Judith Lauand

Judith Lauand (Pontal SP 1922).

Pintora e gravadora. Em 1950, formou-se na Escola de Belas-Artes de Araraquara, São Paulo, onde aprendeu pintura com Mario Ybarra de Almeida e Domenico Lazzarini. Dois anos depois, mudou-se para São Paulo e estudou gravura com Lívio Abramo. Em 1954 entrou em contato com a pintura concreta de Alexandre Wollner e Geraldo de Barros. Nesse ano, realizou sua primeira individual, na Galeria Ambiente, em São Paulo. Em 1955 foi convidada por Waldemar Cordeiro a unir-se ao Grupo Ruptura, sendo até o fim do grupo a única mulher integrante. Participou da Exposição Nacional de Arte Concreta, realizada, em 1956, no Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM/SP e, em 1957, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM/RJ. Integrou a mostra Konkrete Kunst, em Zurique, em 1960. Em 1963, expôs na inauguração da Galeria NT - Novas Tendências, em São Paulo, com Hermelindo Fiaminghi e Luiz Sacilotto. Recebeu o Prêmio Leirner de Arte Contemporânea em 1958. Em 1996, foi realizada, em São Paulo, uma exposição retrospectiva, focalizando em particular sua obra dos anos 1950.

 Depoimento

"(...) Planos se descentralizam em todas as direções. Formas - signos de grande leveza de cor, direcionadas verticalmente. Encadeamento sucessivo de formas de seis, cinco, quatro, três lados sobre fundo atuante. Hexágonos divididos em triângulos diferentes na forma e na cor, com uma desordem que altera o sistema quadrilátero articulado com dois triângulos, determinam a visualização de espaço triangular. Segmentos - signos em vários sentidos no espaço do quadro. Quadriculados em rosas, azuis, amarelos. É estruturado de forma a distorcer opticamente o espaço. Faixas de cores azuis e verdes avançam para áreas quadrangulares de cores opostas. Formas - planos justapostos num jogo progressivo de saturação das cores. Mas nenhum comentário substitui a visão direta das obras".

Judith Lauand

LAUAND, Judith. Judith Lauand : pinturas. Sao Paulo : Choice Galeria de Arte, 1986. p. 2.
____________________________________________________

 

"Judith Lauand foi uma figura destacada na fundação do movimento paulistano de arte concreta, colaborando com Waldemar Cordeiro, criador do grupo. Nessa interação com Cordeiro estabeleceram-se fortes ligações de pensamento e de criação artística perceptíveis nas obras de ambos. As concepções de Cordeiro sobre o trabalho em equipe foram excepcionalmente avançadas para sua época e parece-me essencial preservar para as gerações futuras seus métodos de trabalho, de influência tão decisiva para o futuro da arte brasileira de vanguarda. Judith Lauand permanece fiel a sua postura e trajetória concretista. Sua obra recente revela a densidade da composição, o apuramento do cromatismo, o equilíbrio do grafismo, conseguidos por constante pesquisa. Judith envereda agora por novos caminhos realizando obras que podem ser chamadas de assimétricas, onde o geometrismo da decomposição cromática destrói a 'partição eqüilateral' presente ao longo de sua obra, criando uma nova simetria". 

Mario Schenberg

Nasceu em Pontal, São Paulo, 1922. Vive e trabalha em São Paulo, SP.

Formação
1950
Escola de Belas Artes de Araraquara, São Paulo

Exposições Individuais

1954 - São Paulo SP - Primeira individual, na Galeria Ambiente

1962 - Campinas SP - Individual, na Galeria Aremar

1965 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Novas Tendências

1971 - São Paulo SP - Individual, na Galeria da Aliança Francesa

1977 - São Paulo SP - Individual, no MAC/USP

1984 - São Paulo SP - Geometria 84, na Paulo Figueiredo Galeria de Arte

1986 - São Paulo SP - Individual, na Choice Galeria de Arte

1992 - São Paulo SP - Efemérides, no MAC/USP

1994 - Pontal SP - Individual, na Casa da Cultura Manoel de Vasconcelos Martins

1996 - São Paulo SP - Judith Lauand: obras de 1954-1960, no Sylvio Nery da Fonseca Escritório de Arte

2007 - Judith Lauand - 50 Anos de Pintura, Galeria Berenice Arvani, São Paulo

2008 - Judith Lauand - 65 Anos de Arte - Xilogravuras, Galeria Berenice Arvani, São Paulo, e Palacete da Esplanada das Rosas, Araraquara, São Paulo

2011 - Judith Lauand: Experiências, Museu de Arte Moderna, São Paulo

2012 - Judith Lauand: Guaches, Desenhos e Colagens Anos 50, Galeria Berenice Arvani, São Paulo

2013 - Judith Lauand: The 1950s, Stephen Friedman Gallery, Londres

Exposições coletivas

2013
Concrete Invention: Colección Patricia Phelps de Cisneros, Reina Sofia Museum, Madrid, Spain

2012
Concretos Paralelos / Concrete Parallels, Dan Galeria and Centro Brasileiro Britânico, São Paulo, Brazil

2012
Do Concretismo ao Pop Anos 50, 60 e 70, Galeria Berenice Arvani, São Paulo, Brazil

2010-2011
Desenhar o Espaço, Fundação iberê Camargo, Porto Alegre, Brazil; and Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brazil

2010
Abstraction-Creation - Post-War Geometric Abstract Art From Europe and South America, Austin Desmond Fine Arts, London, England; and Matteo Lampertico Arte Antica e Moderna, Milan, Italy
Constructive Spirit: Abstract Art in South and North America, Newark Museum, Newark, USA
Preto no Branco, do Concreto ao Contemporâneo, Galeria Berenice Arvani, São Paulo, Brazil

2009-2011
The Sites of Latin American Abstraction: Selections from the Ella Fontanals-Cisneros Collection, Museum of Latin American Art, Long Beach, USA; Es Baluard Museu d'Art Modern i Contemporani de Palma, Palma de Mallorca, Spain; and Kunst und Ausstellungshalle der Bundesrepublik Deutschland, Bonn, Germany

2009
Anos 50 50 Obras, Galeria Berenice Arvani, São Paulo, Brazil

2008
Ruptura Frente Ressonâncias, Galeria Berenice Arvani, São Paulo, Brazil
Art Cinétique et Mouvement, Musée de Saint-Tropez, Saint-Tropez, France

2006
Concreta 56: A Raiz da Forma, Museu de Arte Moderna, São Paulo, Brazil
Pincelada: Pintura e Método, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brazil
Concretismo e Neo-Concretismo, Dan Galeria, São Paulo, Brazil

2004
Versão Brasileira, Galeria Brito Cimino, São Paulo, Brazil

2002
Caminho do Contemporâneo 1952-2002, Paço Imperial, Rio de Janeiro, Brazil
Paralelos: Arte Brasileira da Segunda Metade do Século XX em Contexto, Colección Patrícia Cisneros, Museu de Arte Moderna, São Paulo; and Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, Brazil

2001
Geometric Abstraction: Latin American Art from The Patricia Phelps de Cisneros Collection, Fog Art Museum and David Rockefeller Center for Latin American Studies, Harvard University, Cambridge, USA
Trajetória da Luz na Arte Brasileira, Itaú Cultural, São Paulo, Brazil

2000
Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento: Arte Moderna e Arte Contemporânea, Fundação Bienal, São Paulo, Brazil

2000
Un Siècle d'Art Concret, Centre d'Art Contemporain, Mouans-Sartoux, France

1999
Década de 50 e seus Envolvimentos, Jo Slaviero Galeria de Arte, São Paulo, Brazil

1998
Arte Construtiva no Brasil - Coleção Adolpho Leirner, Museu de Arte Moderna, São Paulo, Brazil

1997
2° Bienal do Mercosul, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brazil
Desexp(l)os(ign)ição, Casa das Rosas, São Paulo, Brazil

1996
Concretos Neo-Concretos, Sylvio Nery da Fonseca Escritório de Arte, São Paulo, Brazil
Tendências Construtivas no Acervo do MAC-USP, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, Brazil
Bandeiras, Galeria de Arte do SESi, São Paulo, Brazil

1994
Bienal Brasil Século XX, Pavilhão da Bienal, São Paulo, Brazil
Bandeiras: 60 Artistas homenageiam a USP, São Paulo, Brazil

1991
Mostra Coletiva, Galeria Choice, São Paulo, Brazil

1990
Arte Como Construção, Rio Design Center, Rio de Janeiro, Brazil

1987
A Trama do Gosto, Fundação Bienal, São Paulo, Brazil
Projeto Arte Brasileira - Anos 50, Museu de Arte Brasileira da FAAP, São Paulo, Brazil
Abstração Geométrica 1, Funarte, Rio de Janeiro, Brazil

1985
Geometria Hoje, Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, Brazil

1984
Tradição e Ruptura, Pavilhão da Bienal, São Paulo, Brazil
Geometria 84, Paulo Figueiredo Galeria de Arte, São Paulo, Brazil

1983
Exposição Waldemar Cordeiro, Centro Cultural São Paulo, Brazil

1978
As Bienais e a Abstração, Museu Lasar Segall, São Paulo, Brazil
Objeto na Arte Brasil Anos 60, Museu de Arte Brasileira da FAAP, São Paulo, Brazil

1977
Projeto Construtivo Brasileiro na Arte 1950-1962, Pinacoteca do Estado, São Paulo, Brazil; and Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, Brazil
2° Salão Feminino de Maio Eucatex Pro, São Paulo, Brazil

1972
2° Exposição internacional de Gravura, Museu de Arte Moderna, São Paulo, Brazil

1970
25 Pintores do Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, Porto Alegre, Brazil

1969
10° Bienal internacional de São Paulo, Pavilhão da Bienal, São Paulo, Brazil
Panorama da Arte Atual Brasileira, Museu de Arte Moderna, São Paulo, Brazil

1968
17° Salão Paulista de Arte Moderna, Galeria Prestes Maia, São Paulo, Brazil
Os Concretistas, Museu de Arte Moderna, São Paulo, Brazil
2° Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul, São Paulo, Brazil
Coletiva de Pinturas, Galeria Espaço, São Paulo, Brazil

1967
9° Bienal internacional de São Paulo, Pavilhão da Bienal, São Paulo, Brazil
16° Salão Paulista de Arte Moderna, Galeria Prestes Maia, São Paulo, Brazil
1° Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul, São Paulo, Brazil
3° Salão de Arte Contemporânea, MAC, Campinas, São Paulo, Brazil
4° Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, Teatro Nacional, Brasília, Brazil
24° Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba, Paraná, Brazil

1966
Premissas 3, Museu de Arte Brasileira da FAAP, São Paulo, Brazil
15° Salão Paulista de Arte Moderna, Galeria Prestes Maia, São Paulo, Brazil
2° Salão de Arte Contemporânea de Campinas, MAC, Campinas, São Paulo, Brazil

1965
8° Bienal internacional de São Paulo, Pavilhão da Bienal, São Paulo, Brazil
Propostas 65, Museu de Arte Brasileira da FAAP, São Paulo, Brazil
14° Salão Paulista de Arte Moderna, Galeria Prestes Maia, São Paulo, Brazil
1° Salão de Arte Contemporânea, MAC, Campinas, São Paulo, Brazil

1964
13° Salão Paulista de Arte Moderna, Galeria Prestes Maia, São Paulo, Brazil

1963
7° Bienal internacional de São Paulo, Pavilhão da Bienal, São Paulo, Brazil
12° Salão Paulista de Arte Moderna, Galeria Prestes Maia, São Paulo, Brazil
Coletiva de Inauguração da Associação de Artes Visuais Novas Tendências, Galeria NT, São Paulo, Brazil

1962
Exposição Coletiva no Clube dos Artistas de São Paulo, São Paulo, Brazil

1961
10° Salão Paulista de Arte Moderna, Galeria Prestes Maia, São Paulo, Brazil

1960
Mostra Internacional Arte Concreta - 50 Anos de Desenvolvimento, curated by Max Bill, Zurich, Switzerland
9° Salão Paulista de Arte Moderna, Galeria Prestes Maia, São Paulo, Brazil
Arte Contemporânea no Brasil, Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, Brazil
Contribuição da Mulher às Artes Plásticas do País, Museu de Arte Moderna, São Paulo, Brazil
Exposição Coletiva de Arte Concreta, Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, Brazil
Exposição de Arte Concreta, Galeria de Arte das Folhas, São Paulo, Brazil

1959
Mostra Arte Brasileira Atual, Munich, Germany, The Hague, Holland, and Vienna, Austria
8° Salão Paulista de Arte Moderna, Galeria Prestes Maia, São Paulo, Brazil
Prêmio Leirner de Arte Contemporânea - Seis Concretistas, Galeria de Arte das Folhas, São Paulo, Brazil
47 Artistas Prêmio Leirner de Arte Contemporânea, Galeria de Arte das Folhas, São Paulo, Brazil
Exposição Coletiva na Lapa, São Paulo, Brazil

1958
7° Salão Paulista de Arte Moderna, Galeria Prestes Maia, São Paulo, Brazil

1957
6° Salão Nacional de Arte Moderna, Palácio Gustavo Capanema - MEC, Rio de Janeiro, Brazil
Exposição Nacional de Arte Concreta, Palácio Gustavo Capanema - MEC, Rio de Janeiro, Brazil, Buenos Aires and Rosario, Argentina, Santiago, Chile, and Lima, Peru

1956
Exposição Nacional de Arte Concreta, Museu de Arte Moderna, São Paulo, Brazil, and Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, Brazil
Prêmio de Arte Contemporânea, Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo

1955
4° Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro
3° Bienal internacional de São Paulo, Pavilhão da Bienal, São Paulo
4° Salão Paulista de Arte Moderna, Galeria Prestes Maia, São Paulo

1954
3° Salão Paulista de Arte Moderna, Galeria Prestes Maia, São Paulo

1953
16° Salão de Belas Artes de Araraquara, São Paulo

1952
2° Salão Paulista de Arte Moderna, Salão do Antigo Trianon, São Paulo
Jovens Pintores da Escola de Belas-Artes de Araraquara, Museu de Arte Moderna, São Paulo
15° Salão de Belas Artes de Araraquara, São Paulo

1945
9° Salão de Belas Artes de Araraquara (expôs em oito edições do Salão) , São Paulo

Prêmios [selecionados]

1964
13° Salão Paulista de Arte Moderna - Prêmio Aquisição

1959
8° Salão Paulista de Arte Moderna - Prêmio Aquisição

1958
7° Salão Paulista de Arte Moderna - Prêmio Aquisição

1955
4° Salão Paulista de Arte Moderna - Pequena Medalha de Prata

1954
3° Salão Paulista de Arte Moderna - Grande Medalha de Bronze

1953
16° Salão de Belas Artes de Araraquara - Prêmio Cidade de Araraquara

1952
15° Salão de Belas Artes de Araraquara - Primeiro Lugar

1945
9° Salão de Belas Artes de Araraquara - Prêmio Estímulo de Desenho

Coleções Públicas

Fundação do Livro do Cego no Brasil
Museu de Arte Contemporânea de Niterói
Museu de Arte Contemporânea de São Paulo
Museu de Arte Moderna de São Paulo
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
Museu de Arte Moderna de Grenoble (França)
Museum of Fine Arts, Houston (EUA)
Pinacoteca do Estado de São Paulo

Judith Lauand: as ousadias e delicadezas de uma concretista +

Exposição de Judith Lauand em Londres +

Textos:

"(...) figurativa de início, transitou por formas livremente abstratas em 1953, impulsionada por Geraldo de Barros e Alexandre Wollner. Suas intenções matemáticas predispunham-na à orientação em que afirmaria uma própria pesquisa de linguagem caracterizada pela estrutura dinâmica de espaço. Suas investigações conduziram-na a diferenciadas situações que desde a década de 60 intertextualizavam imagem formal e palavra. No começo dessa década Judith Lauand denotou interesse crescente pela cor e suas pulsações ópticas, fenômeno evidente e centralizador em muitos outros artistas concretos do país. Uma das fórmulas expressivas desta abordagem de pura visualidade foi o espaço dividido em forma de xadrez. Ela o pesquisa pela articulação de tons em contraste ou em coexistência harmônica, sempre motivada pela idéia de conferir-se um máximo de potencialidade vibratória. Seu problema único é o estudo rigoroso desta estrutura da cor em suas infinitas leis de alterabilidade. Do seu sistema ascético, pensando e realizando com a coerência e a tenacidade da busca perfeccionista radical, esta exposição oferece uma perspectiva de vários anos, a nosso ver, das mais convincentes".

Walter Zanini

LOUZADA, Júlio. Artes plásticas: seu mercado, seus leilões. de São Paulo: J. Louzada, 1984-.

__________________________________________________

"Na produção de Judith Lauand deve ser assinalada a freqüente presença da linha tratada como barra, remetendo-nos a Malevitch. Esse método equilibra o caráter gráfico das linhas ao admitir seu tratamento pictórico mais atuante. (...) No concretismo, a serialização da forma evoca a produção industrial. Os triângulos se distribuem sobre a superfície da obra, onde é aplicada à moda de azulejaria de vazados, ou melhor, de um cabogó. O crítico Mário Pedrosa observou que no concretismo podia-se falar de um 'vocabulário cromático deliberadamente elementar'. Falando sobre a abolição da cor pelos artistas deste movimento, Judith Lauand esclarece que 'nós trabalhávamos com poucas cores. Era mais preto-e-branco ou então complementares. Poucas formas também. A superfície de cor preta usávamos para ter uma austeridade. Eram as complementares, preto-e-branco. Pouquíssima cor. Fazia parte das exigências da época. Abolir um pouco a quantidade de formas, cor. Tudo que fosse demais. Fazer uma síntese. Inverti. O fundo preto é atuante porque é espaço'. Lauand também reconhece em alguns casos que a cor não tem função; o desenho é que importa. Noutros momentos, encontramos em sua obra pinturas quase acromáticas, como produção de uma neutralidade onde pudesse ocorrer ainda uma diferenciação entre a linha e o plano através da cor. (...) Lauand confronta positivo/negativo, excesso e ausência de luz e suas nuanças num jogo em que a superfície concreta capta o olhar num tráfego fenomênico. (...) Presença indelével no concretismo, Judith Lauand buscava alguma razão matemática, mas sobretudo também muitas licenças poéticas. Daí podermos dizer que Judith Lauand produziu uma arte de pequenas delicadezas concretistas".

Paulo Herkenhoff

LAUAND, Judith. Judith Lauand : obras de 1954-1960. Sao Paulo: Sylvio Nery da Fonseca Escritório de Arte, 1996. p. 6-7.

_______________________________________________

Judith Lauand: experiências

Curadoria: celso Fioravante
Sala Paulo Figueiredo - MAM

Judith Lauand é bem mais que concreta. É também experimental, pop, política, abstrata geométrica, mas, sobretudo, inquieta, como é possível observar nas mais de cem obras desta mostra antológica, Judith Lauand: experiências.

São pinturas em óleo, acrílica, esmalte e têmpera, desenhos, guaches, colagens, xilogravuras, tapeçarias, bordados e esculturas produzidos entre 1954 (ano de sua adesão ao concretismo) e os anos 1970, quando a artista passa a produzir uma pintura ainda geométrica, porém mais solta, em que a cor se sobrepõe ao desenho.

Nada mais justo que esta homenagem aconteça no MAM, estreitando um relacionamento que já dura seis décadas. Tudo começou em 1952, quando o MAM, ainda instalado na rua Sete de Abril, abrigou a mostra Jovens pintores da Escola de Belas-Artes de Araraquara. Era a estreia de Lauand na capital paulista.

A artista também esteve presente em exposições históricas no museu, como a 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta (1956), que marcou o surgimento oficial da poesia concreta no Brasil, e a 1ª edição do Panorama da Arte Atual Brasileira (1969), evento criado pela então diretora Diná Lopes Coelho (1912-2003) como estratégia para a ampliação e renovação do acervo da instituição por meio de prêmios aquisição e doações. Naquele ano, a artista colaborou com a iniciativa, doando ao museu a tela Stop the war (1969).

Depois de um hiato de trinta anos, Lauand voltou a figurar em mostras importantes no museu, como Arte construtiva no Brasil: coleção Adolpho Leirner (1998), Paralelos: arte brasileira da segunda metade do século XX em contexto, coleção Patricia Cisneros (2002) e Concreta’56: a raiz da forma (2006). Em 2008, foi convidada a participar do Clube de Colecionadores de Gravura do MAM, para o qual autorizou a reimpressão de uma xilogravura dos anos 1950, cuja matriz doou ao acervo do museu.

Judith Lauand retorna agora na maior exposição já realizada sobre sua carreira. Mais que uma retrospectiva, esta é uma mostra prospectiva, pois indica as muitas possibilidades que uma vida dedicada à arte pode oferecer.