carioca, a fotógrafa Claudia Jaguaribe, que exibiu a série no ano passado na quarta edição da SP-Arte Foto. Ela prepara agora um livro com essas imagens, a exemplo do que fez com séries anteriores suas (Aeroporto, Atletas). Recentemente premiada com o internacional Picture Prize com uma série cuja temática era a sustentabilidade do planeta (a série Quando eu Vi), a fotógrafa carioca abre em junho duas mostras simultâneas, uma no Rio e outra na galeria Blanca Soto de Madri, que trabalha com novos talentos como o fotógrafo espanhol José Luis Santalla, entre outros.
O projeto de rever a paisagem do Rio - que naturalmente mudou muito desde Marc Ferrez - não surgiu como um estudo sociológico das favelas cariocas, como podem sugerir as fotos. A cidade, garante a fotógrafa, tem suas peculiaridades quando comparada a outras metrópoles. "Lá todos se veem ao mesmo tempo, diferente de São Paulo e de outras cidades em que as comunidades são fisicamente distantes", observa Claudia, fazendo um exercício analógico para buscar no mar um exemplo visual que sintetize a imagem do Rio: "É uma cidade-polvo com milhares de tentáculos que se grudam em qualquer lugar".
Esse "olhar e ser visto" interclassista possibilita, segundo a realizadora da série carioca, uma "simultaneidade de visões que se complementam" e podem contribuir para um diálogo produtivo no futuro. "Não vejo essa paisagem como uma obra acabada, e sim como algo em transformação", diz. O foco inicial da série, registrada de helicóptero com uma Canon Mark II, era mesmo a paisagem carioca alterada pelas intervenções arquitetônicas de variados segmentos sociais. Claudia fez mais de 4 mil imagens com a câmera digital, sobrevoando a Rocinha, o Vidigal e outras favelas na tentativa de registrar o que restou de verde nesse território adensado e nada parecido com as paisagens bucólicas registradas por Marc Ferrez (1843-1923) no fim do século 19.
Claudia fotografa há anos a natureza, mas não aquela contemplada pelos grandes paisagistas do passado como Ansel Adams). Ela busca algo mais complexo, a narrativa sugerida por essa paisagem - como a da foto ao lado, em que uma menina subindo na caixa d"água pode tanto contar uma história individual como sintetizar a trajetória coletiva e subterrânea dos grande morros cariocas. Essas são imagens desestabilizadoras, provocantes, que desafiam o espectador diante de uma paisagem familiar que, paradoxalmente, ele não reconhece. Carioca de nascimento, ela ficou surpresa como a expansão geográfica das favelas cariocas alterou tão radicalmente o panorama de sua infância a ponto de ratificar teorias de Hélio Oiticica sobre a inversão de sinais culturais que conduziriam a uma nova forma de ver a arte. "Pensei até num desdobramento desse trabalho no segundo semestre, usando esse material que, inicialmente, registraria apenas a expansão urbana."
A evocação do nome de Oiticica (1937-1980) não é gratuita. Além de ter buscado inspiração nos morros cariocas, que frequentava assiduamente, algumas de suas maiores criações - como o parangolé, capa que fez para os passistas da Mangueira desfilarem no Museu de Arte Moderna do Rio em 1965 - ajudaram a cruzar a fronteira entre arte erudita e popular, não esquecendo que Oiticica foi um dos grandes nomes do movimento neoconcreto brasileiro. O artista, também inspirado pela precária arquitetura dos barracos, fez suas primeiras instalações com madeiras baratas, criando nos anos 1960 a maior dessas obras, o penetrável Tropicália, adotado como referência estética pelo movimento tropicalista. "Não sei quem influenciou quem, mas o fato é que até hoje você sobe o morro e vê esses parangolés lá."
A abordagem de Claudia, no entanto, não permitiu uma aproximação como a de Oiticica, que convivia, de fato, com os marginais das favelas. Essa fotos, aliás, foram feitas antes da tomada dos pontos de tráfico pela polícia. O trânsito entre as comunidades, motivado pela ostensiva presença policial, modificou ainda mais a paisagem com o surgimento de novos barracos a cada ação militar deflagrada nas áreas dominadas pelo tráfico, que intimidava os pilotos de helicóptero contratados pela fotógrafa. "Eles não queriam descer perto das favelas com medo de sermos atingidos, especialmente na Rocinha e no Vidigal", conta Claudia.
Apocalipse. Há algo de escatológico nessas fotos - no sentido bíblico do termo. A paisagem apocalíptica de um Rio que desaparece soterrado por edifícios e barracos reflete, de algum modo, o fim do mundo natural. Essa antevisão assustadora é a de uma fotógrafa identificada com a causa ambiental e interessada em revelar o confronto entre homem e natureza, uma preocupação dividida com outros artistas internacionais, como o dinamarquês Olafur Eliasson, conhecido por suas gigantescas instalações que usam água e luz, modificando a paisagem natural (como sua intervenção feita há três anos sob a ponte do Brooklin, uma cascata artificial ). Também a fotógrafa "construiu" a própria cascata na videoinstalação O Seu Caminho, que mostra, em três minutos, um barquinho passando em looping sob uma cachoeira.
Pioneira na realização de videoinstalações no Brasil, esse fascínio por artistas que trabalham com mídias eletrônicas não pode ser entendido como um fetiche. Ela usa esses campos híbridos justamente para forçar a criação de novos mundos visuais. Foi assim, por exemplo, que surgiu o curta Carandiru (2003), feito durante as filmagens do longa homônimo de Hector Babenco. Ou o vídeo do projeto Aeroporto (2002), o primeiro a expandir seu trabalho para imagens em movimento.