Bruno Novelli

Com uma produção desenvolvida em diferentes suportes, incluindo pinturas, desenhos, trabalhos digitais e mapas metagráficos, Bruno Novelli (Fortaleza, Brasil, 1980) vem explorando temas como a representação da paisagem tropical pelo olhar europeu e o embate entre a natureza e o pensamento racional do homem. A espacialidade da pintura também aparece como objeto de pesquisa em sua série mais recente, “Substantivos Transitórios”, em que parte de experiências e registros fotográficos feitos em caminhadas na região da Amazônia e na costa de Santa Catarina e São Paulo.

Sobrepondo diversos elementos em um mesmo plano, Novelli se aproxima da técnica da colagem, em que a perspectiva da pintura dá lugar a um aspecto mais bidimensional. Nessas obras, ele usa a floresta para articular uma cadeia de relações orgânicas, semelhantes às que existem também em um ambiente urbano.

Nos últimos anos, participou de exposições individuais em Bogotá (Colômbia), Denver (EUA), Copenhagen (Dinamarca), São Paulo e Milão (Itália). Entre as principais mostras coletivas, destacam-se: MITOVÍDEOS, Museu da Imagem e do Som, Sao Paulo (2014); 2013; Cosmovideografias Latinoamaricanas. Centro Nacional de Las Artes, Cidade do México, 2013; Barro del Paraiso. Fundacion OSDE, Buenos Aires, 2012 e NOVA. MIS (Museu da Imagem e do Som). São Paulo, 2010. Este ano, foi um dos artistas premiados no 44º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, São Paulo, e do Arte Londrina 4, Divisão de Artes Plásticas da Casa de Cultura da UEL.

Bruno Novelli
Vive e trabalha em [lives and works in] São Paulo, Brasil [Brazil], 1980

 

Seleção de Exposições Individuais:

Muito Sol na Cachoeira. Zipper Galeria. São Paulo, SP. 18/Maio – 17/junho, 2017.

Substantivos Transitórios. SGR Galería. Bogotá, Colômbia. Maio, 2015.

Materia Radiante. David B. Smith Gallery. Denver, Colorado, USA. Agosto 14 - Setembro 13, 2014.

Fonte Radiante. Espaço Cultural ESPM/Sul - Porto Alegre, Brasil. Maio 31 - Julho 19, 2014. 



Galeria Thomas Cohn, São Paulo, Brasil. Setembro, 2010.



Suma. Rojo®artspace Copenhagen, Copenhagen, Dinamarca. Outubro, 2008.



Sigma. Rojo®artspace Milão, Itália. Outubro, 2008.



Meta. Anno Domini Gallery. San Jose, California, USA. Agosto, 2008.



Tormenta. Rojo®artspace Barcelona. Espanha. Agosto, 2007.



Mysterium Tremendun. Anno Domini Gallery. San Jose – CA, USA. Abril, 2007.




 

Seleção de Exposições Coletivas:

Sobre o que pode ser familiar. DAP da Universidade Estadual de Londrina. Paraná. Concurso Arte Londrina 4. Londrina, Paraná. 2015.

MITOVÍDEOS. MIS - Museu da Imagem e do Som. Sao Paulo, Brasil. Julho 11, 2014.

Cosmovideografias Latinoamaricanas. CENART - Centro Nacional de Las Artes, Cidade do México, México. Junho 20 - julho 20, 2013.

BARRO DEL PARAISO. Fundacion OSDE, Buenos Aires, Argentina. Novembro 17, 2011 - Janeiro 14, 2012.



NOVA. MIS (Museu da Imagem e do Som). São Paulo, Brasil. Junho 2010.

LAVA at The Rag Factory. The Rag Factory/Lava Collective, Londres, UK. Abril, 2010.

Group Exhibition Part 2. David B. Smith Gallery. Denver, Colorado, USA. Fevereiro, 2009.



Contra o Verso. Galeria Bergamin, São Paulo, Brasil. Setembro, 2008.



Transfer. Museu Santander Cultural, Porto Alegre, Brasil. Junho, 2008.



Persistência. Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, Brasil. 2006.



MAC no A6 – Consolidação. Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil. 2006.



Mostra de vídeo CineEsquemaNovo 2006. Festival de Cinema de Porto Alegre. 2006.



Desconstruindo Gigantes. Instituto Goethe, Porto Alegre, Brasil. Junho, 2005.


Brasil em cartaz/Le Brésil À L’affiche” Lês Silos. Chaumont, França. 2005.



Ciclo de Fogo Ishata – Devata (Performance). Multiplex 2005, Instituto Goethe, Porto Alegre, Brasil. 2005.


 

Formação:

Orientação de Projetos com Jailton Moreira. Porto Alegre, RS, Brasil. 2015/aberto.

Pintura e Reflexão com Paulo Pasta. Instituto Tomie Ohtake. São Paulo, Brasil. 2015.



Graduação em Design Gráfico. ESPM, São Paulo, SP, Brasil. 2014.

Desenho. Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre. Porto Alegre, RS, Brasil. 2004.



Continuing Education. School of Visual Arts, NY, USA. Outubro - Dezembro, 2001.




 

Prêmios / Salões:

Arte Londrina 4, Divisão de Artes Plásticas da Casa de Cultura da UEL. Londrina, PR. 2015.


Prêmio de Artes Plásticas - Goethe Institut. Porto Alegre, RS. 2005.



Bolsa Iberê Camargo (destaque). Porto Alegre, RS. 2004.

 

Selecão Bibliográfica:

Ben Gillespie, Materia Radiante, Art in America. EUA, Nov. 2014.

Latino America Al Limite. Chile, Nov. 2014.

Arkan Zakharov, On Vastness and Metaphysycs, Pulp #8 – The Brazil Issue. Canadá, 2014.

Krisis Orientation, Immaginari collettivi / Social imaginary. Italia, 2012.

Emerson Pingarilho, A Busca pelo Inominável, Santa Art Magazine #6. Brasil, 2010.

Instituto Goethe / Porto Alegre, Concurso de Artes Plásticas -10 Anos de Arte Contemporânea. Brasil, 2006.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Samambaias e invertebrados

Ulisses Carrilho

A partir da blasfêmia delírio-tropical “Muito sol na cachoeira”, de Bruno Novelli

Determinadamente comprometido com a parcialidade, a ironia e a perversidade. Oposicionista, utópico e nada inocente. A polaridade binária do público e do privado não o estrutura. Com o ciborgue, a natureza e a cultura, dualidade moderna primordial, são resignificadas: uma não pode mais ser o objeto de apropriação ou de incorporação pela outra, trata-se de desobediência e insubordinação manifesta, é balbúrdia autoindicada por entidades livres.

Apesar dos trabalhos desta exposição enquadrarem-se na pintura enquanto linguagem, agrada-nos antes disso compreendê-los estendendo nossa atenção para onde as pinturas apontam, por quais caminhos de pensamento percorrem: numa perspectiva cultural-natural ampliada, miram o próprio estatuto das imagens. Confiando na confusão enquanto método de ação e na linguagem escrita enquanto compromisso de responsabilidade com o artista e seu campo discursivo, propomos aqui não a mutação do órgão olho, pois não há por agora implantes, transplantes, enxertos ou próteses, mas uma torsão na mirada, ao menos no que tange aquilo que as pinturas provocam. Trata-se de uma certa visão, própria destes seres, que proliferam-se, multiplicam-se. O sexo-ciborgue restabeleceria, em alguma medida, a admirável complexidade replicativa das samambaias e dos invertebrados, seres que convidamos para alojarem-se como pequenos monstros no título deste texto, como a série de carrancas, rabiscos, pedras, flores e frutas que convivem no habitat tela. Signos de exuberância e pastiche alegórico, que não obedecem a uma narrativa linear. Não constitui-se uma cena.

Se não constituem um enredo fechado, convido para que olhemos para a publicação que acompanha a mostra com fotos do processo de Bruno Novelli em seu ateliê. A partir de um atlas de referências, um arquivo digital de imagens é impresso, recortado e fixado às paredes, em um processo diagramático e cartográfico de escrita e desenho. A imagem é anexada ao vocabulário da pintura, que parte de uma investigação da cor, da sua modulação gradiente, sua espacilização por meio de um grid e na forma retangular semelhante a uma folha A4. Digitalmente, a imagem torna-se uma camada sobreposta, como numa ferramenta de edição. Após estudos por meio de desenho, fotografia e impressão, ela é pintada em tinta acrílica sobre tela.

A esquadrinhadura da cor de Bruno Novelli investe na sua indeterminação – olhe para o rosa, aquele rosa cor de boto-cor-de-rosa, cuja pele, apesar de extremamente macia, a pele deste boto-cor-de-rosa, que não invento, mas descrevo (talvez o mesmo que nadou entre nossas coxas quando escrevia escondido pra ti). Veja como são rosas e não rosa, que agem sob efeito de brancos e , neste momento, não se trata de palavras no plural, nem se trata mais da cor, mas de todas as possibilidades que a cor dá. É preciso olhar para a cor como um campo, senti-la como uma premonição, que nos permite vislumbrar um campo muito mais aberto nas transições, nos gradientes, nas passagens, nos degradês, nas luminosidades plastificadas, nos sombreados, nas cores pujantes, nos reflexos luminosos de pedras preciosas naturalmente incrustadas pela ações que se dão na morosidade do tempo, como água que escorre em jatos e jorros contínuos. Energia, irradiação. Muito sol. O sol é refletido, as luzes rebatem na água, que faz o céu revelar-se espelhado na placidez de um rio interrompida pela máquina barco em meio à floresta. São sopros de cores que carregam em si as rotas dos ventos, que formam correntes de ar, que movimentam as águas, regidos por lógicas científicas. As correntes marítimas, movimentos diferentes do fluxo dos rios, são intimamente conectadas ao calendário lunar. O brilho da lua é reflexo da luz do sol. Da mesma forma que os planetas, ela não tem luz própria. O observador terrestre vê partes diferentes da lua iluminadas pelo sol, enquanto ela se movimenta ao redor da terra, mas é preciso desconfiar daquilo que o olho enxerga.

Pensemos em uma tradição específica: a apropriação da natureza como matéria para a produção da cultura, que provoca a relação entre organismo e máquina como o que se chama de uma guerra de fronteiras. Uma sorte de tempo mítico – somos todos quimeras, híbridos teóricos e fabricados de máquina e organismo; somos, em suma, ciborgues. O ciborgue é nossa ontologia; eis o interesse em como enxerga este ser, em como vemos as imagens: ser ciborgue determina nossa política. Imagem condensada, tanto da imaginação, quanto da realidade material: conceber então dois centros, conjugados, que estruturam qualquer possibilidade de transformação histórica. Como as pinturas provocam, a partir do que vemos, um campo mais aberto? Na criação plástica reside uma possibilidade de recurso imaginativo.

Na tradição utópica de se imaginar um mundo sem gênero, aponta-se que este “será talvez um mundo sem gênese, mas, talvez, também, um mundo sem fim”. Uma ficção científica que não passa necessariamente por narrativas de cosmogênese ou apocalipse, radiantes ou cintilantes, obedecendo a uma lógica de repressão diferente. Seria esta uma repressão a partir da qual, em nome de nossa sobrevivência, precisaríamos tudo compreender? Este texto ecoa um argumento em favor do prazer da confusão de fronteiras, bem como em favor da responsabilidade em sua construção.

A pintura de Bruno Novelli oferece ferramentas visuais que dão a pensar na superfície da tela como uma espécie de interface informática por meio da cor. Uma outra ordem visual – quiçá as pinceladas revelem que escondem por trás de si milhares de pixels – alicerçada não num objeto, mas num modelo e em suas regras formais de manipulação.

Rio de Janeiro, 2017. (texto criado para a exposição Muito Sol na Cachoeira – Zipper Galeria, São Paulo).

Substantivos transitórios

Andrés Hernández

Et quid amabo nisi quod aenigma est?” 

(E o que devo amar senão o enigma?)

Giorgio de Chirico  

As palavras como metáteses dos verbos; é assim que, metaforicamente, as geometrias formais que conformam a produção do Bruno Novelli se estruturam. Estruturas configuradas no território da tela mas projetadas sensorialmente a um espaço atemporal e sem limites espaciais. 

Apropriando-se de elementos da abstração geométrica Novelli exercita singulares e simbólicas estratégias de representação para a constituição das obras. O “objeto”, quando aparece, é como ponto de referência associado a vida do artista, como um elemento repetitivo que se faz presente se contrapõe à arte da imitação das coisas irradiando espírito e vontade. A banana e o tijolo são elementos recorrentes nesta série de obras onde, conforme o próprio artista, o primeiro simboliza a natureza e o segundo a construção do pensamento humano ou o pensamento humano em construção.

Como corolário das sistemáticas e enriquecedoras viagens realizadas pelo artista, emergem nas composições uma continuidade de diferentes momentos em um plano único, uma “ colagem bidimensional” onde se destaca o registro da flora, da fauna, de objetos, da ação do homem - estruturadas em camadas de memórias.

Em decorrência da pesquisa de Novelli, configuram-se mapas metagráficos inacabados, onde as próprias formas particularizam a linguagem plástica. Neles, os mapas, há uma dualidade na ação da constituição: a experiência do artista e a internet. Assim, o artista constrói digitalmente e de forma dual suas composições e concebe figuras repletas de matéria pictórica, arquitetadas a partir da sua prática e talento, sem serem simplesmente reproduzidas. Além disso, partes do suporte tradicional utilizado, como a trama da tela, por exemplo, são integradas ao conjunto. Isso resulta numa série de grafismos animados: o corporal, o grafismo das tramas e o da montagem. Com isso o artista exprime o mistério da forma, que mais se enfatiza e impregna de significados à medida que os objetos se desincorporam de sua função primária.

A relação entre suas experiências como designer gráfico e viajante fazem de Novelli um construtor de catálogos de Botânica e um explorador de memórias. Esta conjunção se manifesta, sobretudo, nas séries onde a flora é predominante. Mas seu papel de designer é desempenhado como o de um preparador de desenhos, de projetos, como idealizador de manifestos inacabados. Desta forma, ele concebe enigmas a serem desvendados pelo espectador. Na minha opinião, o enigma é a razão da pesquisa do artista e, consequentemente, a provocação de um sentimento interrogativo acerca do real indicada numa orgulhosa aptidão para a representação. É enigma o jogo de inteligência que o artista exercita ao subverter o sentido lógico e a ordem aparente da realidade. Para a constituição desta realidade em suas obras, Novelli ceva sua produção dos resultados das discussões nos encontros com seus colegas do grupo Metagrafismo. Nutre-se de experiências do cotidiano em metagrafismos que reverberam nas obras e nas projeções circulares entre estas e o espectador.

Nos mapas, o efeito com a luz limita-se a deixar visível algumas partes do conjunto provocando um estranho jogo de conexões, desvendando como o artista, no momento da representação. Evidencia o poder das formas sem ter comprometido na junção das grades o verdadeiro valor das mesmas e das técnicas tradicionais como a pintura, a fotografia e a colagem. Acentuando a forma expressiva em todas a direções do representado Novelli, intensifica o valor simbólico das formas e o poder intrínseco das mesmas. Implanta um ambiente carregado de presságios e expectativas, não apenas nos objetos estáticos representados, mas também no movimento das figuras, dos vestígios da existência cotidiana; assim como na presença de formas evocativas e alusivas que se convertem em traços encíclicos  interrompidos, incompletos cheios de mistérios a serem realizados. Estabelecem-se relações difusas entre os planos nas obras. São planos intrusivos de vistoso colorido, nos quais elementos geométricos se misturam à figuração.  Assim, ao considerar as relações cromáticas e formais, o artista elabora um jogo com os enganos da percepção visual: avanços e recuos, volumes e movimentos livres no compromisso de representar. É, na minha opinião, o modo estruturado do e para o além da representação pictórica. Nos possibilita, também, visualizar o mundo como uma revelação e não como uma representação, e despertam-se sensações possíveis de vê-lo pela primeira vez ao gerar, no espectador, vivências de surpresa e descoberta. Desta forma Novelli constrói uma fusão harmoniosa de formas protagonistas com elementos da arquitetura humana e natural.

São Paulo, 2015. (Texto criado para a exposição Substantivos Transitórios - SGR Galeria, Bogotá, CO)

 

Matéria Radiante

Ruth Bruno

A produção mais recente de Bruno Novelli se apresenta numa variedade de meios, incluido pinturas em tela, desenhos sobre papel, trabalhos digitais e mapas metagráficos. A partir de registros fotográficos obtidos em caminhadas durante visita à Amazonia e à mata próxima da costa de Santa Catarina e São Paulo, Novelli traduz as imagens obtidas da floresta nas formas digitalizadas e geométricas encontradas nas suas pinturas e desenhos ricos em matizes. Através dessas várias obras, Bruno usa a floresta para articular uma cadeia de relações orgânicas, semelhantes às que existem também em um ambiente urbano.

As camadas das pinturas e imagens digitais lidam com as camadas de tempo que conectam o presente com memórias do passado, sugerindo tanto a idéia de continuidade como a de singularidade de cada momento. Ao longo de cada trabalho, celebra a materialidade da pintura enquanto processo. Uma série de mapas metagráficos também articulam o processo de criação de Novelli como numa exploração das potencialidades da linguagem verbal e visual. Funcionando como diagramas através da mente do artista durante o processo de criação, esses mapas abordam a exploração interdisciplinar dos temas e seus relacionamentos interligados. Vários dos novos projetos digitais são baseados em gifs animados, trazendo imagens em um conjunto de diferentes registos fotográficos a partir das explorações na floresta em contraste com formas abstratas e geométricas.

Novelli é graduado em Design Gráfico pela ESPM em São Paulo e estudou escultura School of Visual Arts em New York e desenho no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre. Novelli é fundador da Universidade Autoindicada por Entidades Livres, iniciativa criada para articular pesquisas artísticas interdisciplinares. Bruno é, também, co-fundador do Metagrafismo, um coletivo experimental que aborda as potencialidades gráficas na Metalinguística. Os trabalhos de Novelli tem sido exibidos no Brasil, assim como internacionalmente na Inglaterra, Dinamarca, Espanha, Japão e Estados Unidos. Mais recentemente participou de exposições na Fundacion OSDE (Buenos Aires), Centro Nacional de Las Artes (CENART - México) e no Museu da Imagem e do Som (MIS) em São Paulo.

Denver, CO. 2014. (texto/release da exposição Matéria Radiante – David B. Smith Gallery)

 

Radiant Matter

Exhibition Review, Art in America – Nov., 2014.

Ben Gillespie

Vivid flora and sharp geometries mingle and conjugate in "Materia Radiante," Bruno Novelli's first solo exhibition in the U.S. since 2008. The artist lives and works in São Paulo, where a few years ago he founded the Universidade Autoindicada por Entidades Livres (Autodidactic University for Free Entities), a loose bundle of classes and training programs promoting interdisciplinary artistic endeavors. Novelli, who also goes by the name Bruno 9li (nove meaning nine in Portuguese), has garnered attention for paintings of fantastic creatures and dreamlike landscapes constructed with colorful, patternlike brushwork. The four paintings and two works on paper in "Materia Radiante" explore Henri Bergson's claim in Matter and Memory (1896) that "the separation between a thing and its environment cannot be absolutely defined." The artist draws upon the Bergsonian ontological model and the lush rainforest of his native Brazil to examine the boundaries and parallels between nature and language.

Novelli studied sculpture at New York's School of Visual Arts in 2001, and he displays a structured sense of space on the canvas, especially in his geological approach to stratifying paint layers and compositional forms. Tentacular plants slither and flourish within the canvases, but they are quickly outstripped and crossed by surging bands of color. The hues veer toward neon and are mostly yoked with chromatic, invigorating complements. Novelli's bold and craning outgrowths feel especially vibrant against the angular motifs of their backgrounds.

The tight patterns of folded, planar vectors marching down one painting (A Matéria Vibra Numa Fluidez Radiante) and the two works on paper (O tempo é a matériaemmovimento—Tudovibra and OsObjectos físicostêm limitesimprescisos) actually spell out, in a formally encoded way, the titles of the works. The abstracted characters investigate the visual appeal of written language and its relation, by way of basic geometry, to natural forms. As a cofounder of Metagrafismo, a collective committed to exploring the graphic potential of language, Novelli has fully embraced geometric abstraction as a potent strategy of representation. Adopting a universal mode of expression, he uses similar blocks, bars and angles to compose the various types of forms he presents.

While in Denver for the exhibition, Novelli created a mural in the city's Confluence Park, This River Is Alive-another work whose title is hidden in plain sight, as an intricate geometric design. The artist seems to have found a powerful interlocutor in Bergson, and there is great possibility for further engagement with the interplay of natural and lexical objects along this trajectory.