Bruno Cançado

Bruno Cançado, artista plástico, vive e trabalha em Belo Horizonte. Bacharel em Comunicação Social pela PUC Minas e em 2010 concluiu a graduação em Artes Plásticas com habilitação em desenho e escultura pela Escola Guignard UEMG.

Desde 2009 participa de diversas mostras, entre elas as coletivas: Crônicas Urbanas na Galeria Anna Maria Niemeyer – RJ, curadoria de Isaura Pena e Marco Túlio Rezende; Nova Escultura Brasileira, curadoria de Alexandre Murucci, na Caixa Cultural – RJ; Partilha, curadoria de Benedikt Wiertz, na Galeria Oscar Cruz – SP; 37° Salão de Arte de Ribeirão Preto, seleção de Bitu Cassundé, Leda Catunda, Nilton Campos e Ricardo Resende, no Museu de Arte de Ribeirão Preto - SP; Through the Surface of the Pages, curadoria de Júlio Martins, na Universidade de Harvard, Cambridge – EUA. Em junho de 2011 participou do programa de residência I-Park, em Connecticut, EUA. Em setembro de 2012 foi selecionado pelo Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural do Minc para realizar a mostra individual Drawing to No End, no espaço Milepost 5, Portland – EUA. Em setembro de 2013 participará do programa de residência no Bemis Center for Contemporary Arts, em Omaha, EUA.

Seu trabalho integra a coleção Sattamini – MAC Niterói.

Veja mais no site do artista:
www.brunocancado.com

FORMAÇÃO ACADÊMICA

Bacharel em Artes Plásticas
UEMG – Escola Guignard
Concluído em novembro de 2010

Access Art and Design
Lambeth College – Londres, Reino Unido.
Agosto/2004 a Junho/2005

Bacharel em Comunicação Social 
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.
Concluído em Junho de 2003.

EXPOSIÇÕES

2016

Exposição individual na AM Galeria, Belo Horizonte, MG.

2015

Afluente, curadoria de Emmanuelle Grossi. Local: Galeria Mama/Cadela, Belo Horizonte, MG.

Thin Failure; mostra individual na Hudson D. Walker Gallery, Fine Arts Work Center in Provincetown MA, EUA.

Abre Alas 11; curadoria de Daniel Steegmann Mangrané, Livia Flores and Michelle Sommer. Local: Galeria A Gentil Carioca, Rio de Janeiro, Brazil.

2014-2015 Visual Arts Fellows. Local: Provincetown Art Association and Museum, Provincetown MA, EUA.

 

2014

pela superfície das páginas, curadoria de Júlio Martins, Espaço Marcantonio Vilaça, Brasília, DF.

Papel. AM Galeria, Belo Horizonte, MG.

2012

Through the Surface of the Pages, curadoria de Júlio Martins, DRCLAS – Harvard University, Cambridge MA, EUA.

Drawing To No End. Mostra individual com curadoria de Júlio Martins, Milepost 5, Portland, OR, EUA.

37° Salão de Arte de Ribeirão Preto. Júri de seleção: Bitu Cassundé, Leda Catunda, Nilton Campos and Ricardo Resende. Museu de Arte de Ribeirão Preto, SP.

Partilha, curadoria de Benedikt Wiertz, Galeria Oscar Cruz, SP.

2011

Nova Escultura Brasileira, curadoria de Alexandre Murucci.Local: Caixa Cultural Rio de Janeiro, RJ.

Crônicas Urbanas, curadoria de Isaura Pena e Marco Túlio Rezende. Local: Galeria Anna Maria Niemeyer, Rio de Janeiro, RJ.

2010

Bienal Universitária UERJ/UEMG/UFMG/UNC/UNICAMP, Escola Guignard e UFMG, Belo Horizonte MG.

Exposição dos Premiados da XI Mostra Interna, Escola Guignard, Belo Horizonte, MG.

2009

XI Mostra Interna, Escola Guignard, Belo Horizonte – MG – artista premiado.

Universo Plural, curadoria de Sergio Vaz, Câmara Municipal de Belo Horizonte – MG.

RESIDÊNCIAS

2014 – Fine Arts Work Center in Provincetown, MA, EUA.

2014 – Fundação Bienal de Cerveira, Vila Nova de Cerveira, Portugal.

2013 – Bemis Center for Comtemporary Arts, Omaha, EUA.

2011 – I-Park Residency Program, Connecticut, EUA.

PRÊMIOS E BOLSAS

2014 – Contemplado com o Prêmio Bolsa Residência Artística ICCo / SPArte 2014 na Fundação Bienal de Cerveira, em Vila Nova de Cerveira, Portugal.

2012 – Selecionado pelo Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural do Ministério da Cultura Brasileiro para a realização de exposição em Portland, EUA.

TRABALHOS EM COLEÇÕES

Coleção Sattamini – MAC Niterói

Coleção do Museu de Arte do Rio – MAR, RJ

2016

Exposição individual na AM Galeria, Belo Horizonte, MG.

2015

Afluente, curadoria de Emmanuelle Grossi. Local: Galeria Mama/Cadela, Belo Horizonte, MG.

Thin Failure; mostra individual na Hudson D. Walker Gallery, Fine Arts Work Center in Provincetown MA, EUA.

Abre Alas 11; curadoria de Daniel Steegmann Mangrané, Livia Flores and Michelle Sommer. Local: Galeria A Gentil Carioca, Rio de Janeiro, Brazil.

2014-2015 Visual Arts Fellows. Local: Provincetown Art Association and Museum, Provincetown MA, EUA.

 

2014

pela superfície das páginas, curadoria de Júlio Martins, Espaço Marcantonio Vilaça, Brasília, DF.

Papel. AM Galeria, Belo Horizonte, MG.

2012

Through the Surface of the Pages, curadoria de Júlio Martins, DRCLAS – Harvard University, Cambridge MA, EUA.

Drawing To No End. Mostra individual com curadoria de Júlio Martins, Milepost 5, Portland, OR, EUA.

37° Salão de Arte de Ribeirão Preto. Júri de seleção: Bitu Cassundé, Leda Catunda, Nilton Campos and Ricardo Resende. Museu de Arte de Ribeirão Preto, SP.

Partilha, curadoria de Benedikt Wiertz, Galeria Oscar Cruz, SP.

2011

Nova Escultura Brasileira, curadoria de Alexandre Murucci.Local: Caixa Cultural Rio de Janeiro, RJ.

Crônicas Urbanas, curadoria de Isaura Pena e Marco Túlio Rezende. Local: Galeria Anna Maria Niemeyer, Rio de Janeiro, RJ.

2010

Bienal Universitária UERJ/UEMG/UFMG/UNC/UNICAMP, Escola Guignard e UFMG, Belo Horizonte MG.

Exposição dos Premiados da XI Mostra Interna, Escola Guignard, Belo Horizonte, MG.

2009

XI Mostra Interna, Escola Guignard, Belo Horizonte – MG – artista premiado.

Universo Plural, curadoria de Sergio Vaz, Câmara Municipal de Belo Horizonte – MG.

RESIDÊNCIAS

2014 – Fine Arts Work Center in Provincetown, MA, EUA.

2014 – Fundação Bienal de Cerveira, Vila Nova de Cerveira, Portugal.

2013 – Bemis Center for Comtemporary Arts, Omaha, EUA.

2011 – I-Park Residency Program, Connecticut, EUA.

PRÊMIOS E BOLSAS

2014 – Contemplado com o Prêmio Bolsa Residência Artística ICCo / SPArte 2014 na Fundação Bienal de Cerveira, em Vila Nova de Cerveira, Portugal.

2012 – Selecionado pelo Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural do Ministério da Cultura Brasileiro para a realização de exposição em Portland, EUA.

TRABALHOS EM COLEÇÕES

Coleção Sattamini – MAC Niterói

Coleção do Museu de Arte do Rio – MAR, RJ

Imagem de Amostra do You Tube

 

https://www.facebook.com/amgaleriabh/

Cadernos Mudos, Bruno Cançado, 2012, por Fábio Morais

 

Texto de Júlio Martins para a exposição Drawing to no end realizada em Portland, EUA, setembro 2012

Quando se concebeu a ideia de zero como ´espaço vazio` entre os numerais hindu-arábicos, no séc. IV AC, uma noção improvável para a filosofia grega por esbarrar em questões ontológicas, certamente não se previa o seguinte: para se desenhar o número 0 diretamente na parede são necessárias algumas horas e 10 bastões de carvão, cujo pó residual acumula- se abaixo da imagem, como uma paisagem montanhosa, garantindo ali algum dado, alguma ordem de medida possível. Há, portanto, esforço, peso e desgaste na constituição deste signo encorpado que, a partir de então, hesita em referir-se a instâncias imateriais. A sua frágil presença tende, contudo, a negar seu valor e significados simbólicos mais usuais. O trânsito habitual que leva dos objetos do mundo às expressões da linguagem tem suas prerrogativas invertidas: em “0”, Bruno Cançado assume a virtualidade das convenções que definem esta forma e esculpe diretamente na espessura palpável do signo. Nesse registro, o artista concede uma precária extensão ao signo e aborda sua condição material, o que reconfigura inteiramente suas capacidades semânticas. Forma e materialidade daquilo que pretende representar e significar o “nada” são também trabalhadas em na escultura em concreto de“0”, quando o signo conquista um volume, ganha um corpo alongado e ocupa o espaço.

Desde a interioridade do zero, um oco que o constitui, erguem-se paredes para se atravessar com o olhar, um túnel como passagem, duto cujo fim é recuado ao infinito, wormhole no meio da sala expositiva. Interessa ao artista as implicações geradas a partir de deslocamentos materiais dos signos, que os retiram de sua legibilidade normativa e os colocam na existência, no confronto com o nada, na descoberta do corpo. Por mais abstrata que seja a ideia de zero, ela adquire materialidade reconhecível e ganha consistência em nossa experiência. 

A destinação a que se remetem os desenhos expandidos de Bruno Cançado é ´no end`, que indica sua profusão e também sua contaminação. Há, implícita, uma discussão sobre os meios, já que é comum nos procedimentos do artista uma aproximação afetiva e formal entre as disciplinas do desenho e da escultura. Os trabalhos mais representativos nesse sentido são os desenhos de motivos arquitetônicos em papel branco feitos com cortes, finas extrações que criam linhas tênues, visíveis apenas devido às delicadas sombras que marcam o papel, e as intervenções realizadas com fita adesiva diretamente na arquitetura, que emulavam em linhas esquemáticas um prolongamento virtual do espaço no qual se instalavam, numa pesquisa próxima a Waltercio Caldas e Fred Sandback. Também os “Cadernos Mudos”, por exemplo, tratam do suporte e da escrita em um nível matérico, a partir de um gesto de contágio: o artista mergulha os livros em baldes de tinta e as páginas absorvem manchas em seu interior. O ato registra-se e se desenrola diretamente pela superfície do papel e ocupa o espaço da leitura com sugestivas formas orgânicas, caligrafias transbordantes. Essa consciência ampliada da materialidade, que a torna elemento significante, é muito importante na poética do artista, sobretudo nos trabalhos em que a forma eleita apresenta uma origem objetual (livro, página), que preserva seus usos e conotações usuais nas possibilidades interpretativas. Como em “Perspectiva para linhas paralelas”, o procedimento de molhar as folhas de caderno reitera certa fragilidade do suporte e o converte em espaço matérico de reações. Cada uma das 32 linhas das páginas foi animada pela fluidez da água em módulos correspondentes no conjunto total de 32 desenhos.

Assim, a trama projetiva da pauta é progressivamente borrada, desorganizando sua planaridade e fazendo surgir certa instabilidade, inflamando o espaço da expressão com uma linha-paisagem-vestígio que se imprime no papel. Trata-se mais uma vez de uma imagem que registra os procedimentos de sua fatura e evidencia, a partir de sua concretude material, “volumes de sentidos” que tocam a percepção.

 

Júlio Martins, curador