setembro/2016

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30/09/2016

“E se fossemos nós os modernos?”

Jomar Bragança
24 de setembro – 19 de outubro de 2016

“E se fossemos nós os modernos?” é o título da série que dá nome a exposição individual de Jomar Bragança na AM Galeria de Arte. Jomar, reconhecido nacional e internacionalmente como fotógrafo de arquitetura, desenvolve também, desde meados da década de 80, um trabalho autoral que lida sobretudo com a memória dos lugares, a arquitetura abandonada e a relação do homem com a natureza.

Para a nova exposição Jomar apresenta um ensaio sobre a residência modernista “Dalva Simão” de 1954 projetada por Oscar Niemeyer localizada na orla da Lagoa da Pampulha em Belo Horizonte, MG. O projeto, iniciado em 2013 com curadoria de Manu Grossi, se desenvolde a partir do livro do antropólogo, sociólogo e filósofo francês Bruno Latour, “Jamais fomos modernos” de 1991 no qual o autor afirma que a nossa modernidade jamais passou de um projeto e que tal projeto falhou.

No ensaio o artista nos apresenta a casa vazia, detalhes da arquitetura, angulos, luzes, sutilezas próprias do projeto modernista de Niemeyer. Na exposição as imagens se confundem com os materiais presentes no projeto e, em duplas, compoem uma montagem onde se tornam janelas de aluminio, caixas de concreto, lambris de madeira, azulejos, jardins e espelhos. As duplas de fotografias/objeto são dispostas em meio a um jardim modernista/tropical que acontece no espaço da galeria e permeia toda a exposição. Segundo Manu Grossi, curadora do projeto, “É como um passeio pela memória do modernismo. A obra de Jomar Bragança apresenta uma força delicada e uma simplicidade de recursos própria dos grandes fotógrafos/artistas que conseguem desmaterializar e reconstruir conceitos através de seu olhar sobre um lugar e seus possiveis novos significados. Sem dúvida este ensaio tem uma poesia que traz importante reflexão sobre o papel da arquitetura moderna no Brasil, o abandono dessas edificações residenciais e sobretudo o que existe de modernidade em nós e qual seu legado – especialmente em Belo Horizonte.”